Coreia do Sul propõe à Coreia do Norte negociações militares
A Coreia do Sul propôs hoje à Coreia do Norte a realização de negociações militares sobre o traçado da linha de demarcação no centro da Zona Desmilitarizada que as separa, após vários incidentes graves.
Seul “propõe oficialmente a realização de negociações militares com a Coreia do Norte, a fim de confirmar mutuamente a localização precisa da linha de demarcação militar terrestre”, disse o vice-ministro da Defesa, Kim Hong-cheol.
O objetivo é “discutir meios de restabelecer as linhas de comunicação militares e prevenir confrontos acidentais nas zonas fronteiriças”, acrescentou o dirigente, durante uma conferência de imprensa em Seul.
“As datas e os locais específicos poderão ser discutidos via Panmunjom”, disse Kim, referindo-se ao único ponto de contacto entre as duas Coreias, situado no meio da Zona Desmilitarizada, a norte de Seul, conhecida como DMZ, na sigla em inglês.
Seul “espera uma resposta positiva da Coreia do Norte”, acrescentou o vice-ministro da Defesa.
Kim salientou que as discussões poderiam, eventualmente, incluir o Comando das Nações Unidas, a força multinacional liderada pelos Estados Unidos na Coreia do Sul.
A Coreia do Norte rompeu todos os contactos com a Coreia do Sul há anos.
Desde 2023 que o país se dedica a fortificar o seu lado da DMZ, uma zona tampão criada no final da Guerra da Coreia (1950-1953), renunciando a qualquer perspetiva de reunificação da Península Coreana e passando a considerar o Sul como um Estado inimigo.
As obras de fortificação, que por vezes ocorrem muito próximas da linha de demarcação, deram origem a vários incidentes nos últimos meses.
Em setembro, três soldados sul-coreanos ficaram feridos pela explosão de duas minas norte-coreanas na DMZ. Seul afirmou que os artefactos tinham sido colocados no seu lado da fronteira, alegação que Pyongyang negou categoricamente.
Além disso, nos últimos meses, o exército sul-coreano realizou dezenas de disparos de aviso após o que descreveu como incursões de soldados norte-coreanos no seu lado da zona tampão.
A linha de demarcação entre as duas Coreias, que atravessa frequentemente zonas remotas, montanhosas e de vegetação densa, não tem uma demarcação precisa, o que gera divergências de interpretação entre os dois lados.
Share this content:



Publicar comentário