Gasóleo russo a caminho dos EUA depois de acordo entre Trump e Putin
O ano de 2026 poderá ficar para a história como o ano dos cisnes negros: eventos muito improváveis, mas que acabaram por concretizar-se.
A guerra dos EUA/Israel contra o Irão, poderá ser um deles, assim como os ataques do Irão aos seus vizinhos, a par da maior crise energética da história.
Mas nas últimas semanas está a formar-se mais um cisne negro, impensável em 2022 quando a Rússia está invadiu a Ucrânia: a aproximação de Washington a Moscovo, com a Ucrânia a ficar aparentemente para trás, depois dos ataques de Kiev a refinarias russas, que encostaram Vladimir Putin a um canto.
Um sinal dos tempos é que um petroleiro carregado com 40 mil toneladas de gasóleo russo está neste momento a caminho de Nova Iorque, com chegada prevista a 7 de novembro, marcando o regresso das exportações russas de gasóleo, revela a “Reuters”.
O mercado mundial de energia está neste momento apertado de gasóleo, depois dos ataques a refinarias cruciais no Médio Oriente pelo Irão e os seus aliados.
E Donald Trump tem eleições intercalares cruciais no dia 3 de novembro, que serão decisivas para os dois últimos anos do seu mandato. Se os democratas ganharem vantagem no Congresso, o líder republicano terá a vida mais difícil até ao fim.
O presidente norte-americano tem efetuado alterações numa nova lei de sanções contra a Rússia para facilitar a chegada do combustível russo aos EUA, numa tentativa de controlar os preços do ‘diesel’, esperando que o mundo receba 300 mil toneladas de gasóleo russo numa fase inicial, incluindo os EUA.
Ao mesmo tempo, tem ameaçado a Europa com a suspensão de envio de gasóleo norte-americano, se a Europa não libertar reservas estratégicas do combustível.
O Agioi Fanendes, com pavilhão de Malta, estava atracado no porto russo de Primorsk no Mar Báltico, a 22 de outubro, e vai rumar à Costa Leste dos EUA.
OS EUA levantaram sanções às exportações russas de gasóleo e anunciaram um cessar-fogo aos ataques a infraestruturas energéticas entre a Rússia e a Ucrânia.
A Rússia vai colocar no mercado 2,25 milhões de barris de gasóleo imediatamente, seguido de 500 mil toneladas e novembro, mais um milhão de toneladas.
O Kremlin estima que o país consiga aumentar as exportações de gasóleo entre 3-3,5 milhões de toneladas mensais até ao final do ano.
A “Reuters” dá conta que gasóleo foi carregado no porto russo de Primorsk na semana passada, mas o seu destino final não é claro, com alguns dos navios destinados, para já, a Gibraltar, Port-Said ou o Atlântico.
A Rússia tem-se limitado a exportar gasóleo para o Brasil e para a Turquia, assim como para países africanos, desde que arrancou o embargo europeu aos combustíveis russos.
O petróleo sobe mais de 1% para 114 dólares esta sexta-feira.
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