Petróleo atinge 115 dólares pela primeira vez desde maio
O petróleo atingiu os 115 dólares esta sexta-feira, a primeira vez que acontece desde maio.
O barril de Brent sobe mais de 2% para mais de 115 dólares à boleia do conflito no Médio Oriente.
A marcar o dia estão notícias de que o Irão pretende atacar refinarias, cabos submarinos, centros de dados e instalações de Inteligência Artificial na região do Golfo Pérsico, se os EUA/Israel lançarem um novo ataque contra o país.
“Notícias de que os EUA estão a considerar renovar os ataques militares no Irão depois das eleições intercalares em vez de prosseguir a via diplomática foi suficiente para o preço disparar, com o conflito a entrar no oitavo mês, depois de muitos considerarem que terminaria rapidamente”, disse Richard Hunter da Interactive Investor, citado pelo “Guardian”.
O barril de petróleo negociava nos 72 dólares por barril em fevereiro, antes da guerra, tendo chegado a atingir os 126 dólares no final de abril.
As tensões na região continuam a escalar. O Irão anunciou esta semana ter atacado quatro navios de mercadorias no Estreito de Ormuz, enquanto os EUA deram ordens aos seus diplomatas e famílias para abandonarem a Arábia Saudita perante os ataques dos rebeldes Houthis a partir do Iémen.
Nos mercados existem receios de que o conflito volte a níveis máximos depois das eleições intercalares nos EUA que vão ter lugar a 3 de novembro.
“Para os navios que tentam atravessar o estreito de Ormuz ainda é um caminho perigoso, com obuses ainda a serem disparados”, afirmou Susannah Streeter, analista do Wealth Club, citada pelo jornal inglês.
A petrolífera estatal Saudi Aramco deu ordens esta semana para a evacuação da sua sede em Dhahran na costa saudita do Golfo Pérsico.
O conflito entre os Houthis e uma coligação saudita que apoia o Governo do Iémen reconhecido internacionalmente tem escalado desde que o grupo apoiado pelo Irão tem atacado o estreito Bab el-Mandeb, crucial para o tráfego marítimo nas rotas entre a Europa e a Ásia, via canal do Suez no mar Vermelho.
Os analistas do Morgan Stanley estimam que as exportações de petróleo do Médio Oriente tenham atingido 17 milhões de barris diários na semana passada, próximo da média de 18 milhões nos 12 meses antes da guerra no Irão.
“Não se espera uma acalmia das hostilidades até às eleições intercalares nos EUA, o que deve manter os preços do petróleo elevados”, disse à “Reuters” a analista Tamas Varga da PVM.
Já na Ucrânia, as forças russas atacaram Kiev com centenas de drones.
Moscovo disse na quarta-feira estar disposto a voltar a negociar com a Ucrânia em novembro, depois de conversações entre o presidente Vladimir Putin e o enviado dos EUA Steve Witkoff em São Petersburgo.
A Rússia foi o terceiro maior produtor mundial de petróleo em 2025, apenas atrás dos EUA e da Arábia Saudita, mas o seu crude continua sujeito a sanções, que poderão ser levantadas em caso de acordo de cessar-fogo.
Gasóleo russo a caminho dos EUA depois de acordo entre Trump e Putin
O ano de 2026 poderá ficar para a história como o ano dos cisnes negros: eventos muito improváveis, mas que acabaram por concretizar-se.
A guerra dos EUA/Israel contra o Irão, poderá ser um deles, assim como os ataques do Irão aos seus vizinhos, a par da maior crise energética da história.
Mas nas últimas semanas está a formar-se mais um cisne negro, impensável em 2022 quando a Rússia está invadiu a Ucrânia: a aproximação de Washington a Moscovo, com a Ucrânia a ficar aparentemente para trás, depois dos ataques de Kiev a refinarias russas, que encostaram Vladimir Putin a um canto.
Um sinal dos tempos é que um petroleiro carregado com 40 mil toneladas de gasóleo russo está neste momento a caminho de Nova Iorque, com chegada prevista a 7 de novembro, marcando o regresso das exportações russas de gasóleo, revela a “Reuters”.
O mercado mundial de energia está neste momento apertado de gasóleo, depois dos ataques a refinarias cruciais no Médio Oriente pelo Irão e os seus aliados.
E Donald Trump tem eleições intercalares cruciais no dia 3 de novembro, que serão decisivas para os dois últimos anos do seu mandato. Se os democratas ganharem vantagem no Congresso, o líder republicano terá a vida mais difícil até ao fim.
O presidente norte-americano tem efetuado alterações numa nova lei de sanções contra a Rússia para facilitar a chegada do combustível russo aos EUA, numa tentativa de controlar os preços do ‘diesel’, esperando que o mundo receba 300 mil toneladas de gasóleo russo numa fase inicial, incluindo os EUA.
Ao mesmo tempo, tem ameaçado a Europa com a suspensão de envio de gasóleo norte-americano, se a Europa não libertar reservas estratégicas do combustível.
O Agioi Fanendes, com pavilhão de Malta, estava atracado no porto russo de Primorsk no Mar Báltico, a 22 de outubro, e vai rumar à Costa Leste dos EUA.
OS EUA levantaram sanções às exportações russas de gasóleo e anunciaram um cessar-fogo aos ataques a infraestruturas energéticas entre a Rússia e a Ucrânia.
A Rússia vai colocar no mercado 2,25 milhões de barris de gasóleo imediatamente, seguido de 500 mil toneladas e novembro, mais um milhão de toneladas.
O Kremlin estima que o país consiga aumentar as exportações de gasóleo entre 3-3,5 milhões de toneladas mensais até ao final do ano.
A “Reuters” dá conta que gasóleo foi carregado no porto russo de Primorsk na semana passada, mas o seu destino final não é claro, com alguns dos navios destinados, para já, a Gibraltar, Port-Said ou o Atlântico.
A Rússia tem-se limitado a exportar gasóleo para o Brasil e para a Turquia, assim como para países africanos, desde que arrancou o embargo europeu aos combustíveis russos.
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