Bolt diz estar disponível para discutir com a autarquia modelo para manter as trotinetes em Lisboa
A Bolt fez saber esta sexta-feira, 23 de outubro, que está disponível para discutir com a Câmara Municipal de Lisboa “um modelo que permita manter as trotinetes partilhadas na cidade”, alertando que este modelo de transporte faz “parte do dia a dia de muitos lisboetas”.
A empresa de serviços de mobilidade reagiu assim, em comunicado, à aprovação da suspensão das trotinetes partilhadas em Lisboa esta semana, medida que recebeu votos contra de Livre e IL, e que será implementada até ao final do ano.
“Desde o acordo celebrado com a Câmara Municipal em 2023, a Bolt cumpre as regras definidas pelo município: velocidade máxima de 20 km/h e estacionamento obrigatório em locais designados. Acreditamos que há margem para melhorar a situação em conjunto, sobretudo no estacionamento. Os locais de estacionamento são definidos pelo município, e não pelas operadoras”, lê-se na mesma nota.
De acordo com a empresa de origem estoniana, em torno de 70% dos cerca de 1.900 locais hoje designados ficam em passeios. “Desde 2023, propusemos centenas de alternativas mais adequadas, sinalizadas e melhor distribuídas, para facilitar o estacionamento correto e libertar espaço para os peões. Disponibilizámo-nos também para financiar sinalética, marcações rodoviárias e estações de estacionamento dedicadas”.
Sobre uma das razões que levaram à proibição deste modelo de transporte, a Bolt diz “reconhecer que o estacionamento indevido afeta especialmente quem se desloca a pé com mais dificuldade, como as pessoas idosas, as pessoas com deficiência e as pessoas com mobilidade reduzida”, garantindo que a “segurança continua a ser uma prioridade para a empresa”.
“Para nós, a resposta passa por haver locais de estacionamento fora dos passeios e bem assinalados. As operadoras suportam hoje todos os custos da fiscalização, incluindo o reboque, as coimas e o armazenamento dos veículos. Propusemos que um investimento equivalente fosse canalizado para melhorar estas infraestruturas”.
A Bolt alerta ainda que as “trotinetes partilhadas fazem parte do dia a dia de muitos lisboetas. Em 2025, 78% das viagens foram feitas por residentes, sobretudo em percursos de primeira e última milha e na ligação aos transportes públicos. Retirá-las da cidade reduz as opções de mobilidade acessíveis, económicas e sustentáveis para quem vive em Lisboa”.
O vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Gonçalo Reis, justificou em entrevista ao Jornal Económico que a suspensão do sistema de trotinetes partilhadas está relacionada com a “desorganização do espaço público, o aumento dos acidentes e os riscos para os peões, em particular para pessoas com mobilidade reduzida, idosos e crianças”.
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