Torso imperial romano vendido por 34,3 milhões de dólares estabelece recorde mundial
Um torso monumental de um imperador romano foi vendido por 34,3 milhões de dólares (cerca de 30,5 milhões de euros) num leilão da Sotheby’s, em Nova Iorque, estabelecendo um novo recorde mundial para uma antiguidade romana. Segundo o comunicado divulgado pela leiloeira, a venda resultou de uma disputa de quase 14 minutos entre cinco licitadores e superou largamente a estimativa máxima inicial de 12 milhões de dólares (cerca de 10,7 milhões de euros).
A sessão noturna Magnum Opus, realizada a 21 de outubro, arrecadou 63 milhões de dólares (cerca de 56,1 milhões de euros), ultrapassando a estimativa máxima de 47,6 milhões de dólares (cerca de 42,4 milhões de euros). De acordo com a Sotheby’s, todos os lotes foram vendidos.
A escultura em mármore, atribuída a um imperador romano da dinastia júlio-claudiana e datada da primeira metade do século I, é apresentada pela leiloeira como uma das mais importantes peças de escultura imperial romana a chegar a leilão em mais de uma década. O comunicado destaca o seu estado de conservação e o facto de a obra estar documentada em publicações desde 1926. Entre as peças com características comparáveis, a Sotheby’s aponta esculturas conservadas nos Museus do Vaticano e no Museu Arqueológico de Zagreb.
A origem da pedra e o provável destino da escultura ajudam a enquadrar a sua história. Segundo o jornal Público, o mármore utilizado provém da ilha grega de Paros, conhecida desde a Antiguidade pela qualidade desta matéria-prima. A peça terá sido destinada a Salona, antiga cidade romana da Dalmácia, situada perto da atual Split, na Croácia. Apesar dessa ligação à costa adriática, os especialistas admitem que a escultura possa ter sido executada em Roma, por artistas gregos que mantinham viva a tradição escultórica helénica na capital do Império.
O leilão reuniu obras de diferentes épocas e categorias, desde a Antiguidade romana à pintura dos antigos mestres, passando por tapeçarias islâmicas, mobiliário real francês e arte moderna. A sessão assinalou o início da venda da coleção Magnum Opus, reunida por um único proprietário.
cortesia da Sothebys
Canaletto e Meléndez entre os destaques
Entre os restantes lotes, uma pintura de Canaletto, Veneza, vista do Grande Canal em direção a nascente com Santa Maria della Salute, foi vendida por 6,2 milhões de dólares (cerca de 5,5 milhões de euros). Segundo a Sotheby’s, a obra, datada de aproximadamente 1740, passou mais de seis décadas nas coleções do Minneapolis Institute of Art e do Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque.
Já a natureza-morta Natureza-morta com laranjas, frutos secos e especiarias, caixas de doces, um jarro e um barril, do pintor espanhol Luis Meléndez, alcançou cinco milhões de dólares (cerca de 4,4 milhões de euros), de acordo com os resultados divulgados pela leiloeira.
Outro destaque foi um retrato feminino romano em mármore, do período de Augusto, vendido por 2,5 milhões de dólares (cerca de 2,2 milhões de euros). O comunicado recorda que a mesma peça tinha estabelecido um recorde de leilão para um retrato feminino em mármore da Antiguidade clássica, quando foi vendida pela Sotheby’s em 2014, tendo agora superado a sua própria marca.
A paisagem Vista de Haarlem a partir de noroeste, de Jacob van Ruisdael, também atingiu 2,5 milhões de dólares (cerca de 2,2 milhões de euros). Segundo a leiloeira, a pintura esteve anteriormente cedida por empréstimo de longa duração ao Metropolitan Museum of Art e, mais recentemente, à National Gallery, em Londres.
Colecionadores de 35 países participaram no leilão
A participação internacional foi outro dos dados destacados pela Sotheby’s. De acordo com o comunicado, estiveram representados compradores de 35 países, com atividade proveniente da Europa, dos Estados Unidos e da Ásia. Quase 20% dos participantes tinham menos de 40 anos.
Entre as restantes vendas, um par de cadeirões atribuídos a Georges Jacob, associados à corte francesa de Luís XVI e ao círculo de Maria Antonieta, atingiu 768 mil dólares (cerca de 683 mil euros). Já um fragmento de uma tapeçaria real francesa do período de Luís XIV foi vendido por 217.600 dólares (cerca de 194 mil euros).
A coleção Magnum Opus deverá continuar a ser apresentada em Nova Iorque e Paris até 2027. Segundo a Sotheby’s, o projeto abrange mais de 900 obras, distribuídas por 26 leilões. As sessões de 22 e 23 de outubro incluíram mais de 600 peças adicionais, dedicadas a diferentes temas artísticos.
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