Poupar é ganhar independência. Talvez seja o investimento mais importante
Todos os anos, o Dia Mundial da Poupança lembra-nos que devemos gastar menos do que ganhamos. Apesar de parecer uma evidência básica, numa sociedade em que somos constantemente incentivados a consumir, poupar tornou-se um exercício de disciplina, muitas vezes difícil de concretizar.
Historicamente, a poupança sempre foi encarada como uma virtude individual. Quem não consegue juntar dinheiro deverá aprender a gerir melhor o seu orçamento, reduzir despesas e fazer escolhas mais responsáveis. Embora verdadeira, esta explicação é insuficiente. Para muitas famílias, não basta querer poupar, é necessário que tenham rendimento que lhes permita fazê-lo.
Quando a grande maioria do salário desaparece na habitação, na alimentação, na energia, nos transportes e nas despesas escolares dos filhos, normalmente nada sobra para guardar. Com o custo de vida atual e com rendimentos tão limitados, não se pode pedir a muitos dos portugueses que constituam uma reserva financeira.
Ainda assim, poupar é importante. Não apenas porque permite enfrentar despesas inesperadas, mas porque cria margem de escolha. Algum dinheiro guardado pode significar não ter de recorrer a um crédito, suportar um período de desemprego ou ter liberdade para mudar de atividade profissional, investir numa formação ou simplesmente dormir mais descansado. Assim, poupar é uma forma de ganhar liberdade e de viver com maior segurança; pode evitar que um problema temporário se transforme num pesadelo.
Mas, talvez, exista a necessidade de mudar a forma como falamos de poupança. Não se trata de medir o sucesso pelo volume da conta bancária, nem de nos privarmos de tudo aquilo de que gostamos. Trata-se de distinguir o que realmente precisamos e que nos melhora a qualidade de vida, daquilo que é supérfluo e que nenhum benefício nos traz.
O Dia Mundial da Poupança tem vindo a permitir (e bem!), que se discuta literacia financeira. Deveria servir, também, para discutir salários, o custo da habitação, o crédito ao consumo e a capacidade das famílias de construírem um futuro sustentável.
Poupar não deve ser apenas uma responsabilidade individual. Uma sociedade que pretende que os seus cidadãos planeiem o futuro, tem também que lhes dar condições para o fazer.
Em síntese, poupar não é apenas guardar dinheiro. É comprar segurança, tranquilidade e independência. E, numa época de tantos conflitos e incertezas, talvez não haja investimento mais importante!
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