KPMG Portugal apoia projeto europeu de 3,8 milhões para desenvolver batata e arroz resistentes ao clima
A KPMG Portugal apoiou a instituição alemã Fraunhofer IME na estruturação do projeto europeu Biocraft e na obtenção de financiamento para desenvolver novas variedades de batata e arroz mais resistentes às alterações climáticas, num projeto que conta com 3,8 milhões de euros de apoio comunitário.
O projeto é coordenado pela Fraunhofer IME, da Alemanha, à qual foram atribuídos cerca de 1,4 milhões de euros do financiamento total. A KPMG Portugal integra igualmente o consórcio, com uma dotação de 200 mil euros, enquanto a SGS Portugal dispõe de cerca de 397 mil euros, perfazendo um financiamento conjunto próximo de 600 mil euros para as duas entidades portuguesas.
O apoio foi concedido através do instrumento EIC Pathfinder Challenges, do Conselho Europeu de Inovação, integrado no programa Horizonte Europa. O Biocraft foi um dos 30 projetos selecionados entre 647 propostas elegíveis apresentadas ao concurso de 2025.
Segundo a KPMG Portugal, a investigação irá centrar-se no desenvolvimento de variedades de batata resistentes à seca, ao calor e ao míldio, e de variedades de arroz capazes de suportar condições de seca, salinidade e piriculariose.
O objetivo passa por criar plantas mais adaptadas aos impactos das alterações climáticas, aumentando a produtividade, a qualidade nutricional e a eficiência na utilização de recursos.
Para atingir esses resultados, o consórcio vai combinar técnicas de melhoramento e edição genética, inteligência artificial aplicada à avaliação das plantas, tecnologias de monitorização e estudos sobre os microrganismos do solo. Numa primeira fase, as soluções serão desenvolvidas e validadas em laboratório.
Citada em comunicado, a partner de R&D&I Grants and Incentives da KPMG Portugal, Maria do Céu Carvalho, considerou que “as alterações climáticas colocam desafios cada vez mais significativos à produção agrícola e à resiliência das cadeias de abastecimento alimentar”.
“O Biocraft representa uma oportunidade para aproximar a investigação científica, a inovação tecnológica e as necessidades do mercado, contribuindo para soluções que reforcem a segurança alimentar e promovam uma bioeconomia mais sustentável na Europa”, acrescentou.
Além do desenvolvimento de culturas agrícolas resilientes, o projeto prevê explorar a utilização de plantas como biofábricas para a produção de biomoléculas de elevado valor acrescentado, com potenciais aplicações nos setores alimentar e biomédico.
A investigação incluirá ainda a análise de aspetos ambientais, regulatórios e sociais associados a estas tecnologias, com vista à sua futura adoção na Europa.
Por sua vez, o Digital & Innovation Manager da SGS Portugal, António Ferreira Dias, explicou que a empresa lidera a caracterização do microbioma do solo através de técnicas de sequenciação genética, com o objetivo de identificar microrganismos associados às novas variedades de arroz e batata e avaliar o seu potencial para promover o crescimento das plantas.
Segundo o responsável, a SGS contribui também para assegurar que as soluções desenvolvidas respondem aos desafios científicos e tecnológicos, tendo em conta os requisitos regulatórios, ambientais e de mercado, de forma a apoiar a validação e futura adoção das inovações.
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