Demoporto lança esclarecimento, face às críticas dos pilotos do CPR
Durante o Rally Six Cities North of Portugal, última jornada do ERC e penúltima do Campeonato de Portugal de Ralis, ouviram-se muitas críticas dos pilotos nacionais. Os que apenas se inscreveram no CPR foram para a estrada depois de toda a caravana do ERC, o que motivou um coro de críticas, todas elas no mesmo tom. O Demoporto lançou agora um esclarecimento.
Durante o acompanhamento da prova, o AutoSport foi dando conta do descontentamento dos pilotos do CPR. Logo no reagrupamento de Cabeceiras de Basto, no sábado, Pedro Meireles e Ricardo Teodósio mostraram o seu desagrado por serem os últimos na estrada, apanhando, por isso, os troços já muito danificados. O coro de críticas intensificou-se no final do dia, com os pilotos a chegarem a Fafe já noite dentro, depois de fazerem a última classificativa sem luz do sol e com visibilidade reduzida.
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José Pedro Fontes, apesar dos elogios ao Demoporto, manifestou o desagrado pela situação em que, tanto ele como os seus adversários que não se inscreveram no ERC se encontravam:
“Acho muito bem que se organize uma prova do Europeu, mas, pela maneira como estamos a ser tratados, há desigualdade: quem paga mais vai mais à frente, quem paga menos vai atrás. E os valores para ir mais à frente não são comportáveis para um campeonato nacional. Portanto, temos todos de pensar. Acho que um país que não trata os seus bem e com dignidade é um país sem futuro. O que aqui se vê é, no fundo, uma falta de respeito por todas as marcas, equipas, patrocinadores e pilotos que investem no CPR. E uma profunda falta de respeito também por todos os outros organizadores de provas de ralis, que se esforçam muito para estar no CPR ou que gostavam muito de estar e não têm essa oportunidade.“ [Ler AQUI]
Ricardo Teodósio adotou o mesmo discurso:
“Não foi um dia nada bom. Começando pelo facto de termos ficado mais para trás na ordem de partida por não nos termos inscrito no Europeu. Partimos atrás dos carros de duas rodas motrizes, cinco minutos depois do último carro. Essa parte eu entendo, por uma questão de segurança e para não apanharmos o pó do carro da frente. Mas depois apanhámos troços péssimos. Além disso, acabámos de noite, o que não tem lógica nenhuma. O reagrupamento durante o dia, que durou entre uma hora e uma hora e meia, podia perfeitamente ter sido resolvido em dez minutos. O CPR parece não fazer parte do resto do evento. Sinceramente, mais valia esta prova não contar para o CPR.”[Ler AQUI]
Pedro Meireles concordou com os colegas e adversários:
“Acho que esta é uma situação a rever, porque não há verdade desportiva neste aspeto, no que toca ao CPR. Acho que, nestas condições, o CPR não ganha nada em vir a este rali. É uma questão de organização. Quando se candidata o rali ao Europeu, deve impor-se que os pilotos do Campeonato Nacional integrem a comitiva. Se assim não for, acho que não faz sentido o rali fazer parte do Campeonato Nacional. Relembro que toda a gente era contra o Rali de Portugal, mas nós, no Rali de Portugal, pagávamos uma inscrição perfeitamente normal e íamos no meio dos WRC2. Portanto, não sei por que razão aqui não podemos ir” [Ler AQUI].
O descontentamento ainda subiu de tom quando o Team Hyundai Portugal abandonou a prova e manifestou o seu “profundo descontentamento” com as condições de prova a que os concorrentes do CPR estavam sujeitos. A equipa decidiu não regressar à competição em regime de Super Rali, apesar de reunir condições para tal, em sinal de protesto contra o que considera uma “desconsideração” pelo investimento e esforço dos participantes no CPR [Ler AQUI].
O esclarecimento do Demoporto
Face a este descontentamento, o AutoSport tentou falar com o Demoporto, que remeteu a sua resposta para uma comunicação após o rali, agora lançada. Nesta comunicação é explicado que a regulamentação FIA se sobrepõe a regulamentação da FPAK e que as inscrições são pagas à FIA, além de explicar o que cada opção de inscrição permite. Mais ainda, é referido o WRC e o ERC, apesar de terem o mesmo promotor, regem-se por legislações diferentes, o que explicará a diferença de tratamento que os pilotos se queixaram quando compararam a prova do WRC em Portugal, com a do ERC. O Demoporto tentou mudar esta regra junto da FIA, para poder ser aplicado um padrão semelhante ao que é usado no WRC, sem sucesso.
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Fica o esclarecimento na integra:
O Demoporto – Clube de Desportos Motorizados do Porto, enquanto entidade organizadora do Rally 6 Cities North of Portugal, vem por este meio esclarecer o seguinte:
O Campeonato Europeu de Ralis é um evento organizado sob a égide da Federação Internacional do Automóvel (FIA) e gerido por um promotor (WRC Promoter) que tutela o ERC (Campeonato da Europa de Ralis) e o WRC (Campeonato do Mundo de Ralis), entre outras competições. Nestas circunstâncias, a regulamentação FIA sobrepõe-se à da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK).
O ERC tem uma taxa de inscrição no campeonato fixada para as diferentes categorias de veículos, RC2 e RGT, RC3 e RC4 ou RC5, como refere o regulamento do FIA European Rally Championship. O valor dessa taxa é pago diretamente à FIA.
Quando uma prova como o Rally 6 Cities North of Portugal faz parte do calendário de um campeonato da FIA, como o ERC, qualquer equipa que deseje participar tem três opções distintas:
1) Paga a inscrição no campeonato ERC à FIA e a inscrição da prova ao clube organizador, tendo direito de aceder à Qualifying Stage e obtendo uma posição na ordem de partida de acordo com o seu palmarés, resultados do piloto e classificação no próprio campeonato ERC.
2) Não paga a inscrição no campeonato ERC à FIA, e paga uma inscrição ao clube organizador na prova FIA, correndo na “caravana do ERC”. Não tem acesso à Qualifying Stage e a sua ordem de partida será depois de todos os inscritos naquele campeonato.
3) Não paga a inscrição à FIA e paga uma inscrição ao clube organizador na prova do CPR, correndo na “caravana do CPR” que habitualmente parte 5 minutos após o último carro do ERC.
No decurso do Rally 6 Cities North of Portugal, a propósito da ordem de partida dos diferentes pilotos participantes, foram feitas comparações entre as provas do WRC e do ERC. São ambos campeonatos disputados sob a supervisão da FIA e geridos pelo mesmo promotor (WRC Promoter), mas distintos no que respeita à sua legislação. No caso do ERC, rege-se pelo RRSR (Regional Rally Sporting Regulation) e no caso do WRC pelo FWSR (FIA WRC Sporting Regulations).
O Demoporto sempre se mostrou disponível, como já fez no passado e, inclusive, antes desta edição 2026, embora sem sucesso, a diligenciar junto da FIA para que esta regra possa ser alterada no futuro, de modo a estabelecer um padrão semelhante ao que está definido no WRC.
Por fim, recorde-se que qualquer alteração à regulamentação em vigor tem que ser proposta à Comissão de Ralis da FIA e receber a sua “luz verde” para, posteriormente, ser aprovada no Conselho Mundial da mesma entidade.
Foto: Zoom Motorsport
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