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Mbappé leva televisão estatal chinesa a suspender transmissão da La Liga

Mbappé leva televisão estatal chinesa a suspender transmissão da La Liga

A televisão estatal chinesa CCTV suspendeu, desde segunda-feira, as transmissões de jogos da Liga espanhola de futebol, após declarações do avançado do Real Madrid Kylian Mbappé sobre uma imagem humorística que o compara a Mao Zedong.
Segundo noticiou hoje o órgão de comunicação social chinês The Paper, que cita fontes ligadas à estação pública, a medida entrou em vigor na noite de segunda-feira e inclui também a retirada de todos os anúncios e vídeos protagonizados pelo futebolista francês.
A decisão junta-se às anunciadas hoje por várias empresas chinesas, incluindo o grupo de bebidas Dongpeng e as empresas de laticínios Mengniu e Milkground, que comunicaram o fim da cooperação comercial com Mbappé, manifestando rejeição por comportamentos que firam os sentimentos do povo chinês.
A Dongpeng Beverage Group, através da sua conta oficial e da marca Bu Shui La, divulgou comunicados na rede social chinesa Weibo, semelhante à plataforma X, bloqueada na China, nos quais anunciou a rutura imediata das relações comerciais com o jogador, invocando uma política de “tolerância zero perante comportamentos que firam os sentimentos nacionais”.
A Mengniu e a Milkground também confirmaram o fim dos respetivos acordos comerciais com o avançado francês, embora nenhuma das empresas tenha especificado, nos comunicados, o incidente concreto que motivou a decisão.
Nos últimos meses, anúncios protagonizados por Mbappé a promover as bebidas da marca Bu Shui La surgiram frequentemente em paragens de autocarro, veículos de transporte público e elevadores de cidades chinesas, sobretudo durante o Mundial de futebol de 2026.
A Mengniu, um dos principais grupos de laticínios da China, tem uma presença significativa no patrocínio desportivo internacional, com acordos associados ao Mundial, ao Comité Olímpico Internacional (COI) e ao futebolista argentino Lionel Messi, enquanto a Milkground também utilizava a imagem de Mbappé nas suas campanhas publicitárias.
A plataforma chinesa Xiaohongshu, conhecida internacionalmente como RedNote, informou hoje que a colaboração com Mbappé terminou em 31 de dezembro de 2024, com o fim do contrato, e anunciou que está a rever e retirar conteúdos relacionados com o jogador.
A polémica começou depois de Mbappé ter sido questionado, numa entrevista recente, sobre a sua imagem humorística favorita na Internet, conhecida como ‘meme’.
“Aquela com que mais me ri foi uma em que usam a minha cara num ditador chinês. Uso-a muito com os meus amigos”, afirmou o jogador.
Embora o futebolista não tenha mencionado especificamente qualquer dirigente, nos últimos meses tornou-se popular nas redes sociais uma montagem que sobrepõe o seu rosto a um retrato de Mao Zedong, fundador da República Popular da China.
Na China, as sátiras dirigidas a antigos líderes e figuras históricas associadas ao Partido Comunista Chinês (PCC) podem ser punidas ao abrigo da legislação que criminaliza a “difamação de heróis e mártires”, num contexto de forte censura de conteúdos políticos.
A controvérsia junta-se a outros episódios recentes envolvendo clubes do futebol espanhol na China.
Em setembro, órgãos de comunicação social oficiais chineses criticaram o Real Madrid após a publicação de uma mensagem que mencionava conjuntamente o Nepal e a região chinesa do Tibete, na sequência de inundações, uma formulação considerada “incorreta” pela imprensa local.
Em abril, o FC Barcelona pediu desculpa após a divulgação de uma imagem com a bandeira de Taiwan numa página associada à sua academia internacional.
Já em fevereiro, o Real Madrid divulgou um pedido de desculpas atribuído ao defesa Dean Huijsen, após o jogador ter republicado no Instagram um conteúdo considerado racista e ofensivo para os cidadãos asiáticos.

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