Meme de Mao. Mbappé virou questão de Estado na China e já pediu desculpa
Um simples comentário de Kylian Mbappé tornou-se numa questão de Estado na China. O avançado do Real Madrid admitiu, em tom de brincadeira, que se diverte com memes que o comparam a Mao Zedong, fundador da República Popular da China. A declaração rapidamente gerou polémica no país asiático, levando várias marcas a romper contratos publicitários com o jogador francês.
“Aquela com que mais me ri foi uma em que usam a minha cara num ditador chinês. Uso-a muito com os meus amigos”, afirmou Mbappé, num vídeo partilhado pelo The Bridge, um talkshow francês transmitido no YouTube e em plataformas de streaming como o Disney+.
Entretanto, e tendo em conta a repercussão das suas palavras, o craque do Real Madrid apresentou um pedido de desculpas formal à comunidade chinesa, em comunicado.
“Durante uma entrevista recente, reagi a uma imagem minha. Esse comentário foi desajustado e compreendo agora que feriu muitas pessoas na China e na comunidade chinesa em todo o mundo. Apresento as minhas sinceras desculpas a todos aqueles cujas palavras feri. Não era de todo a minha intenção. Tenho um profundo respeito pelo povo chinês e pela sua história, e lamento sinceramente”, afirmou.
Memes já eram virais
Estes memes já eram virais há bastante tempo e serviam, sobretudo, para os adeptos satirizarem o futebolista francês, mas ganharam uma nova dimensão depois da ‘confissão’ de Mbappé, contando agora com um impacto financeiro significativo.
A empresa Dongpeng Beverage Group confirmou, já nesta terça-feira, em comunicado emitido na rede social chinesa Weibo, a rutura imediata das relações comerciais com o jogador, pese embora sem nomear especificamente os acontecimentos que originaram esta radical decisão.
“A nossa empresa opõe-se firmemente a qualquer comportamento que fira os sentimentos nacionais e aplica uma política de tolerância zero a este respeito. Pomos termo, com efeitos imediatos, a toda a colaboração com Kylian Mbappé”, anunciou a Dongpeng, gigante do setor das bebidas, num comunicado que conta com 430 milhões de visualizações na Weibo, de acordo com a AFP.
🇫🇷 Kylian Mbappé avoue qu’il rigole en voyant les memes qui le représentent en… dictateur. @Thebridge_show #Mbappé #Football #Memes #France https://t.co/MXgKh8Hjjq
— Que Du Foot (@Que_Du_Football) October 26, 2026
Seguiram-se, posteriormente, os boicotes da Mengniu, maior produtora de laticínios, e da Milkground, fabricante de queijos, que também anunciaram o fim da colaboração com Mbappé e manifestaram a rejeição de qualquer comportamento que fira os sentimentos do povo chinês – num discurso alinhado com a posição oficial tomada pela China.
Guo Jiakun, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, aproveitou uma conferência de imprensa regular, para reagir à controvérsia em torno de Mbappé e deixar um aviso ao jogador do Real Madrid: palavras e comportamentos que “firam os sentimentos do povo chinês serão rejeitados por todos os setores da sociedade”.
Nota, ainda, para a Xiaohongshu, plataforma chinesa conhecida internacionalmente como RedNote, que havia trabalhado com Mbappé até 31 de dezembro de 2024, que anunciou que iria retirar conteúdos relacionados com o jogador.
Transmissões da La Liga suspensas na China
As palavras de Mbappé também causaram ‘mossa’ nas transmissões da La Liga na China, que se encontram agora suspensas pela televisão estatal chinesa CCTV. O jornal chinês The Paper, que cita fontes ligadas à estação pública, avança também que os anúncios e vídeos protagonizados pelo craque francês não serão mais exibidos.
Esta decisão ganha maior peso tendo em consideração que o rosto de Mbappé era presença assídua pelas ruas das principais cidades chinesas, surgindo em spots publicitários da marca de bebidas Bu Shui La, localizados em paragens de autocarro, transportes públicos e elevadores.
© Getty Images
Entretanto, Javier Tebas, presidente da La Liga, já reagiu à decisão drástica da CCTV, lamentando que o comentário de Mbappé tenham causado “mal-estar e ofensa” na China, e apresentando, desde logo, um “pedido de desculpas”.
Ao longo de muitos anos, construímos uma relação de respeito, confiança e cooperação com a China, as suas autoridades, as suas instituições desportivas, os seus operadores audiovisuais e milhões de adeptos do futebol espanhol.
“Não podemos permitir que uma atuação individual prejudique essa relação, nem que afete os mais de 20 clubes das nossas competições profissionais e os milhões de adeptos chineses. Estamos a adotar as medidas ao nosso alcance e a trabalhar diretamente com os nossos parceiros e interlocutores na China para ultrapassar esta situação”, garantiu Tebas, em comunicado.
Desde LALIGA lamentamos profundamente las declaraciones de Kylian Mbappé que han causado malestar y ofensa en China. Entendemos el daño ocasionado y, en nombre de LALIGA, quiero trasladar nuestras sinceras disculpas al pueblo chino. Durante muchos años hemos construido una relación de respeto, confianza y cooperación con China, sus autoridades, sus instituciones deportivas, sus operadores audiovisuales y millones de aficionados al fútbol español. No podemos permitir que una actuación individual empañe esa relación ni perjudique a los más de 20 clubes de nuestras competiciones profesionales y a millones de aficionados chinos. Estamos adoptando las medidas a nuestro alcance y trabajando directamente con nuestros socios e interlocutores en China para superar esta situación. Nuestro compromiso con China, su pueblo y sus instituciones es firme. Una relación construida durante tantos años no puede quedar dañada por un episodio individual.
— Javier Tebas Medrano (@Tebasjavier) October 27, 2026
Mbappé já tinha comentado memes em setembro
Apesar de a polémica ter estalado agora, Mbappé já havia sido confrontado com os memes que o comparavam a Mao Zedong, no passado mês de setembro.
“Há uma parte disso que é engraçada, mas há outra parte que é um pouco menos engraçada devido aos danos que essas pessoas causaram ao longo da história”, afirmava o avançado gaulês, em entrevista ao L’Équipe.
Quem era, afinal, Mao Zedong?
Mao Zedong foi o fundador da República Popular da China e o principal dirigente do regime totalitário entre 1949 e 1976, data da sua morte. Segundo a Oxford Bibliographies, o seu governo ficou marcado por campanhas políticas e económicas que provocaram milhões de mortes, nomeadamente devido à fome associada ao Grande Salto em Frente e à repressão durante a Revolução Cultural.
© Getty Images
Dongpeng rompe contrato com Mbappé após comentários sobre meme de Zedong
A empresa chinesa Dongpeng anunciou o fim da colaboração com Kylian Mbappé após o jogador ter admitido que se diverte com imagens humorísticas que o comparam a Mao Zedong.
Lusa | 06:17 – 27/10/2026
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