A carregar agora

Mais de 40% das seguradoras investem mais de 15% das carteiras em mercados privados, diz BlackRock

Mais de 40% das seguradoras investem mais de 15% das carteiras em mercados privados, diz BlackRock

Mais de 40% das seguradoras a nível mundial já alocam mais de 15% das suas carteiras de investimento aos mercados privados e 76% planeiam aumentar essa exposição nos próximos 12 meses, sobretudo através da dívida privada, segundo um estudo divulgado pela BlackRock.
O relatório anual da gestora de ativos, que vai na 15.ª edição, conclui que 92% das seguradoras inquiridas investem pelo menos 5% das suas carteiras em mercados privados, uma classe de ativos que ganhou peso nas estratégias de investimento do setor ao longo da última década.
A dívida privada é a principal aposta para novos investimentos, tendo sido identificada por 41% dos inquiridos como uma área em que pretendem aumentar as alocações. Cerca de 24% das seguradoras planeiam manter os níveis atuais de investimento em mercados privados, uma proporção superior à registada nos últimos três anos, quando a intenção de aumentar a exposição era mais generalizada.
O inquérito abrangeu 463 seguradoras de 31 mercados, que representam, em conjunto, mais de 24 biliões de dólares (24 trillion, na escala anglo-saxónica) em ativos investíveis.
Apesar da crescente aposta nos mercados privados, as seguradoras mantêm uma abordagem prudente ao risco. Cerca de 82% dos participantes pretendem conservar o perfil de risco atual. Entre estes, 57% consideram que não existem oportunidades suficientes para justificar um aumento do risco, mais 22 pontos percentuais do que em 2025, enquanto metade procura uma maior diversificação dentro do orçamento de risco existente.
A inflação continua a ser a principal preocupação macroeconómica para as estratégias de investimento, apontada por 62% dos inquiridos, mantendo-se ao nível do ano anterior. Em contrapartida, o receio de recessão diminuiu: apenas 18% identificam esse cenário como uma preocupação, face a 35% em 2025.
Quanto às perspetivas para a economia mundial, 61% das seguradoras antecipam uma aterragem suave nos próximos 12 meses, enquanto 24% não esperam uma desaceleração significativa e 9% preveem um cenário de estagflação.
As expectativas variam entre regiões. Na Europa, Médio Oriente e África, 75% dos participantes esperam uma aterragem suave, contra 63% na América do Norte, 47% na Ásia-Pacífico e 40% na América Latina.
O estudo identifica também uma maior dependência de parcerias externas na gestão de investimentos. Cerca de 84% das seguradoras adotam um modelo híbrido, que combina capacidades internas e externas, e 49% esperam aumentar a utilização de gestores externos nos próximos 12 meses.
No segmento da dívida privada, 74% planeiam recorrer a contas segregadas ou mandatos personalizados para aceder a estes ativos. Além disso, 82% das seguradoras afirmam manter parcerias externas em pelo menos duas funções empresariais, incluindo investimentos, disponibilização de capital, conceção de produtos e distribuição.
«Os mercados privados são uma componente estabelecida das estratégias de investimento das seguradoras, mas o compromisso estratégico não significa comprar indiscriminadamente», afirmou Charles Hatami, responsável global do Financial & Strategic Investors Group e co-responsável do Global Partners Office da BlackRock, citado no comunicado.
A inteligência artificial (IA) também está a ganhar espaço no setor, com 60% das seguradoras a indicarem pelo menos uma aplicação já implementada em escala ou integrada nos seus processos. A adoção, contudo, permanece desigual: 21% reportam aplicações consolidadas na subscrição e definição de preços, enquanto apenas 3% referem utilizações desse tipo na seleção de investimentos e na monitorização do crédito.
O inquérito foi realizado entre junho e setembro de 2026 e recolheu as perspetivas de responsáveis de seguradoras em 31 mercados.

Share this content:

Publicar comentário