Flávio Bolsonaro terá viajado para os EUA após ordem de Moraes para entregar passaportes
O senador brasileiro Flávio Bolsonaro terá viajado para os Estados Unidos depois de perder a segunda volta das eleições presidenciais de domingo e de não cumprir uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar os passaportes, segundo três fontes citadas pela Reuters.
Uma fonte próxima da família Bolsonaro confirmou à agência que o senador chegou aos Estados Unidos, mas não revelou o seu destino. A mesma fonte afirmou que a administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, concedeu asilo a Flávio Bolsonaro e à sua família próxima. Esta informação não foi confirmada de forma independente.
A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil e o advogado do senador não responderam de imediato aos pedidos de comentário da Reuters.
A alegada saída do país poderá agravar as tensões entre Washington e Brasília, numa altura em que o Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, acusa os Estados Unidos de colaborarem com a família Bolsonaro para a fazer regressar ao poder.
Na segunda-feira, Flávio Bolsonaro recebeu um prazo de 24 horas para entregar os passaportes, no âmbito de uma investigação por alegado branqueamento de capitais, na qual nega qualquer irregularidade. Segundo duas fontes citadas pela Reuters, os documentos foram cancelados depois de o prazo ter terminado.
O senador tinha rejeitado a possibilidade de abandonar o Brasil. “Nunca pensei em sair do país”, afirmou na segunda-feira, acrescentando que entregaria os passaportes e se defenderia do que classificou como uma tentativa de intimidação.
Um responsável sénior da Polícia Federal brasileira disse à Reuters que Flávio Bolsonaro não tinha saído do país através de um posto migratório regular. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou à CNN Brasil não ter confirmação da Polícia Federal ou de outros organismos de fiscalização sobre a saída do senador.
Flávio Bolsonaro, que deverá perder a imunidade parlamentar quando terminar o seu mandato no Senado, em fevereiro, ainda não reconheceu formalmente a derrota eleitoral. No domingo, anunciou que procuraria a anulação dos resultados, alegando irregularidades na votação. Na segunda-feira, porém, o Partido Liberal, a que pertence, reconheceu a vitória de Lula.
O resultado eleitoral foi uma surpresa, uma vez que Flávio Bolsonaro era apontado como favorito à vitória. Donald Trump não comentou diretamente a alegada saída do senador, mas afirmou na segunda-feira que a votação no Brasil “parecia mais uma eleição manipulada”.
A situação recorda a do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que viajou para os Estados Unidos depois de perder as eleições de 2022 para Lula e de não reconhecer inicialmente a derrota. Regressou posteriormente ao Brasil e foi condenado a 27 anos de prisão por envolvimento numa conspiração para dar um golpe de Estado, na sequência da invasão de edifícios governamentais em Brasília por apoiantes seus.
Eduardo Bolsonaro, irmão mais novo de Flávio e residente nos Estados Unidos, tinha defendido publicamente que o senador abandonasse o país caso perdesse as eleições.
Separadamente, o investidor e antigo secretário de Turismo do México Simón Levy afirmou numa publicação nas redes sociais, divulgada na terça-feira, que a chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos teria sido organizada com a intervenção do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Essa alegação não foi confirmada.
Um deputado federal do seu partido, disse também que “está confirmado que Flávio Bolsonaro, não se sabe pela Argentina ou pela Venezuela, pegou um voo e está indo se exilar nos Estados Unidos”, informou Maurico Marcon do Partido Liberal (PL) do Rio Grande do Sul.
Na publicação nas redes sociais, Mauricio Marcon compara a saída de Flávio do Brasil a de Maria Corina Machado “quando fugiu da ditadura de Nicolás Maduro na Venezuela”, após as eleições gerais de 2025 no país vizinho.
“Flávio Bolsonaro, o candidato derrotado nas eleições, também busca exílio em outro país”, escreveu o deputado.
A imprensa brasileira também noticiou que aliados e pessoas próximas do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro confirmaram que ele deixou o Brasil com a mulher e as duas filhas, e o mesmo relatou a agência Reuters, citando duas fontes próximas do senador.
A confirmar-se, a fuga ocorre um dia depois de Bolsorano ter sido intimado pela Polícia Federal, por ordem do juiz brasileiro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, próximo de Lula, a entregar todos os passaportes que possui no prazo de 24 horas, o que este não fez, além da proibição de deixar o Brasil.
Mauricio Marcon também criticou o juiz Alexandre de Moraes ao dizer que o magistrado apenas esperou acabar as eleições para proferir uma decisão contra o senador.
“Flávio Bolsonaro está a caminho dos Estados Unidos, onde irá denunciar o regime que é imposto pelo Lula e Xandão [Alexandre de Moraes] e toda essa turma contra o povo brasileiro”, escreveu, ao pedir a destituição do magistrado.
Flávio Bolsonaro terá supostamente deixado o Brasil na noite de segunda-feira rumo à Argentina para seguir viagem para os Estados Unidos, num voo privado, tinha já noticiado antes o portal de notícias argentino Infobae.
A autoridade nacional de migração da Argentina afirmou, não ter registado a entrada de Flávio Bolsonaro no país.
A Polícia Federal brasileira contactou hoje as autoridades da Argentina devido ao risco de fuga do senador e monitorou as áreas de fronteira, disseram à Lusa fontes oficiais.
Flávio não passou por nenhum ponto regular de migração brasileira, indicaram, por sua vez, as autoridades brasileiras.
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