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Hello Kitty apanhada na guerra diplomática entre Japão e China

Hello Kitty apanhada na guerra diplomática entre Japão e China

A gatinha mais famosa do mundo ficou no meio de uma disputa diplomática entre Japão e China. A Sanrio, empresa japonesa que detém a Hello Kitty, cancelou uma parceria comercial com a série de espionagem VIVANT, depois de uma onda de críticas na China, noticia a Reuters.
A polémica envolve a segunda temporada da série, exibida pelo canal japonês TBS e estreada em julho de 2026. A produção inclui cenas em que agentes de uma organização fictícia de informações chinesa torturam espiões japoneses. Os meios de comunicação estatais chineses acusaram a série de distorcer a História, alegando que os métodos de tortura retratados evocam atrocidades cometidas pelas tropas japonesas durante a Segunda Guerra Mundial contra a população chinesa, segundo o The Guardian e o South China Morning Post.
O caso chegou à Hello Kitty porque a Sanrio lançou peluches da personagem e de outras figuras da marca vestidos como espiões de VIVANT. Perante a indignação nas redes sociais e as críticas dos meios de comunicação chineses, a subsidiária da empresa na China pediu desculpa e anunciou o cancelamento da colaboração e das futuras campanhas promocionais, segundo a AFP e a Reuters.
A produtora da série defende que se trata de ficção e que não pretende denegrir nenhum país. A Sanrio, por seu lado, considerou que a parceria continha elementos incompatíveis com a sua filosofia empresarial, assente na harmonia e na amizade.
A decisão tem também uma explicação comercial: a China é um mercado importante para a marca. No primeiro trimestre, a Sanrio registou naquele país vendas de 9,8 mil milhões de ienes (cerca de 62 milhões de dólares), um crescimento de quase 25% face ao período homólogo, segundo a Reuters.
Num momento em que as relações entre Pequim e Tóquio estão particularmente tensas, até os peluches se tornaram assunto de Estado. A Hello Kitty, que nasceu para espalhar simpatia, acabou envolvida numa guerra em que o laço cor-de-rosa não parece ser suficiente para apaziguar os ânimos.
No meio de uma disputa que envolve espionagem, memória histórica e diplomacia, a gatinha de laço cor-de-rosa acabou por ficar sem missão. E, desta vez, não foi preciso nenhum espião para descobrir que a política também pode estragar o negócio dos peluches.
 

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