A carregar agora

BCE mantém juros inalterados com o foco colocado na saída prematura de Lagarde

BCE mantém juros inalterados com o foco colocado na saída prematura de Lagarde

Com a atenção mediática virada para a saída prematura de Christine Lagarde da presidência do Banco Central Europeu (BCE), o Conselho de Governadores optou por deixar as taxas de referência da moeda única inalteradas entre 2,5% e 2,65%, um desfecho largamente esperado pelos mercados.
Investidores e analistas estavam a atribuir uma probabilidade superior a 95% a uma reunião sem novidades do lado dos juros na véspera da decisão, pelo que a sua expectativa foi correspondida. A atenção do mercado já se virava assim para o futuro da política monetária, a tensão nos juros franceses e a permanência da presidente até final do mandato, sendo que Lagarde se antecipou e anunciou, via BCE, a sua saída a 7 de fevereiro horas antes do fim da reunião de política monetária.
Após meses de especulação, o abandono da presidente é confirmado e numa altura em que os governos francês e alemão enfrentam um forte descontentamento e pressão interna. No caso francês, as eleições marcadas para abril de 2027 deverão mesmo dar a vitória à extrema-direita, pelo que a saída de Lagarde em fevereiro permite aos atuais líderes do eixo franco-alemão terem voz ativa na sucessão da banqueira.
Por outro lado, com a inflação persistentemente acima do objetivo e as guerras no Golfo Pérsico e na Ucrânia a condicionarem a oferta energética, “este timing para o BCE está longe de ser o ideal”, considera Matthew Ryan, analista da Ebury.
A juntar à questão energética, o disparo nos juros soberanos coloca mais riscos ao sistema financeiro europeu, sobretudo no caso dos títulos franceses e olhando para o spread para as bunds alemãs.

Share this content:

Publicar comentário