Banco de Portugal formaliza acordo para novo edifício sede em Entrecampos que permite poupança de 35 milhões
O Banco de Portugal (BdP) e a Fidelidade formalizaram esta semana a alteração ao contrato-promessa de compra e venda para a futura sede do banco central em Entrecampos, que passa a incidir sobre o edifício A1 e os espaços comerciais adjacentes, que estão no A3, e que será destinado à construção de um auditório, em vez dos edifícios A2 e A3, previsto no contrato inicial. O BdP estima que a mudança permita poupar cerca de 35 milhões de euros face ao projeto anterior.
Isto porque, o projeto inicial (aprovado no mandato de Mário Centeno, contrato-promessa com a Fidelidade em maio de 2025), previa a aquisição dos edifícios A2 e A3 por cerca de 192 milhões de euros (core & shell), para uma área bruta de construção aproximada de 32.000 m². Ao passo que o projeto revisto (anunciado em julho de 2026 pelo governador Álvaro Santos Pereira) – que passa pela alteração para o edifício A1 + auditório adjacente ao edifício A3 – tem um preço de investimento de 165,09 milhões de euros para uma área bruta de construção de 27.000 m².
A redução de cerca de 27 milhões de euros no preço de aquisição acompanha a diminuição de área. Mas o valor total do investimento estimado no novo projeto é de 225 milhões de euros o que traduz uma poupança estimada de 35 milhões, sublinhou o Banco de Portugal.
Isto porque aos 165,09 milhões acrescem outros custos, nomeadamente com a preparação técnica do imóvel para a instalação das equipas do BdP, que elevam o valor global de investimento estimado para 225 milhões de euros. Contas feitas, a poupança de 35 milhões resulta da comparação entre as duas soluções em termos equivalentes, depois de somados os restantes custos.
Os 225 milhões incluem já a preparação técnica. Parte significativa será financiada com o resultado da alienação de património imobiliário do banco central.
O sinal de cerca de 57 milhões de euros, equivalente a 30% do valor da versão anterior, foi mantido na nova versão do contrato.
O banco central estima poupanças operacionais anuais em cerca de 10 milhões de euros por ano face aos custos que têm hoje nos quatro edifícios, o que acresce à poupança estimada de 35 milhões de euros.
Em comunicado, o BdP indica que a alteração permite uma otimização do projeto em termos de localização, segurança e investimento, sem comprometer os objetivos traçados em 2025.
A concretização final da transação (entrega do edifício pela Fidelidade ao BdP) está prevista para o final do primeiro semestre de 2028, antes do fit-out (capacitação técnica). Depois o Banco procede à capacitação técnica do edifício e estima que a mudança para a nova sede seja feita até junho de 2030.
A área bruta de 27.000 metros quadrados não implica uma perda equivalente de espaço de escritório. Ao passar de duas torres para uma, o BdP deixa de duplicar núcleos de elevadores, escadas e áreas de circulação, pelo que a redução da área útil de escritórios será de cerca de metade da diferença de 5.000 metros quadrados.
O edifício A1 deverá acolher a totalidade dos trabalhadores de Lisboa, cerca de 1.400, atualmente dispersos por quatro localizações na capital. Ficam de fora o Museu do Dinheiro e os serviços de tesouraria e de atendimento ao público, que permanecem nas instalações da Baixa de Lisboa, cuja missão de aproximação à comunidade será, segundo o BdP, aprofundada.
O auditório será instalado nos espaços comerciais situados abaixo do edifício A3, entretanto adquiridos à Fidelidade. Ficará separado do A1, a poucos metros, com ligação por uma zona exterior coberta. Esta solução permite ceder o auditório a entidades externas sem afetar o perímetro de segurança do banco.
O BdP reitera que a concentração dos escritórios numa única localização permitirá reduzir custos operacionais em mais de 10 milhões de euros por ano, em linha com a opção inicial contratada. Esta poupança acresce à de 35 milhões de euros no investimento. Na prática, resulta sobretudo do fim das rendas dos edifícios da Castilho e da República e da redução dos custos de funcionamento, segurança, limpeza, manutenção e deslocações entre edifícios.
Na sequência do aditamento, o contrato mantém as condições essenciais acordadas em 2025, entre as quais a alteração do uso dos espaços comerciais, que depende da Câmara Municipal de Lisboa. Se não for aprovada, o BdP não fica obrigado a concretizar a compra.
Os serviços do BdP estão atualmente instalados, em regime de arrendamento, no edifício Álvaro Pais (antigo edifício Marconi), para onde se mudaram após deixarem o edifício da Almirante Reis. A mudança definitiva para Entrecampos está prevista para o primeiro semestre de 2030, depois da entrega do edifício, em 2028, e de cerca de dois anos de trabalhos de preparação técnica.
Em julho, o governador afirmou que a decisão de alterar o projeto foi tomada por unanimidade pelo Conselho de Administração. Álvaro Santos Pereira defendeu então que o projeto de Entrecampos é a melhor solução para o banco central, mas que era possível melhorá-lo face ao acordado na governação de Mário Centeno. Disse ainda que a mudança ajudaria a evitar custos desnecessários e ineficiências e a incentivar o trabalho em equipa.
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