Fundos Davidson Kempner e Afendis preparam venda da Cerealto, fornecedora da Mercadona, por 600 milhões
Os fundos Davidson Kempner e Afendis estão a estudar a venda da Cerealto, antiga Siro, no início de 2027, por uma avaliação de cerca de 600 milhões de euros, incluindo dívida. O grupo alimentar espanhol, que produz bolachas, cereais e snacks para marcas de distribuição, tem a Mercadona como principal cliente, responsável por cerca de metade da faturação.
A operação poderá avaliar o capital da empresa em cerca de 450 milhões de euros, aos quais acrescem aproximadamente 150 milhões de dívida financeira, segundo informação avançada pelo jornal espanhol Cinco Días. O processo ainda não foi formalmente lançado e os acionistas não contrataram um assessor financeiro para coordenar a venda.
A eventual alienação surge após quatro anos de reestruturação financeira, investimento industrial e expansão internacional. Davidson Kempner e Afendis assumiram o controlo da antiga Siro em junho de 2022, numa altura em que a empresa enfrentava dificuldades financeiras. De acordo com a informação financeira relativa ao final de 2025, o fundo norte-americano detém cerca de 75% do capital, enquanto a Afendis possui 1%. Os restantes 24% pertencem ao fundador da Siro, Juan Manuel González Serna.
A Cerealto fechou 2025 com uma faturação de 574 milhões de euros, mais 9,3% do que no ano anterior, e um EBITDA recorrente de 53 milhões de euros, um aumento de 12%. Apesar da melhoria operacional, registou prejuízos líquidos consolidados de 5,4 milhões de euros, associados sobretudo ao aumento dos custos financeiros e a efeitos fiscais.
As bolachas foram a principal fonte de receitas, com 249 milhões de euros de faturação. Os cereais de pequeno-almoço, as tortitas de arroz e milho e os snacks geraram, em conjunto, 243 milhões de euros, mais 19% do que em 2024.
Desde a entrada dos fundos, a empresa investiu mais de 153 milhões de euros na modernização das instalações, na eficiência produtiva e no desenvolvimento de novos produtos. Em março de 2026, concluiu ainda uma operação de financiamento de 110 milhões de euros com oito entidades, que permitiu reorganizar parte das suas obrigações, com novos vencimentos em 2031 e 2032.
A estratégia passou também pela saída de negócios considerados menos prioritários e pelo reforço da presença internacional. Em fevereiro de 2026, a Cerealto anunciou a venda da divisão de massas à portuguesa Cerealis, incluindo a fábrica de Venta de Baños dedicada a essa atividade. Em 2024, adquiriu a britânica Hill Biscuits e, em outubro de 2025, comprou 60% da norte-americana Fresca Holding, ligada ao negócio de snacks naturais e orgânicos.
O grupo conta atualmente com 11 centros de produção em Espanha, Portugal, Reino Unido, Estados Unidos e México, e emprega cerca de 3.900 trabalhadores. Para 2026, prevê investir 75 milhões de euros, sobretudo em projetos industriais em Espanha e nos Estados Unidos.
A relação com a Mercadona será um dos fatores relevantes para potenciais compradores, dada a concentração de cerca de 50% das vendas do fabricante na cadeia espanhola de supermercados. A eventual mudança de acionistas não implica, por si só, alterações nos contratos de fornecimento, não tendo sido anunciadas mudanças na atividade industrial, encerramentos de fábricas ou despedimentos relacionados com a possível venda.
Apesar de os acionistas apontarem para o início de 2027, a operação permanece numa fase preliminar. A avaliação de 600 milhões de euros poderá ainda sofrer alterações em função da evolução dos resultados, do interesse dos investidores e das condições de mercado.
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