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51% dos jovens já pensaram emigrar. Salários e habitação pesam na decisão

51% dos jovens já pensaram emigrar. Salários e habitação pesam na decisão

Emigrar está nos planos de mais de metade dos jovens portugueses, mas, para muitos, a ideia ainda não passou da fase da ponderação. Os salários mais elevados no estrangeiro, a qualidade de vida e o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal estão entre os principais motivos que alimentam essa vontade de partir. A dificuldade em encontrar condições de trabalho alinhadas com as expectativas começa, porém, muito antes, logo no processo de recrutamento.
Um estudo da Eurofirms, desenvolvido pela Netsonda e ponderado com base em dados do Eurostat, revela que 51% dos jovens entre os 18 e os 29 anos já ponderaram seriamente emigrar ou têm planos para trabalhar no estrangeiro. Ainda assim, apenas 10,5% definiram uma estratégia concreta de saída, enquanto 41% admitem ter pensado seriamente nessa possibilidade, mas sem terem tomado uma decisão.
Os dados mostram também que uma parte significativa continua a preferir ficar em Portugal: 34% dos inquiridos já consideraram emigrar, mas acabaram por optar por permanecer no país. Outros 14% nunca equacionaram sair.
Entre aqueles que já pensaram em trabalhar no estrangeiro, os salários mais elevados são o principal fator de atração, apontado por 67% dos jovens. A qualidade de vida e o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional surgem em segundo lugar, com 43%. O custo da habitação é referido por 18%, enquanto 12% mencionam o desejo de adquirir experiência internacional e 9% a falta de oportunidades na respetiva área profissional.
Mas a insatisfação não se resume ao nível salarial ou às perspetivas de vida fora de Portugal. A forma como as empresas recrutam e comunicam com os candidatos também está a contribuir para o afastamento dos jovens.
Segundo o estudo, 41% dos jovens empregados que procuram uma nova oportunidade identificam a falta de transparência sobre salários e condições de trabalho como uma das principais frustrações durante a procura de emprego. A ausência de informação e de feedback ao longo dos processos de recrutamento é igualmente apontada por quase metade dos jovens que procuram trabalho.
Para Lucília Queirós, National Leader da Eurofirms Portugal, a relação entre uma empresa e um potencial trabalhador começa a construir-se antes da contratação. A responsável considera que a clareza das condições oferecidas, a comunicação durante o recrutamento e a correspondência entre as expectativas criadas e a realidade da organização influenciam a atratividade de uma oportunidade e a decisão de permanecer.
A responsável considera, por isso, que a discussão sobre a Geração Z não deve partir da ideia de que os jovens têm menos compromisso com o trabalho, mas antes da necessidade de compreender as mudanças nas suas expectativas e na relação que estabelecem com as empresas.
Litoral Centro concentra maior intenção de saída
A vontade de emigrar não se distribui de forma uniforme pelo território nacional. O Litoral Centro é a região onde essa intenção assume maior expressão: 64,5% dos jovens ponderaram seriamente sair do país ou já têm planos para o fazer. No extremo oposto está o Grande Porto, onde a proporção desce para 32%.
Esta última região apresenta também o maior alinhamento entre formação académica e atividade profissional, com 81% dos jovens a trabalhar na área em que se formaram. Ainda assim, 64% têm uma perceção negativa do mercado de trabalho.
No Litoral Centro, pelo contrário, 43% dos jovens trabalham numa área diferente daquela para a qual estudaram, um dos valores mais elevados entre as seis regiões analisadas.
Na Grande Lisboa, 51% dos jovens já ponderaram seriamente emigrar ou têm planos para o fazer. A região destaca-se, contudo, pela proporção de inquiridos que já transformaram essa possibilidade numa decisão concreta: 15% têm planos firmes de saída, contra 6% no Grande Porto.
Também aqui a habitação assume particular importância. Na Grande Lisboa, 22% dos jovens que consideraram emigrar apontam o custo da habitação como uma das razões para essa possibilidade, enquanto 47% referem a qualidade de vida.
No Interior Norte, um em cada quatro jovens imagina-se a trabalhar noutra região portuguesa, mostrando que a mobilidade não implica necessariamente uma saída do país.
Já no Sul, 54,5% dos jovens ponderam seriamente emigrar, mas apenas 0,8% têm planos concretos para o fazer. A região apresenta ainda a perceção mais negativa do mercado de trabalho, com 70%, e o maior desajuste entre formação e emprego, que atinge 51%.
Para Lucília Queirós, os resultados demonstram que não existe uma resposta única para o desafio da retenção de talento. As empresas devem ter em conta as diferenças regionais e perceber quais os fatores que pesam na decisão dos jovens, desde as condições salariais ao desenvolvimento profissional, à flexibilidade e à qualidade de vida.
O estudo «A Geração Z e o Futuro do Trabalho» foi realizado pela Netsonda para a Eurofirms, em julho de 2026, através de um painel online com 600 jovens entre os 18 e os 29 anos, residentes em seis regiões de Portugal. A amostra foi ponderada por idade e nível de escolaridade, com base em dados populacionais do Eurostat, apresentando uma margem de erro aproximada de 5,1 pontos percentuais, para um nível de confiança de 95%.

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