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Transparência salarial: 62% das empresas portuguesas ainda não iniciaram preparação

Transparência salarial: 62% das empresas portuguesas ainda não iniciaram preparação

A maioria das empresas portuguesas (62%) ainda não começou a preparar-se para as novas regras de transparência remuneratória, e mais de metade (56%) nunca analisou as diferenças salariais entre homens e mulheres, segundo um estudo hoje divulgado pela Coverflex.
No inquérito “Transparência salarial em Portugal: onde estão as empresas e o que a lei lhes vai exigir”, a startup portuguesa de gestão de compensação conclui que 34% das empresas não têm conhecimento detalhado da Diretiva (UE) 2023/970 e que 28% conhecem o tema, mas não tomaram qualquer medida. Apenas 21% dos inquiridos afirmam ter um plano de ação em curso ou estar já em conformidade.
A Diretiva europeia devia ter sido transposta até 7 de junho de 2026, prazo que Portugal não cumpriu. A 5 de agosto, o Governo publicou um projeto de lei que altera a Lei 60/2018 e estabelece obrigações concretas, entre as quais a de informar os candidatos sobre a remuneração inicial ou o intervalo salarial antes da assinatura do contrato, a proibição de questionar o historial remuneratório e o direito dos trabalhadores a conhecer os níveis médios de remuneração, por sexo, de trabalho igual ou de igual valor.
O calendário de reporte previsto no diploma estabelece que as empresas com 250 ou mais trabalhadores deverão reportar anualmente e as que empregam entre 150 e 249 trabalhadores deverão fazê-lo de três em três anos, com o primeiro reporte até 7 de junho de 2027. Para as empresas com 50 a 149 trabalhadores, o primeiro reporte está previsto para 2031 — numa exigência que vai além da Diretiva, que só torna o reporte obrigatório a partir dos 100 trabalhadores.
O estudo revela ainda que apenas uma em cada quatro empresas (24%) tem bandas salariais formais e atualizadas, enquanto 32% não dispõem de qualquer banda salarial e apenas 15% as tornam visíveis para todos os colaboradores. Quase metade (49%) não tem nenhuma das estruturas analisadas — revisões salariais com critérios claros, níveis de cargo definidos ou divulgação da banda salarial no recrutamento.
A situação é particularmente sensível nas empresas com 150 ou mais trabalhadores, as primeiras a ter de reportar: entre as 93 que responderam neste escalão, 45% nunca analisaram o gap salarial de género e 66% não definiram um prazo interno para estar em conformidade.
A comunicação interna dos salários é apontada como o principal desafio por 48% das empresas, à frente da estruturação de bandas salariais (34%) e da garantia de equidade entre géneros (25%). Apenas 10% referem o orçamento como obstáculo.
“O projeto de lei já tem datas e as maiores empresas terão de fazer o primeiro reporte daqui a poucos meses, mas a maioria ainda está no ponto de partida. Os dados mostram que o problema não está no cálculo, está na estrutura”, afirmou à Lusa Inês Odila, country manager da Coverflex em Portugal.
O estudo baseia-se em 329 respostas completas a um inquérito anónimo, com recolha de dados entre 21 de julho e 16 de setembro de 2026, e os resultados refletem uma amostra de conveniência, não devendo ser lidos como retrato de todo o tecido empresarial português.

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