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BlackRock vê risco de impasse fiscal após vitória democrata e mantém cautela nas ações dos EUA

BlackRock vê risco de impasse fiscal após vitória democrata e mantém cautela nas ações dos EUA

A BlackRock considera que o controlo democrata das duas câmaras do Congresso dos Estados Unidos aumenta o risco de paralisações do governo e de confrontos sobre o teto da dívida, sem alterar a perspetiva de défices elevados e forte endividamento público. A avaliação consta de uma nota do BlackRock Investment Institute datada de 4 de novembro, que apresenta a vitória democrata nas eleições intercalares como um travão à agenda legislativa do presidente Donald Trump.
Para os investidores, a mensagem da gestora vai além da mudança do equilíbrio político em Washington: a pressão sobre o financiamento da economia deverá persistir, sustentando taxas de juro estruturalmente mais elevadas. Ao mesmo tempo, as dúvidas sobre os retornos do investimento em inteligência artificial justificam uma posição neutra nas ações americanas e uma abordagem seletiva às empresas ligadas à tecnologia.
Impasse orçamental ganha protagonismo
Segundo a análise, o controlo democrata da Câmara dos Representantes e do Senado dará ao partido maior capacidade de influência sobre a despesa federal e as nomeações presidenciais. Trump poderá continuar a recorrer a medidas executivas e regulatórias, instrumentos que a administração já tem utilizado em áreas como o comércio, a imigração e a desregulamentação.
É na política orçamental, no entanto, que a BlackRock identifica o principal foco de tensão. O governo dividido aumenta o risco de impasses no financiamento federal e de paralisações dos serviços públicos. As negociações sobre o teto da dívida também poderão tornar-se mais difíceis, embora o Congresso cessante possa procurar resolver a questão antes do fim do mandato, no início de janeiro, refere a nota.
A gestora de ativos distingue o bloqueio legislativo dos confrontos sobre a capacidade de endividamento do país. Na sua avaliação, o primeiro não tem sido historicamente desfavorável aos ativos de risco, enquanto os impasses sobre o teto da dívida têm constituído uma fonte mais importante de volatilidade nos mercados.
A mudança política não é apresentada como a razão para a redução da exposição à bolsa americana. A BlackRock afirma ter cortado a sua posição em ações dos EUA para neutra no mês anterior, perante a crescente incerteza sobre a velocidade, a dimensão e a viabilidade económica da expansão da infraestrutura de inteligência artificial.
Embora mantenha a convicção no potencial transformador da tecnologia, a gestora questiona se as receitas e os retornos futuros justificarão os investimentos planeados — e se as avaliações atuais refletem adequadamente esses riscos. Com uma parcela crescente da expansão financiada por dívida, os custos de financiamento e o nível de endividamento das empresas ganham peso na análise.
A preferência continua a recair sobre oportunidades específicas em empresas ligadas à IA e em infraestruturas cotadas, onde o aumento da procura e a escassez de capacidade crítica poderão sustentar retornos atrativos. Os resultados das eleições estaduais também poderão influenciar o licenciamento e a construção dessas infraestruturas, embora os efeitos dependam das condições locais.
Na componente obrigacionista, a BlackRock afirma ter elevado a posição em títulos de longo prazo do Tesouro americano para neutra e em títulos de curto prazo para sobreponderada, depois de as rendibilidades terem atingido máximos de várias décadas. Na avaliação da gestora, os níveis mais elevados oferecem agora um rendimento mais atrativo e melhor compensação pelos riscos.
A trajetória das obrigações continuará, no entanto, ligada à disputa por capital. Uma aceleração do investimento em IA poderá intensificar essa competição; um abrandamento poderá aliviá-la. Em qualquer dos casos, a BlackRock considera que as necessidades de financiamento do governo americano deverão manter as taxas de juro em níveis estruturalmente elevados.

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