Mercados otimistas aguardam dados da inflação europeia
A sessão passada foi marcada pela boa notícia da inflação alemã, que desacelerou mais do que o esperado em dezembro, chegando aos 1,8%. Esta descida foi impulsionada por uma queda dos preços da energia e pelo fraco aumento dos preços dos bens de consumo.
Estes dados animaram a Europa, que fechou a registar ganhos. O Stoxx 600 registou um novo recorde, chegando aos 605,28 pontos, impulsionado pelos setores da saúde e matérias-primas.
Já esta quarta-feira vão ser divulgados os dados da taxa de desemprego alemã, que está nos 6,3%.
Hoje é também dia de ser conhecida a inflação da União Europeia, sendo esperada uma ligeira descida para os 2%.
Do outro lado do Atlântico, o Dow Jones já atingiu máximos, estando perto de alcançar a marca dos 50.000 pontos. “A subida foi sustentada pelos setores energético e da defesa e pela recuperação dos preços do petróleo, que reflete o ceticismo dos investidores quanto ao impacto efetivo do crude venezuelano na oferta global, numa altura em que persistem dúvidas sobre a capacidade do país em aumentar rapidamente as exportações, devido a constrangimentos políticos, logísticos e à manutenção de sanções”, refere Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe.
O analista salienta ainda que “no plano macroeconómico, os investidores estarão atentos ao relatório de emprego nos Estados Unidos, a ser divulgado esta sexta-feira, bem como aos dados da inflação, previstos para a próxima semana. Estes indicadores deverão moldar a narrativa dos mercados até à próxima decisão de política monetária da Reserva Federal, agendada para a reunião de janeiro, num momento em que o mercado procura clarificar o calendário e a dimensão de eventuais cortes nas taxas de juro ao longo do ano”.
A situação política da Venezuela também tem tido impactos no mercado, nomeadamente no preço do ouro, que já subiu.
“O metal precioso continua a ser apoiado por expectativas cada vez mais dovish em relação à Reserva Federal, após a divulgação de dados fracos dos PMIs da indústria transformadora dos EUA, que reforçaram as preocupações de que a maior economia do mundo possa estar a abrandar e alimentaram as expectativas de cortes nas taxas de juro. A procura por ativos de refúgio também aumentou na sequência dos acontecimentos do fim de semana na Venezuela e das declarações subsequentes do Presidente Trump, que pareceram indicar a possibilidade de ações militares semelhantes noutros países. Neste contexto, não é surpreendente ver os preços do ouro a subir, com margem para novos ganhos. Ainda assim, é provável que os traders se mantenham cautelosos antes de assumirem posições longas de maior dimensão, aguardando a divulgação dos dados do mercado de trabalho dos EUA na sexta-feira, que se perfilam como um evento-chave para a formação de expectativas em torno da trajetória da política monetária da Fed”, salienta Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe.
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