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Economia mundial do desporto vai crescer 10% até 2030 e atingir 3,2 biliões

Economia mundial do desporto vai crescer 10% até 2030 e atingir 3,2 biliões

A economia mundial do desporto vai continuar a crescer nos próximos anos e deverá atingir receitas anuais de 3,2 biliões de euros em 2030, um crescimento de 10% nos próximos cinco anos, de acordo com um relatório do Fórum Económico Mundial. Numa perspectiva de longo prazo, o mesmo relatório aponta para um crescimento para 7,6 biliões de euros, algo que o consolida como um dos grandes motores do crescimento económico e social.
Este setor gera atualmente 1,9 biliões de euros e o crescimento perspectivado pelo relatório “Sports for People and Planet”, elaborado pelo Fórum Económico Mundial com o apoio da consultora estratégica Oliver Wynam, está assente em quatro grandes pilares: a expansão do turismo desportivo, a consolidação do desporto como classe de ativos, a aceleração do desporto feminino e o desenvolvimento desportivo em mercados emergentes.
Mas nem tudo são rosas neste setor visto como promissor em termos de rentabilidade. Este estudo também alerta para o facto de a inatividade física e os crescentes riscos climáticos e ambientais poderem reduzir em até 14% as receitas anuais do setor, algo que representaria um total de 444,5 mil milhões de euros até 2030, valor que poderia subir para 1,4 biliões de euros em 2050, caso não sejam adotadas medidas multissetoriais coordenadas.
Como refere o relatório, a capacidade de crescimento do setor está ameaçada pelo aumento da inatividade física, especialmente entre os jovens, dos quais 80 % não atingem os níveis recomendados de atividade. Entre 2020 e 2030, estima-se que essa inatividade física represente um custo aproximado de 300 mil milhões de dólares para os sistemas de saúde, exercendo uma pressão crescente sobre os orçamentos públicos.
“A estes fatores somam-se os riscos ambientais, como o stress térmico, os fenómenos climáticos extremos e a poluição, que já estão a afetar o calendário das competições, a reduzir a atratividade para os espectadores e a pressionar as cadeias de abastecimento e as operações do setor”, conta no estudo.
Também se coloca a questão dos riscos ambientais associados às alterações climáticas como a representação de uma ameaça operacional e financeira crescente: “Mais de 90% dos direitos de retransmissão e 76% das receitas de patrocínio no desporto profissional estão ligados a atividades ao ar livre. A título de exemplo, no Reino Unido, as condições meteorológicas adversas geram aproximadamente 320 milhões de libras por ano em perdas de receitas e custos de manutenção”, realça o relatório.
Assim, ondas de calor, inundações e tempestades obrigam ao cancelamento de eventos e à reprogramação de calendários, prejudicando as vendas de ingressos, reduzindo o valor das transmissões e aumentando os prémios de seguros.
Como é sabido, o próprio setor também contribui para a pressão ambiental já que as principais indústrias do desporto geram entre 400 e 450 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano, um valor comparável às emissões das grandes economias industrializadas.
Turismo desportivo lidera crescimento
Este relatório da Oliver Wyman e o Fórum Económico Mundial identifica quatro grandes motores de expansão que deverão sustentar um potencial de crescimento significativo no setor. O turismo desportivo lidera este crescimento, representando 60% do aumento total das receitas do setor até 2030. “Em 2025, concentrou 10% das despesas mundiais em viagens, registando uma taxa de crescimento anual de 28% desde 2020, muito superior aos 22% do setor turístico no seu conjunto” sendo que esta tendência “deverá manter-se, com um crescimento anual projetado de 17,5% até 2030. Alguns exemplos são a Maratona de Nova Iorque, que atraiu, em 2024, mais de 17 000 corredores internacionais de 137 países, ou eventos como o UltraSwim 33.3, na Croácia, ou a Marathon des Sables, em Marrocos, cujas inscrições esgotam em poucos minutos”.
Noutra vertente, a consolidação do desporto como classe de ativos global atingiu níveis sem precedentes, com mais de mil operações globais concluídas em 2021 e transações emblemáticas, como a avaliação de 10 mil milhões de dólares dos Los Angeles Lakers em 2025 (o valor mais elevado da história do desporto norte-americano). “Este crescimento é impulsionado pelo potencial de valorização dos ativos, por novos modelos de propriedade, por regulamentações financeiras mais robustas e pela convergência do desporto com os meios de comunicação, o entretenimento e a tecnologia. A base de investidores expandiu-se, passando a incluir investidores institucionais, fundos soberanos, empresas de capital de risco e atletas profissionais”, pode ler-se no relatório.
Outro aspeto a reter passa pelo desenvolvimento do desporto profissional feminino que já apresenta um crescimento notável. A receita projetada deverá atingir 2,35 mil milhões de dólares em 2025, mais do que o triplo do valor registado em 2022 sendo que o futebol e o basquetebol concentram 80% dessa receita, impulsionados por federações como a FIFA e a UEFA.
Mercados emergentes consolidam-se
Os mercados emergentes consolidam-se como potentes motores de crescimento. A América Latina, a África e o Médio Oriente registam as maiores taxas de crescimento no mercado de artigos desportivos, com previsões de aumentos anuais de dois dígitos na próxima década. A Índia acelera os seus compromissos de investimento para 130 mil milhões de dólares até 2030, enquanto a China emitiu, em 2025, novas diretrizes para financiar projetos desportivos através de instrumentos de longo prazo, em apoio ao seu objetivo de atingir 985 mil milhões de dólares em 2030. Paralelamente, os fundos soberanos da Arábia Saudita, do Catar e dos Emirados Árabes Unidos investem diretamente em propriedades desportivas globais.

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