Gloria Ortiz prevê integração do Bankinter Consumer Finance até ao terceiro trimestre
A CEO do Grupo Bankinter, Gloria Ortiz, revelou que espera que a integração do Bankinter Consumer Finance quer em Espanha, quer em Portugal, esteja concluída até ao terceiro trimestre. “Estamos na fase de preparação dos balanços finais. A partir daí, temos de submeter os pedidos aos reguladores e, como sabem, isso tem prazos específicos. Penso que o prazo máximo é de seis meses. Se tudo correr bem e todos os prazos forem cumpridos, será provavelmente no terceiro trimestre do ano, mas espero que seja mais cedo”, disse na conferência de imprensa de apresentação de resultados.
“Solicitámos 60 milhões de euros de garantia, utilizamos 30% da garantia e o nosso objetivo é utilizar a 100%. Se houver a opção de solicitar mais, fá-lo-emos”
Depois sobre a garantia bancária do Estado para o crédito hipotecário de jovens até aos 35 anos, respondeu o CFO (Chief Financial Officer) do Bankinter, Jacobo Díaz, que disse, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados anuais, que em Portugal “utilizámos aproximadamente 30% da garantia estatal [para crédito jovem]. Solicitámos 60 milhões de euros de garantia, utilizamos 30% da garantia e o nosso objetivo é utilizar a 100%. Se houver a opção de solicitar mais, fá-lo-emos. É um programa pelo qual temos muito interesse e no qual continuamos a progredir”.
A quota do Bankinter nesta garantia estatal é de 60 milhões de euros, o que significa que o banco já utilizou cerca de 18 milhões de euros.
A CEO Gloria Ortiz revelou que o Bankinter Portugal continuará a operar como sucursal, através da licença bancária espanhola. A instituição liderada por Alberto Ramos foi elogiada pela CEO da casa-mãe pelo seu bom rácio de eficiência de 33%, melhor do que o do grupo Bankinter.
No ano passado o Bankinter Portugal teve resultados antes de imposto de 210 milhões crescendo 7% face a 2024, e isso é explicado pela subida das receitas. A margem financeira subiu 3% para 285 milhões de euros; as comissões líquidas subiram 6% para 82 milhões. Do lado dos custos, o banco em Portugal registou um aumento dos custos operativos de 8% para 120 milhões de euros, mas as provisões caíram 7% para 37 milhões o que ajudou a resultado a crescer.
Em termos de indicadores do Balanço, o Bankinter Portugal reportou crédito de 11 mil milhões de euros, a crescer 9% face a 2024, dos quais 7,4 mil milhões é crédito a particulares, o que traduz um aumento de 11% e o crédito a empresas ascende a 3,5 mil milhões, o que representa um crescimento de 6%.
Do outro lado do Balanço, os recursos de clientes (incluindo depósitos) ascenderam a 10 mil milhões de euros, crescendo 8%.
No que toca aos recursos fora do balanço o crescimento foi de 28% para 11 mil milhões de euros, sendo que, os ativos sob gestão ascendem a 6 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 30% anual, e os ativos sob custódia somam 5 mil milhões e cresceram 27%.
Bankinter mantém política de dividendos
Os resultados das operações internacionais (Portugal e Irlanda) contribuíram com 12% para os resultados do Grupo Bankinter que ascendeu 1,09 mil milhões, disse a CEO que referiu que espera resultados acima de 1,1 mil milhões em 2026. A presidente do banco disse ainda que o “excesso de capital será investido no crescimento da atividade e no investimento em tecnologia, deixam antever que não prevê mexer na política atual de dividendos.
O banco alcançou um rácio CET1 (que mede o capital de maior qualidade) de 12,72%, 4,36 pontos percentuais acima dos requisitos regulamentares.
Bankinter destaca a importância que está a assumir a aplicação da Inteligência Artificial generativa na melhoria da eficiência
Gloria Ortiz anunciou a criação de uma agenda corporativa de inteligência artificial (IA), que irá liderar pessoalmente, com o objetivo de acelerar as melhorias de eficiência, a produtividade e a experiência do cliente no banco. O anúncio foi feito durante a conferência de imprensa de apresentação dos resultados de 2025, ano em que o banco alcançou um lucro recorde de 1,09 mil milhões de euros.
A tecnologia desempenha um papel central nesta estratégia, especialmente a inteligência artificial. “O ano de 2025 foi o da explosão da IA, e o setor bancário não é exceção a esta tendência”, afirmou. Neste sentido, Gloria Ortiz explicou que a estratégia “AI First” do banco visa “incorporar a IA em todos os aspetos do banco, começando pelo trabalho diário de todos os nossos colaboradores”.
“A partir deste primeiro trimestre, todos os colaboradores do Bankinter terão acesso às ferramentas de IA do banco, como parte de uma mudança cultural que a administração considera crucial”, disse.
O Bankinter destina cerca de 10% dos seus ganhos à tecnologia — metade da qual é dedicada à transformação, incluindo a IA — um investimento que, segundo a CEO, reflete-se numa melhoria consistente da produtividade dos colaboradores e num aumento constante do rácio de eficiência. “Estamos empenhados em melhorar ainda mais este rácio de eficiência (que é de 36,1%) mas isso nunca deverá significar uma perda de qualidade”, sublinhou.
Bolha nos preços do imobiliário em Espanha e alertas da CEO
Em Espanha parece também haver uma bolha nos preços do imobiliário, tal como em Portugal, e a CEO atribui a causa também à falta de oferta de habitação. crescimento que o mercado está a sentir em Espanha. A CEO alertou para práticas que alguns bancos espanhóis utilizam para aumentar as suas carteiras de crédito hipotecário. “Os preços divulgados publicamente não têm qualquer semelhança com as taxas que são posteriormente contratadas”, refere acrescentando que há “hipotecas de taxa fixa que estão 100 pontos percentuais abaixo da taxa swap [um instrumento financeiro para proteção contra riscos] e muito abaixo da forma como o Estado se financia ao longo de dez anos”.
Questionada sobre o investimento do Bankinter na compra de uma participação na Bit2Me, juntando-se à ronda de financiamento de 30 milhões de euros da corretora espanhola de criptomoedas, liderada pela Tether e anunciada em agosto de 2025, a CEO explicou que “temos uma área de inovação onde está o investimento do capital de risco e aqui há uma pequena quantidade de capital de risco dedicado a fintechs e empresas que operam na nossa área de atuação. A Bit2Me é uma delas, e o objetivo fundamental é, como já disse, ter um observatório para aprender e manter o banco atualizado sobre o que está a ser desenvolvido”. Isto é, o acordo está alinhado com a estratégia do Bankinter de parceria com startups fintech para antecipar os desenvolvimentos futuros nos serviços financeiros.
O investimento permitirá à Bankinter e à Bit2Me explorar sinergias tecnológicas e de conhecimento, foi referido no comunicado do anúncio do negócio, onde foi também destacado Bankinter está a posicionar-se junto de um parceiro tecnológico nacional para desenvolver soluções de tecnologia de registo distribuído (DLT).
Sobre a contribuição do cartão Universo, para os resultados do grupo, a CEO disse que “o Universo progrediu bem, atingindo o breakeven antes do previsto, no primeiro trimestre do ano. Este ano, contribuiu muito positivamente para os resultados, e não vou entrar em mais detalhes, pois trata-se de uma joint-venture. Temos um parceiro e, bem, precisamos de ser muito respeitadores dos detalhes que são partilhados”.
O Bankinter adquiriu 50% do capital do Universo (marca de crédito ao consumo da Sonae) através de uma joint-venture formalizada em 2023, tornando-se parceiro 50/50 com a Sonae para liderar o mercado de crédito ao consumo em Portugal.
“Há uma alteração do equilíbrio da economia europeia, com um progressivo enfraquecimento do eixo franco-alemão”
Gloria Ortiz salientou a boa performance das economias de Portugal e Irlanda em contraste com as economias de Alemanha e França que estão em reestruturação, com investimento em infraestruturas de energia e defesa. A CEO defende que há uma alteração do equilíbrio da economia europeia, com um “progressivo enfraquecimento do eixo franco-alemão” em comparação com a Península Ibérica, salientando que Espanha que continua a ser uma das economias mais dinâmicas. Apesar da volatilidade geopolítica, observou que os mercados “permaneceram imperturbáveis”.
A CEO contextualizou o desempenho do banco num ambiente macroeconómico que, apesar das tensões geopolíticas e comerciais, tem sido mais favorável do que o previsto. “Os impactos que esperávamos das tarifas foram consideravelmente inferiores ao previsto. Na Europa, o crescimento continua fraco, mas é melhor do que o esperado”, disse. Neste contexto, destacou que a inflação na Europa foi contida em níveis próximos da meta de 2% do BCE, o que permitiu à instituição começar a reduzir as taxas de juro.
Em relação à a recomendação da Comissária Europeia Maria Luís Albuquerque aos Estados-membros para a criação de uma “conta europeia de poupança e investimento” que permita rentabilizar de forma mais eficaz o aforro dos europeus atualmente aplicado em depósitos bancários, o CFO do Bankinter disse que “achamos que, para já, é uma boa solução. Se houver algo que a possa melhorar em termos de proteção do consumidor, teremos todo o gosto em adotá-la”.
Já quanto ao tema da simplificação regulatória, e uma vez que a União Europeia (UE) está a avançar com uma agenda de simplificação regulatória bancária em 2026, focada em reduzir a carga administrativa e a complexidade técnica, Gloria Ortiz mostrou-se cética.
“Quanto à simplificação regulatória certamente ainda não estamos a assistir a qualquer progresso tangível. Portanto, há uma vontade, e isso está a ser comunicado em todos os fóruns, mas ainda é um pouco cedo para vermos resultados tangíveis desta simplificação”, disse.
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