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Defesa: “Grande oportunidade para a reindustrialização” e um “bem público europeu”, diz Miranda Sarmento

Defesa: “Grande oportunidade para a reindustrialização” e um “bem público europeu”, diz Miranda Sarmento

O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, pronunciou-se sobre o rearmamento da Europa, esta terça-feira, durante a Web Summit, classificando o domínio da defesa como uma “grande ameaça”, por um lado, mas também como uma “grande oportunidade para a reindustrialização”. Além disso, considera que a defesa deve ser abordada como um “bem público europeu”.
Defendendo-a como uma via para os Estados-membros da União Europeia (UE) estreitarem relações com vários parceiros, o governante português, que entende que perante a incerteza das tarifas decretadas por Washington o “pior já passou”, deixou transparecer a vontade e necessidade de Portugal fortalecer a relação com os Estados Unidos.
“A defesa é uma grande ameaça, mas também é uma grande oportunidade para a reindustrialização, para segurança dentro das nossas fronteiras e territórios, para aumentar o papel do euro”, afirmou o ministro durante a cimeira tecnológica.
“Precisamos de fortalecer essa relação. E isso também é parte de Portugal precisar de reforçar as suas capacidades de defesa, para que possamos falar com os nossos aliados – e não em termos iguais – em termos mais semelhantes face ao que temos feito até agora”, acrescentou.
Sem deixar passar em branco o aumento do investimento do PIB na defesa nacional, um assunto que marcou a agenda nos últimos meses, Miranda Sarmento considera que, mais do que olhar para números, torna-se importante fazer uma avaliação das “ameaças, dos adversários, do nível de segurança e defesa de que precisamos, e em que ponto estamos agora, para depois preencher essa diferença” devem ser as prioridades. “Toda a gente fala em 3,5% do PIB até 2045. Como se ter 3,5% fosse suficiente para nos defender, e ter apenas 3% já não fosse (…). Atirar dinheiro para cima dos problemas normalmente faz com que desapareça uma das coisas, e normalmente não é o problema”, continuou.
Neste sentido, Joaquim Miranda Sarmento entende que a defesa deve ser considerada e abordada politicamente como um “bem público europeu”. Em Portugal, particularizou, esse investimento deverá ser canalizado principalmente para os ramos da Marinha e da Força Aérea – “por razões óbvias”.
Na mesma intervenção, o ministro do Governo de Luís Montenegro referiu que a economia portuguesa poderá crescer 3% anualmente se se apostar na redução de burocracia, bem como numa contínua atração de mão-de-obra para Portugal, isto numa altura em que o investimento privado é alto, devendo manter-se.
“Precisamos de atrair pessoas para trabalhar em todos os setores e todo o tipo de habilidade. E precisamos de reduzir a burocracia. (…) Os investimentos privados em Portugal para os próximos anos são gigantes. Mais de 20% do PIB em energia, tecnologia e serviços”, analisou.
“Se formos capazes, nos próximos anos, de chamar capital humano sem criar mais tensões sociais e políticas e reduzir substancialmente a burocracia e o custo de fazer negócios, a nossa produtividade pode aumentar”, sublinhou ainda Joaquim Miranda Sarmento.

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