José Fonte revela ‘culpado’ pela mudança falhada para o Manchester United
O internacional português José Fonte concedeu, esta terça-feira, uma extensa entrevista ao podcast The Premier Pub, da DAZN Portugal, na qual falou, entre outros temas, sobre o que foi a passagem falhada pelo Sporting no início da carreira de futebolista.
“Não foram tempos espetaculares, porque nunca fui um jogador que fosse visto como um possível jogador da primeira equipa do Sporting. Um jogador de qualidade. Sempre um jogador que havia algumas dúvidas. Faz parte. Acho que acima de tudo deixou em mim um fogo ainda maior para provar a mim mesmo que tinha a capacidade. Mas foi para provar mais a mim próprio e isso sempre me deu alguma força. Não foi a primeira vez, porque eu também fui dispensado quando tinha 12 anos para o Sacavenense. Fiz 2, 3 anos no Sporting e fui dispensado logo aos 13 anos para o Sacavenense. E já foi aí nessa altura que já me começou a dar alguma… revolta e de… tenho que fazer mais qualquer coisa. E o que é facto é que passado dois anos fui outra vez contratado pelo Sporting e foram quatro anos importantes no meu desenvolvimento. Aos 19 anos acabou a equipa B” começou por dizer o defesa, que cedo se mudou para os ingleses do Southampton.
“Acho que eu tive a capacidade de me adaptar ao meio onde estava, ou seja, quando vou para a Inglaterra aos 23 anos, depois de fazer duas épocas na primeira divisão em Portugal, quando cheguei a Inglaterra tive que me adaptar rapidamente ao estilo de futebol direto. Só duelos, não havia meio-campo, a bola era sempre avançado, defesa, duelos, segundas bolas, jogo muito físico. Então tive que me adaptar a esse futebol, tive de ir para o ginásio, tive de ganhar peso. Tens de ser um super atleta, ou seja, o futebol evoluiu no sentido de te tornar um super atleta, muito físico. E depois foi o jogo mental… é um jogo mental na Premier. Tu não podes cometer erros contra Kun Agüero ou contra Luis Suárez, porque senão vais pagar. E o foco e a concentração, no Championship ou na 3ª divisão, tu descais de uma vez ou outra, eles não marcam, eles mandam ao lado, ou não estão na posição certa. Mas se na Premier tu te descuidas… golo”, prosseguiu o defesa de 41 anos.
Depois de conquistar o Europeu em 2016, José Fonte esteve perto de mudar-se de armas e bagagens para o Manchester United, na altura orientado por José Mourinho. A mudança não se processou e o culpado foi Phil Jones.
“Durante o verão, falou-se nessas possibilidades do Mourinho e do Manchester United, mas depois o Jorge Mendes disse-me que o Phil Jones não ia sair, que tudo dependia do Phil Jones, mas o Mourinho não tinha a certeza se o Phil Jones ia sair. Nunca foi nada de concreto, foram apenas conversas e boatos. E a única coisa que surgiu foram propostas da Premier League, mas de outros clubes: do West Ham e do West Bromwich. E no fim acabei por decidir pelo West Ham”, vincou o jogador do Casa Pia, dando mérito a Fernando Santos pela conquista do Euro’2016.
“A seleção nunca jogou o futebol mais atraente do planeta, mas o que conta é ganhar e o mister Fernando Santos tem de crédito, porque encontrou uma forma de ganhar. E essa forma foi de ter toda a gente ligada, com ele não há brincadeira. Quando vais para um jogo com ele, já vais com aquela ‘não posso facilitar um milímetro’. Impossível. Nem todos os líderes conseguem isso e todos os jogadores tinham esse sentimento. É o nós, não o eu. E foi esse espírito de equipa que nos levou à conquista. Desde o primeiro dia que começou com a conversa de ganhar o Euro e nós começámos a acreditar. Quando passas a Croácia, sabes que podemos ganhar à Polónia… País de Gales foi um jogo difícil e na final tudo pode acontecer, e aconteceu”, finalizou.
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