“Decisão sobre o BEM reforça necessidade de boa governação na Associação Mutualista”, diz rival de Virgílio Lima
A lista alternativa a Virgílio Lima à Assembleia de Representantes da Associação Mutualista Montepio Geral refere, em comunicado divulgado nesta quarta-feira, que a venda do Banco Empresas Montepio (BEM) à fintech Rauva que ao fim de dois anos continua sem aprovação do Banco de Portugal, levanta “dúvidas quanto à idoneidade e à solidez do comprador”.
A Lista B defende que “é tempo de adotar um modelo de decisão mais responsável”.
“A recente notícia sobre o impasse na venda do Banco Empresas Montepio (BEM) à fintech Rauva confirma o que a Lista Alternativa tem vindo a alertar: decisões estratégicas tomadas sem o devido escrutínio e afastadas dos princípios mutualistas colocam em risco a missão e a credibilidade da Associação Mutualista Montepio Geral”, refere a lista liderada por Tiago Mota Saraiva.
O comunicado diz que a decisão do Banco Montepio vender o banco que antes se chamava Montepio Investimento à Rauva “é mais um reflexo de um modelo de governação que tem afastado o Montepio da sua essência mutualista, uma instituição que deve pautar-se pela prudência, pela transparência e pela defesa do interesse coletivo dos associados”.
O Banco Montepio acordou em setembro de 2023 a venda da licença bancária do banco de empresas à fintech Rauva. Um negócio de 35 milhões de euros.
Ao Jornal Económico, a Rauva, que mudou recentemente de CEO, disse que “o processo de autorização da aquisição de 100% das ações do Banco Empresas Montepio está em curso, em coordenação com as autoridades competentes”.
“A Assembleia de Representantes deve exercer um papel ativo de orientação estratégica e de exigência de boas práticas de gestão, garantindo que as decisões do Banco Montepio servem o interesse da Mutualista e não investimentos de risco ou operações de oportunidade”, refere a lista encabeçada por Tiago Mota Saraiva.
“O caso da Rauva ilustra bem a necessidade de um escrutínio efetivo e de um compromisso sólido com a boa governação”, sublinha.
A Lista B avança ainda que “é fundamental que a Assembleia de Representantes conte com vozes independentes, capazes de garantir que a Associação Mutualista Montepio Geral cumpre a sua missão de forma sólida, responsável e alinhada com os interesses de todos os associados”.
Em comunicado, referem que “a Lista Alternativa propõe um caminho diferente, assente em princípios claros: reforçar a fiscalização do banco, valorizando a transparência e o cumprimento das boas práticas; garantir que os interesses dos associados estão sempre no centro das decisões; promover um mutualismo mais plural, democrático e estratégico; e direcionar a atuação da Mutualista para iniciativas de impacto social, como habitação acessível, apoio à economia social e inovação responsável”.
Nas eleições para os órgãos associativos (de 19 de dezembro) foram apresentadas duas listas, sendo a lista A candidata a todos os órgãos associativos (mesa da Assembleia-geral, Conselho de Administração, Conselho Fiscal e Assembleia de Representantes) e a lista B apenas candidata à assembleia de representantes (uma espécie de “Parlamento” com 30 membros eleitos por método proporcional, onde são discutidos os temas estratégicos da mutualista).
Assim, as eleições para a Associação Mutualista Montepio Geral terão uma única lista candidata à gestão, liderada pelo atual presidente, Virgílio Lima, e duas listas candidatas à Assembleia de Representantes, uma de continuidade e outra ligada à oposição.
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