“O campeonato vai na 11.ª jornada e o Sporting foi beneficiado em seis”
O clima atual do futebol português tem passado por muitos erros de arbitragem e comunicados dos clubes em reação aos mesmos, sendo o Benfica um dos mais ativos nesta frente. Mas a verdade é que nada parece ser feito por parte da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) ou até mesmo da Liga Portugal para mudar a narrativa.
Em declarações exclusivas ao Desporto ao Minuto, Mauro Xavier comentou as palavras de Mário Branco ao árbitro Gustavo Correia após o Benfica-Casa Pia, assim como uma potencial reforma completa da arbitragem em Portugal.
Palavras de Mário Branco têm fundamento, mas…
O lance da grande penalidade foi o último que gerou uma inquietação por parte dos responsáveis máximos do emblema encarnado, mas um deles foi mais longe nas palavras usadas. Mário Branco, diretor-geral do Benfica, proferiu insultos ao juiz da partida no Estádio da Luz e acabou expulso, já depois do apito final.
De recordar que Gustavo Correia, árbitro da Associação de Futebol do Porto, alegou, no relatório de jogo, que foi alvo de uma reprimenda por parte do dirigente, que lhe terá dito, no caminho para o túnel de acesso aos balneários: “Podes ter a certeza que eu vou rebentar-te todo, olha o que eu te digo! Vou rebentar-te a ti e ao João Bento! Não vales m… nenhuma, nem tu nem ele! Palhaços do c…, é uma vergonha, o que nos fizeram aqui hoje foi uma vergonha”.
Para Mauro Xavier, sócio benfiquista que foi cogitado para uma candidatura às mais recentes eleições presidenciais do clube da Luz, esta não é a forma de estar do Benfica.
“Esperava que estas palavras de Mário Branco não tivessem acontecido. Eu percebo a razão pela qual elas existiram, mas o Benfica não pode fazer aquilo que critica. Temos de ter um ambiente saudável nesta relação, mas tem que haver consequências para os erros dos árbitros, algo que não tem acontecido”, confessou.
“Gostaria que o Benfica conseguisse elevar a boa prestação, se focasse em procurar soluções e não contribuir para um clima que não traz nada de bom”, acrescentou, antes de se focar na resposta do Conselho de Arbitragem a este caso em específico.
“Duarte Gomes tem prestado um mau serviço à arbitragem nos dias de hoje. Veio fazer uma defesa da classe, quando o que se pretendia era que assumisse os erros e apresentasse soluções. Isso é que nós precisávamos. Os erros técnicos têm vindo a ser evidentes”, avaliou Mauro Xavier.
Em causa estão as declarações desta quarta-feira na conferência de imprensa dada por Duarte Gomes e Luciano Gonçalves, onde o primeiro garantiu que “ninguém vai rebentar ninguém”.
“Aqui, ninguém rebenta ninguém”. Conselho de Arbitragem ‘contra-ataca’
Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem da FPF, e Duarte Gomes, diretor técnico, quebrarão o silêncio sobre o clima que se vive no futebol nacional, numa conferência de imprensa sem precedentes que durou quase uma hora.
Carlos Pereira Fernandes | 12:05 – 12/11/2025
“Não podem existir intimidações, ameaças, mas sim soluções, e cabe a Duarte Gomes focar-se em trazê-las. Infelizmente, tal não tem vindo a acontecer, tendo aparecido apenas para dizer que os casos foram apenas três por cento dos lances, mas esses 3% acabam por ser momentos em jogos do ‘campeonato do título’, pelo que tiveram bastante impacto. Esse é que é o problema grave nesta situação”, atirou o empresário.
“Duarte Gomes veio dizer que não há jarras, mas ninguém sabe quais são as consequências, portanto, existe aqui alguma impunidade para esses erros técnicos evidentes”, reforçou.
Sobre as soluções possíveis que ainda não foram apresentadas pelas organizações competentes, Mauro Xavier acredita que estas passem pela maior transparência e formação ao longo da temporada.
“Têm de ser assumidos os erros e tem de haver uma transparência na tabela classificativa dos árbitros ao longo da época, em vez de apenas ser apresentada no final da temporada. Depois, tem de haver formação adicional, assim como uma penalização de jogos a não apitar”, adiantou o benfiquista.
“É necessário ainda que os critérios de seleção dos árbitros sejam claros, um pouco como quando são feitos os sorteios do calendário do campeonato nacional, devia haver um sorteio também para os árbitros definidos para cada um dos jogos, com critérios objetivos, para que não existam estas dúvidas”, disse o sócio do clube da Luz.
“Tudo isto para quando existirem estes erros, eles terem consequências. É isso que eu pretendo, que haja verdade desportiva, que é um fator muito importante. E quando influenciam a verdade desportiva, seja na conquista de títulos ou pontos, os árbitros, que são parte integrante deste jogo que tanto amamos, têm que ter a sua responsabilização”, informou, antes de falar de uma reforma da arbitragem em Portugal.
Quando questionado sobre a forma como o presidente reeleito Rui Costa tem vindo a lidar com estas polémicas esta época, Mauro Xavier acabou por ‘fugir’ de modo a dar soluções, colocando as águias na liderança do ‘projeto’.
“Reações de Rui Costa aos casos? Antes disso estou é preocupado com uma reforma profunda da arbitragem. Gostava muito que o Benfica apresentasse na Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e que mobilizasse outros clubes para que isso acontecesse”
“O primeiro passo seria retirar a arbitragem do núcleo da FPF e constituir um organismo autónomo não dependente desta organização. O segundo é contribuir para a profissionalização dos árbitros com uma formação obrigatória. O terceiro é garantir que os critérios são iguais para todos, sendo alvo de comentários semanais e que sejam assumidas responsabilidades, para que nós, enquanto adeptos e não só, percebermos o que se passa”, explicou Mauro Xavier.
“Por fim, tem de haver responsabilização direta quando as coisas não correm bem. Por isso, gostava muito de ver o Benfica a liderar essa tarefa, já que a FPF e a Liga Portugal ainda não a fizeram”, completou.
Clima de tensão com solução? Ou é ‘luta’ perdida desde o começo?
A ‘bolha’ da polémica ‘rebentou’ quando Fábio Veríssimo alegou ter sido alvo de uma pressão no Estádio do Dragão, durante o FC Porto-Sp. Braga, mas a contestação subiu de tom quando o Sporting teve um golo que valeu três pontos nos Açores antecipado por um canto que não deveria ter existido, com o Benfica-Casa Pia a continuar a ‘erupção’ de um ‘vulcão’ que parece não ter fim.
“Os casos não se limitam ao que aconteceu no Estádio do Dragão com Fábio Veríssimo, ao lance que antecede o golo da vitória do Sporting frente ao Santa Clara nem às polémicas do Benfica-Casa Pia. Infelizmente, são muitos mais. O campeonato já vai na 11.ª jornada e o Sporting foi já beneficiado diretamente em seis desses 11 jogos”, vincou Mauro Xavier, antes de falar numa medida extrema.
“Ainda assim, a Federação Portuguesa de Futebol recebeu do Governo a responsabilidade de organizar os quadros competitivos e manteve a arbitragem. Cabe aos clubes pedirem ao Governo que faça uma intervenção direta e cabe ao Governo perceber que a arbitragem precisa de levar uma volta muito grande, uma vez que, infelizmente, os dirigentes da FPF e da Liga ainda não perceberam que este modelo não está a contribuir com nada de positivo”, continuou.
“Acho que é momento de adotar medidas concretas. Não podemos é deixar continuar com erros recorrentes que só têm prejudicado o Benfica, pelo que percebo a questão da agitação que está a acontecer. É aqui que o Governo pode entrar para tomar medidas com algo que já referi, que passa por retirar a arbitragem do cargo da FPF. Não há razão nenhuma para ser a FPF a gerir a arbitragem”, enumerou.
“A arbitragem deve ser totalmente isenta e independente de tudo o resto. Depois, tem de haver uma tabela atualizada para os árbitros, tal como há para os clubes, de forma a que todos saibam a classificação geral dos árbitros ao longo da época”, listou Mauro Xavier.
“Isto conjugado com um critério de penalidades objetivas para erros técnicos, sejam elas remuneratórias ou até de número de jogos que ficam sem apitar, poderá ajudar a que a situação melhore em Portugal. Da mesma maneira que, quando um jogador leva um cartão vermelho, sabe que fica um jogo de fora, existir essa fórmula também para os árbitros que cometem erros, para que não haja um clima de impunidade”, concluiu.
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