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“Portugal é candidato a conquistar o Campeonato do Mundo em 2026”

“Portugal é candidato a conquistar o Campeonato do Mundo em 2026”

Aos 32 anos, Mauro Eustáquio está a viver a primeira experiência como treinador principal. Depois de algumas épocas como adjunto, o antigo jogador deixou, recentemente, o lugar de auxiliar, na seleção do Canadá, para abraçar o projeto do York United, e o desfecho foi positivo.
 
Nazareno de gema, Mauro, irmão do futebolista do FC Porto Stephen Eustáquio, foi nomeado como um dos treinadores do ano pela Canadian Premier League (CPL). Além de ser o técnico mais jovem deste campeonato, o luso-canadiano levou a sua equipa às meias-finais, onde caiu, diante do Cavalry.
Em entrevista exclusiva concedida ao Desporto ao Minuto, Mauro Eustáquio fez um balanço do que foi a época de estreia como treinador principal, apontando a voos mais altos no campeonato, na nova época.
A propósito do Mundial’2026, que vai decorrer no Canadá, nos Estados Unidos da América e no México, no verão do próximo ano, o treinador de 32 anos coloca Portugal como uma das equipas que pode levantar o troféu de campeão do mundo.
Fomos a segunda equipa mais jovem do campeonato e a equipa mais jovem a entrar nos playoffs.
O York United caiu nas meias-finais do campeonato contra o Cavalry, falhando o que seria uma página de história. Ainda assim, o balanço da temporada é positivo?
Diria que é um balanço bastante positivo, até porque nós alterámos aqui muitas coisas no clube. Nós fomos comprados há cerca de ano e meio por um grupo mexicano e, aí, começou o projeto comigo. Nós mudámos 16 jogadores do plantel. Fomos a segunda equipa mais jovem do campeonato e a equipa mais jovem a entrar nos playoffs. Conseguimos estrear cerca de seis, sete jogadores da nossa equipa de sub-20. Para aquilo que é o futuro do projeto, para aquilo que foram os primeiros passos dados no York United, creio que foi um ano bastante positivo, mesmo que, obviamente, tenhamos ambição para mais e tenhamos estado mesmo ali à beira para fazer história.
Para quem não conhece, qual a dimensão do York United na Premier League canadiana?
Diria que o York é uma equipa do meio da tabela, uma equipa que, sem faltar o respeito a ninguém, tem um projeto ambicioso, tal como talvez, digamos, o Famalicão. Uma boa estrutura, com pessoas muito competentes à frente do projeto e que, neste momento, estão a dar os primeiros passos para aquilo que será um futuro muito brilhante. Obviamente, eu já estou no clube há quatro anos. Não tínhamos algum tipo de, diria, personalidade ou imagem do que era o clube ou do que é que queríamos ser, mas, com a entrada dos nossos novos donos, acho que isso está bastante claro e o caminho está a ser bastante positivo.
Mauro Eustáquio alcançou 11 vitórias em 33 jogos© York United  
O grupo que comprou o York United já tem experiência no futebol ou esta foi a primeira incursão no desporto-rei?
Sim, é uma família que já está inserida no futebol mexicano há alguns anos. São três irmãos, mas o pai já foi presidente de vários clubes, já estiveram ligados diretamente à Federação do México. Nós temos ligações bastante fortes com o Monterrey, que é um dos maiores clubes, se não o maior, do México. São pessoas que têm muito bem planeada a estratégia, sabem muito bem onde querem ir e, obviamente, querem ajudar a crescer, não só o clube, mas o futebol no Canadá.
Os objetivos propostos pela direção para o próximo ano já estão definidos?
Neste momento estamos nessa fase de planeamento. Estamos na fase de planear quais são os objetivos, tanto individuais como coletivos para o clube. Já não queremos ser aquele clube de meio da tabela, mas, obviamente, sabemos que existe muito trabalho por fazer. Vamos querer ser ambiciosos, vamos querer organizar-nos bem para que, quando chegar a época, tenhamos as armas corretas para alcançar esses objetivos.
Deixou a seleção do Canadá para voltar a um clube onde já tinha sido adjunto. Não se arrepende disso?
Não, não estou arrependido. Obviamente que estar com a seleção era um sonho e acho que estava num caminho bastante positivo, com o Mundial já aqui à porta e com o Canadá já qualificado. Mas a verdade é que este passo não é trás, mas um passo em frente para ser treinador principal, num projeto ambicioso, numa liga que está a crescer bastante. Continuo envolvido de outra forma com a seleção, não tenho impacto em alguma coisa, mas as portas continuam abertas. Acho que este passo para ser treinador principal do York United é o passo certo, é o passo que eu queria a longo prazo. Veio um pouco mais cedo, mas acho que estou num, como disse, bom projeto e um projeto ambicioso para fazer boas coisas.
Luso-canadiano foi adjunto na seleção do Canadá em 2024© Instagram/Mauro Eustáquio  
Estreou-se como treinador principal esta época e foi nomeado como um dos treinadores do ano do campeonato. Feliz por isso?
Quando temos esse reconhecimento é uma emoção bastante satisfatória. É o acumular de muito trabalho, não só ao fim de semana. Iniciámos este projeto novo, ou seja, a criação de uma equipa técnica, a criação de uma cultura, de um grupo novo. Isso dá muito trabalho, é um desgaste enorme. Saber que há essa avaliação positiva dos da Liga e não só, acho que é uma coisa bastante satisfatória, é um reconhecimento que eu gostei bastante e que me dá ainda mais força para continuar neste caminho.

 

 
 

 
 

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E que referências tem a nível de treinadores?
O treinador tenta sempre agarrar as coisas boas de várias pessoas, não só no futebol. Tenho a minha maneira de ver e de fazer as coisas. Sou um treinador que sou muito competitivo, uma pessoa que não baixo os braços à luta e isso é o número um para mim. Ao crescer, fui ao encontro de treinadores dos quais gostava da maneira de ser, da maneira de jogar, da maneira de como falar no futebol. Para mim, uma pessoa que eu admiro bastante é o Sérgio Conceição, não só por aquilo que fez no FC Porto, mas também pela trajetória dele. Depois, há o José Mourinho, que abriu muita porta para o português no estrangeiro. Ultimamente, um treinador que eu tenho admirado bastante pelo trabalho que tem feito e pela consistência do projeto que tem levado em frente é o Ruben Amorim. 
Tem uma carreira extensa no Canadá, como jogador e treinador, mas o regresso a Portugal já lhe passou pela cabeça?
Portugal é casa, é um campeonato que eu sigo bastante próximo A verdade é que estou num mundo que a mim diz-me muito. O meu mercado tem passado muito pela América do Norte, Estados Unidos, Canadá e mesmo no México, já com alguma ligação. Portugal é algo que não fecho as portas. A verdade é que conheço bem o campeonato, tenho acompanhado desde criança e a mim diz-me muito, mas também me sinto bem no Canadá, tenho muita coisa ainda a fazer por cá e as condições de trabalho que tenho tido têm sido muito boas. O treinador está sempre de malas feitas para assumir outros tipos de projetos, mas sinto-me muito bem cá, e, agora, é tentar agora atingir os objetivos e continuar a seguir a carreira.
Portugal vai sentir-se muito bem quando olhar para as bancadas e vir o estádio cheio de muito português a apoiar.
A propósito do facto do Mundial’2026 ser no Canadá, como perspectiva a participação portuguesa? Estão entre os favoritos à vitória final?
Portugal vai entrar para este Campeonato do Mundo com essa mentalidade [de poder vencer a final]. É um grupo que está muito bem formado, que está muito coeso e cheio de estrelas a quererem um objetivo, e, quando assim é, as coisas tornam-se muito mais fáceis. Todos nós sabemos que a qualidade individual que Portugal tem, neste momento, na seleção é única e é de um grau bastante elevado. Portugal é candidato a fazer um bom torneio, é candidato a ganhar o título e, na minha opinião, têm as armas para o fazer. A mentalidade tem de ser mesmo essa.
Podemos esperar um forte apoio da comunidade portuguesa, na América do Norte?
Sim, sim, muito, muito. A verdade é que aqui, em Toronto em específico, mas não só, toda a gente já está bastante ansiosa para poder ver a seleção, já se fala em viagens, já se fala possivelmente num estágio cá, em Toronto, também. Sei que o imigrante português em toda a América do Norte – e nos Estados Unidos também há um peso muito grande do português – vai, de certeza, apoiar, e vai, de certeza, viajar. Portugal vai sentir-se muito bem quando olhar para as bancadas e vir o estádio cheio de muito português a apoiar e também a ir atrás desse sonho que é ganhar o Mundial.
E o Canadá também pode deixar uma boa imagem no Mundial?
Estamos a falar talvez da seleção do Canadá mais forte de sempre e de um Mundial que irá ser jogado no nosso quintal. Há muita coisa para agarrar, motivacional e não só, que nos dá a confiança de ser um bom torneio. O Canadá já não é uma seleção que ninguém conhece, já temos jogadores de classe mundial, já temos jogadores a jogar na Liga dos Campeões, que era algo que tínhamos em menos quantidade, há cerca de 10 anos. Hoje em dia, nas Gold Cup’s em que o Canadá já esteve envolvido e noutras competições, os resultados têm sido bastante positivos, as exibições têm sido bastante positivas. O Canadá, devido àquilo que tem feito e que tem crescido, tem dado boa resposta e tem posto o seu nome no mapa.
Leia AQUI a segunda parte da entrevista de Mauro Eustáquio. 
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