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“Stephen Eustáquio? Qualquer jogador que não jogue é preocupante”

“Stephen Eustáquio? Qualquer jogador que não jogue é preocupante”

É do outro lado do Oceano Atlântico que Mauro Eustáquio tem seguido com atenção o que tem sido a carreira do irmão Stephen, ao serviço do FC Porto. Sempre atento ao irmão, com quem tem uma relação de grande proximidade, o treinador não se mostra preocupado com o pouco tempo de jogo que ele tem tido com a camisola portista esta temporada.
 
Na época passada, os irmãos Eustáquio chegaram a trabalhar juntos, quando Mauro era treinador adjunto na seleção do Canadá. Por isso, e mais do que outras pessoas, sabe bem como Stephen está a gerir esta temporada de menor utilização sob a orientação do técnico italiano Francesco Farioli.
Em entrevista exclusiva concedida ao Desporto ao Minuto, Mauro Eustáquio lançou um olhar sobre o que tem sido a prestação do irmão, esta temporada, e disse acreditar que o mesmo vai vingar, quando tiver de ser chamado pelo treinador do FC Porto.
O Stephen não é de virar a cara à luta e vai trabalhar o máximo para ajudar o FC Porto
A ligação do Mauro a Portugal é também ela familiar e quase umbilical. O Stephen, o seu irmão, foi titular contra o Utrecht, mas tem somado poucos minutos de jogo no FC Porto. Está preocupado com isso?
Acho que qualquer jogador que não esteja a jogar é preocupante. Há esta ligação emocional que eu tenho com o meu irmão, mas a verdade é, que nos anos anteriores, também ninguém diria que o Stephen iria ser titular, ter os minutos ou o impacto que teve no FC  Porto nos últimos anos. Eu, melhor que ninguém, conheço as características do Stephen e sei que não é de virar a cara à luta e vai trabalhar o máximo para, primeiro, ajudar o FC Porto a alcançar os seus objetivos e, obviamente, estar dentro do campo.
E porque é que acha que o Stephen tem tão pouco tempo de jogo este temporada?
Há um plantel forte, que se reforçou. Há também um treinador novo, com ideias nova e que trouxe jogadores específicos para certas posições. Não tirando o valor ao Stephen, já o vimos a ganhar títulos pelo FC Porto, já o vimos, mesmo neste sistema e com este treinador a ter minutos. Acho que é uma questão de termos um bocado de paciência. O campeonato ainda é longo e de certeza que irá ter o seu peso, como tem, neste momento, também dentro do campo. A realidade é que o FC Porto está a atravessar um momento muito bom e nesse saco também está o Stephen. Ele está a atravessar um momento bom, acho que mesmo o jogo na Liga Europa foi bastante positivo da parte dele. Ele tem que estar disponível para as oportunidades que irá ter. Não importa ser cinco minutos, dez minutos, titular ou não. Ele tem que estar disposto, é um profissional de cinco estrelas e sei que quando tiver mais oportunidades irá agarrá-las.
Stephen Eustáquio leva oito jogos esta temporada© Getty Images  
Pode estar a ser afetado por esta mudança do esquema tático promovida pelo mister Francesco Farioli já que ele tem preferido ter jogadores mais combativos no onze inicial, como é o casa do Alan Varela?
Não diria que é combativo, são estilos de jogo que o treinador tenta ou vê num jogador que para não vê no outro. O Stephen, mesmo no ano passado, quando jogava num meio-campo a dois, e agora, a jogar um meio-campo a três, e até mesmo na seleção com o Jesse Marsch, jogou um futebol de pressão alta, de marcação homem a homem em todo o terreno. Essa capacidade física todos sabemos que ele tem, acho que é uma questão de preferência e isso é muito normal. Eu, sendo treinador, infelizmente ou felizmente, não posso jogar com 15 jogadores, vou ter de sempre fazer as minhas decisões. Neste momento, o treinador do FC Porto está a tomar as decisões dele, as coisas estão a ir bem. Como qualquer outro jogador, há que ter paciência, há que continuar a trabalhar e esperar por mais oportunidades.
A um oceano de distância, é difícil acompanhar sempre de perto os jogos do seu irmão?
Não, por acaso até é bastante fácil. O fuso horário ajuda-me bastante mais a acompanhar o futebol dele do que o nosso por cá. Como estamos atrás em comparação com o fuso horário de Portugal, consigo sempre ver os jogos. Ele ver os meus jogos é que é o mais complicado porque já vai pela madrugada dentro.
Trabalhar com o meu irmão na seleção? Foi uma experiência nova, foi uma experiência estranha no início, algo que guardo por sempre.
Como foi trabalhar com ele na seleção do Canadá?
Foi uma situação bastante engraçada. Acho que foi das poucas vezes em que estivemos no mesmo círculo, mesmo hotel, mesmo campo e que falámos menos. Foi uma relação bastante profissional. No início, tivemos ali duas ou três conversas, mas, de resto, fomos profissionais, falei quanto tinha que falar, dei dura quanto tinha de dar dura. A realidade é que foi uma experiência bastante positiva. Trabalhar ao mais alto nível que são as seleções internacionais. Nesse estágio em que estive envolvido, jogámos contra o México e contra os Estados Unidos, e saímos de lá com duas vitórias. Foi um estágio muito importante para mim, a nível pessoal. Poder fazer isso com o meu irmão foi de sonho. Foi uma experiência nova, foi uma experiência estranha, no início, algo que guardo por sempre.
E nem mesmo no regresso a casa, não era capaz de ligar ao seu irmão e de lhe dizer algo que não lhe queria dizer em público junto de outros jogadores da seleção?
Não, não. Para quem conhece o Stephen, sabe que a forma de ele estar no futebol é dar o máximo, não importa se é num treino ou num jogo. Temos de entender que vão haver coisas que não vão sair tão bem, vão haver coisas que vão sair muito bem. Dado o profissionalismo que se leva na seleção nacional e o profissionalismo que tem o Stephen, as duas têm que de dadas no momento certo, na altura certa, e deixar os erros e também as coisas boas no campo. Essa comunicação nunca foi feita, muito menos no momento que é o estágio da seleção.
Leia AQUI a primeira parte da entrevista de Mauro Eustáquio. 
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