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Balanço de 2025: Venda do Novobanco ao grupo francês BPCE foi um dos marcos económicos

Balanço de 2025: Venda do Novobanco ao grupo francês BPCE foi um dos marcos económicos

A venda do Novobanco ao grupo francês BPCE foi um dos marcos do ano económico, tendo sido feita acima das expectativas do mercado ao atingir 6.400 milhões de euros a serem pagos ao Lone Star e ao Estado português.
O acordo para a venda chegou em junho e pôs fim à possibilidade de ser um banco espanhol a comprar o Novobanco, o que reforçaria o peso de Espanha no setor bancário e poderia levar a despedimentos de trabalhadores devido a sinergias.
O BPCE comprometeu-se a pagar 6.400 milhões de euros aos acionistas, encaixando o fundo norte-americano Lone Star (que tem 75% do banco) 4.800 milhões de euros e o Estado português (que tem os restantes 25%) 1.600 milhões de euros.
O comprador, o Banque Populaire Caisse d’Epargne (BPCE), é dos principais grupos bancários de França. Já opera em Portugal no crédito ao consumo e na banca de investimento (detém o centro tecnológico da Natixis no Porto, com 2.500 empregados), mas esta compra marca a sua entrada na banca de retalho em Portugal.
O Novobanco foi criado em agosto 2014 para ficar com parte da atividade bancária do Banco Espírito Santo (BES), alvo de uma medida de resolução pelo Banco de Portugal (BdP) face à grave crise em que estava imerso.
O Novobanco nasceu detido e capitalizado pelo Fundo de Resolução bancário (uma entidade estatal) mas desde início as autoridades (o BdP liderado por Carlos Costa e o governo PDS/CDS-PP de Passos Coelho) deram a entender que o queriam privatizar o quanto antes.
Contudo, o processo prolongou-se e em 2017 (já com o BdP liderado por Mário Centeno e o governo PS de António Costa) 75% do capital foi vendido ao fundo norte-americano Lone Star, que não pagou qualquer preço, tendo acordado capitalizar com 1.000 milhões de euros.
Logo aí se soube que o objetivo do fundo era tornar o banco rentável (os primeiros anos foram de prejuízos e os primeiros lucros são de 2021) para obter dividendos e vendê-lo a médio prazo para gerar mais-valias.
Para isso foi fundamental o mecanismo acordado pelo qual o Fundo de Resolução poderia ser chamado a injetar dinheiro no banco para cobrir perdas geradas pelos ativos ‘tóxicos’ herdados do BES (crédito malparado ou imóveis). Nos anos seguintes, o Fundo de Resolução pôs 3.405 milhões de euros no banco, provocando várias polémicas políticas e mediáticas pelo uso do dinheiro público.
Com o fim antecipado deste mecanismo, em final de 2024, tornou-se possível o pagamento de dividendos aos acionistas e a venda do banco.
O acordo para a venda chegou em junho ao francês BPCE e por um preço total acima do que o mercado estimava, ao atingir 6.400 milhões de euros.
Todos os acionistas do Novobanco (Lone Star com 75%, Fundo de Resolução e Direção-Geral do Tesouro e Finanças que partilham os restantes 25%) concordaram com a alienação.
Para já, o processo de venda segue o seu curso, faltando a aprovação de reguladores europeus, pelo que a concretização do negócio deverá acontecer nos primeiros meses de 2026.
Mesmo depois da venda, o Novobanco e o seu passado deverão continuar a dar que falar.
No início de novembro, enquanto decorria no Ministério das Finanças a cerimónia de assinatura dos acordos de venda, a Polícia Judiciária realizava buscas no Novobanco para investigar suspeitas de crimes relacionados com a venda de ativos ‘tóxicos’ do extinto BES.
Por outro lado, há os custos relacionados com a resolução do BES e criação do Novobanco.
Segundo cálculos feitos pela Lusa, desde 2014 até agora, a resolução do BES implicou gastos públicos de cerca de 8.000 milhões de euros, resultado sobretudo da capitalização inicial do Novo Banco e das recapitalizações feitas pelo Fundo de Resolução.
Segundo disse em junho o Governo (PSD/CDS-PP, liderado por Luís Montenegro), os ganhos dos acionistas públicos com a venda somados à distribuição de dividendos deste ano permitem “ao Estado recuperar quase 2.000 milhões de euros dos fundos públicos injetados na instituição”.
Fazendo as contas destes dois valores, a resolução do BES custou até agora 6.000 milhões de euros aos cofres públicos.
Mas as contas não estão fechadas. Por um lado, o Fundo de Resolução terá de pagar aos credores do BES e ainda terá de assumir eventuais indemnizações decididas pelos tribunais nos vários casos que correm na Justiça. Por outro lado, o Fundo de Resolução e o Estado recebem dividendos decorrentes dos lucros dos últimos anos e encaixam parte das receitas da venda do banco.
Por fim, os mais de 4.000 trabalhadores do Novobanco têm-se considerado esquecidos na venda e exigem um prémio pelo seu esforço nos últimos anos.
A polémica adensou-se depois de ter sido noticiado pelo jornal Público que os gestores receberão prémios de 1.100 milhões de euros e mais de 2.700 bancários subscreveram um abaixo-assinado a reivindicar um bónus equivalente a dois salários.

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