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Escândalo em Espanha. PS questiona ministra da Saúde sobre grupo privado que gere hospital de Cascais

Escândalo em Espanha. PS questiona ministra da Saúde sobre grupo privado que gere hospital de Cascais

A polémica estalou na semana passada no país vizinho. O CEO do grupo privado de saúde Ribera Salud, que gere vários hospitais públicos em Espanha, e em Portugal o hospital de Cascais, foi gravado a dar ordens a 20 dirigentes do hospital Torrejon de Ardoz (Madrid) para que fosse dada prioridade aos doentes mais “rentáveis” em detrimento de outros e para que se adiassem ou não se realizassem atos de saúde. Terá ainda dado orientações de redução de custos, nomeadamente a para a reutilização de materiais clínicos de uso único.
“Todos vocês sabem que a correlação entre o balanço de lucros e perdas e a lista de espera é direta”, disse Pablo Gallart a cerca de 20 dirigentes do Hospital Torrejón de Ardoz,  disse Pablo Gallart aos dirigentes daquele hospital, segundo noticiou o El Pais, jornal que teve acesso aos áudios. Na sequência da polémica, o grupo privado demitiu os quatro dirigentes que denunciaram as medidas impostas através do canal de denúncias.
Por cá, o Partido Socialista (PS) questionou a Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, lembrando que, além de o grupo Ribera Salud gerir o hospital de Cascais, já manifestou interesse em concorrer a outras PPP nacionais.
Os socialistas querem saber se o Governo está “em condições de garantir que orientações semelhantes não foram igualmente dadas na PPP de Cascais” e que iniciativas foram tomadas para assegurar junto do hospital que estas mesmas orientações não foram dadas em Portugal e que os contratos estão a ser “rigorosamente” cumpridos.
O PS questiona ainda como está o Executivo a pensar reforçar a Entidade Reguladora da Saúde e a ACSS (Administração Central do Sistema de Saúde) no contexto do alargamento das PPP na saúde, já anunciado.
A bancada socialista assinala que em causa, no escândalo espanhol, estão “várias situações de incumprimento dos princípios mais básicos da proteção da saúde e dos direitos dos cidadãos”.
As polémicas declarações do CEO do grupo privado de saúde espanhol têm suscitado intenso debate no país vizinho e levantar questões sobre o modelo de concessões hospitalares. “Fazem da saúde um negócio e da doença uma oportunidade para enriquecer”, atacou o Presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, numa reação publicada na rede social X.
“Este é o modelo do PP: Fazer da saúde um negócio e da doença uma oportunidade para enriquecer. O CEO de uma empresa a decidir sobre a vida das pessoas: é nisto que consiste a privatização da saúde. Mais listas de espera, mais rentabilidade, mais injustiças. Não vamos permiti-lo. O Governo defenderá a saúde púbica com todos os instrumentos do Estado”, pode ler-se.
Perante o escândalo, a ministra da saúde espanhola já exigiu o fim do contrato de concessão e pediu uma inspeção a todos os hospitais públicos geridos pelo grupo. Ao todo, o grupo Ribera Salud gere 14 hospitais, um deles o de Cascais, e mais de 60 clínicas e unidades de cuidados de saúde primários.

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