Estratégia de Trump divide maiores partidos europeus de extrema-direita
Os dois maiores partidos europeus de extrema-direita estão divididos sobre a estratégia de Donald Trump para a Europa.
Em causa está a nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos (EUA), um documento habitualmente publicado pelos presidentes americanos para servir de roteiro à política externa do país nos próximos anos.
O mais recente da autoria da Casa Branca de Donald Trump visa servir de “roteiro” para garantir que os EUA continuam como a “maior nação e com mais sucesso na história da humanidade”.
O documento aplaude o crescimento da influência “de partidos europeus patriotas” e defende que a América deve encorajar os “seus aliados políticos na Europa para promover este revivalismo de espírito”.
Na Europa, os partidos de extrema-direita nas duas maiores economias têm opiniões diferentes sobre a doutrina Trump para a política externa.
Na Alemanha, o AfD congratulou o documento. “Isto é o reconhecimento direto do nosso trabalho. O AfD sempre lutou por soberania, remigração e paz, precisamente os pontos que Trump quer implementar agora”, disse o deputado Petr Bystron ao “Politico”.
Mas do outro lado da fronteira, o Reunião Nacional de Marine Le Pen deixou fortes críticas às intenções do presidente norte-americano.
“Trump trata-nos como uma colónia com a sua retórica, mas especialmente economicamente e politicamente”, disse Thierry Mariani membro do conselho nacional do partido.
Os líderes do partido veem “o risco desta atitude de alguém que não tem nada a temer, dado que não pode ser reeleito, e que é sempre excessivo e por vezes ridículo”, acrescentou em declarações ao “Politico”.
A Reunião Nacional tem vindo a distanciar-se da AfD e de Trump como forma de se apresentar como uma força menos extremista, mas mais credível perante o eleitorado, a tempo das eleições presidenciais de 2027, acreditando que tem hipóteses de ganhar.
Os serviços secretos alemães declararam a AfD como uma organização extremista este ano. Em seu socorro veio, surpreendentemente, o ministro dos Negócios Estrangeiros dos EUA. Marco Rubio considerou-a como uma decisão “tirânica”. Já o vice-presidente dos EUA disse numa viagem à Europa que os maiores partidos políticos deviam derrubar as “muralhas” que deixam de fora os partidos de extrema-direita do poder.
Por sua vez, a AfD acredita que o apoio de Trump vai dar credibilidade ao partido junto de parte do eleitorado, e também pode forçar a aceitação do partido extremista por parte dos conservadores de Friedrich Merz, isto é, que abra a porta a coligações entre os dois partidos.
Um cientista político francês destacou as devidas diferenças entre Le Pen e Trump. A francesa apoia o Estado Social e a rede social de segurança e tem um interesse limitado em conservadorismo e em religião.
“O Trumpismo é um fenómeno americano distinto que não pode ser transplantado para França. Marine Le Pen está a trabalhar na normalização e não tem interesse em ser relacionada com Trump. Depois de ter sido acusada de servir poderes estrangeiros – a Rússia – não tem nada a ganhar de ser qualificada como ‘agente de Trump em França’”, disse Jean-Yves Camus ao “Politico”.
A própria Le Pen contribuiu para a expulsão da AfD do grupo Identidade e Democracia no Parlamento Europeu em 2024 após uma série de polémicas.
Uma sondagem realizada em 2024 concluiu que 56% dos eleitores da Reunião Nacional tinham uma opinião negativa de Trump. Entre eleitores de todos os partidos, 85% descreviam Trump como “agressivo” e 78% como “racista”.
Depois de conquistar a política na América, Trump vem atrás da Europa
São duras críticas à Europa por parte de Donald Trump. E um sério aviso que os EUA estão dispostos a interferir diretamente para criar vencedores na política europeia.
A nova Estratégia de Segurança Nacional vai servir de “roteiro” para garantir que os EUA continuam como a “maior nação e com mais sucesso na história da humanidade”.
O documento aplaude o crescimento da influência “de partidos europeus patriotas” e defende que a América deve encorajar os “seus aliados políticos na Europa para promover este revivalismo de espírito”.
“O maior desafio que a Europa enfrenta inclui a atividade da União Europeia e outros órgãos transnacionais que subjugam a liberdade política e a soberania, políticas migratórias que transformam o continente e criam tensão, censura da liberdade de expressão e supressão de oposição política, minando as taxas de natalidade e a perda de identidade nacional e de autoconfiança”, segundo o documento citado pelo “Politico”, “BBC”, “Reuters” ou “CNN”.
Na Ucrânia, o documento defende uma resolução rápida do conflito, de forma a restabelecer uma “estabilidade estratégica” com a Rússia.
O “Politico” destaca que o “documento ecoa a teoria de conspiração racista da ‘grande substituição’, isto é, que as elites conspiram para diminuir o poder de votos dos brancos europeus ao abrir as portas dos países à imigração africana ou de países muçulmanos”.
Segundo o documento, “no longo prazo, é mais do que plausível que dentro de uma décadas, o mais tardar, alguns membros da NATO vão tornar-se em maiorias não-europeias”.
O documento defende também o regresso da Doutrina Monroe, datada do século XIX, que defende que a zona de influência de Washington é o hemisfério ocidental.
O objetivo é “restaurar a superioridade americana” no hemisfério ocidental e colocar a região no topo da política externa da Casa Branca de TRUMP:
Desde que regressou ao poder que mencionou em recuperar o Canal do Panamá ou em anexar a Gronelândia ou o Canadá.
Mais concretamente, os EUA têm vindo a aumentar a sua presença militar nas Caraíbas, ameaçando lançar ataques na Venezuela com a justificação com o combate ao narcotráfico.
Na região, os EUA contam agora com 15 mil soldados, uma dúzia de navios de guerra, incluindo o seu maior porta-aviões.
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