A carregar agora

O que esperar de 2026? Macau espera resposta a velhos desígnios e “patriotas construtivos” no parlamento

O que esperar de 2026? Macau espera resposta a velhos desígnios e “patriotas construtivos” no parlamento

O comentador político Sonny Lo Shiu-Hing aponta como desafios do Governo de Macau para 2026 a execução de políticas traçadas com vista à diversificação económica, acrescentando que, da parte do novo parlamento, se esperam “patriotas construtivos”.
A captação de quadros qualificados em Macau serve vários – e antigos – desígnios dos sucessivos governos locais: a diversificação da economia da região chinesa no sul da China, profundamente dependente das receitas provenientes dos casinos, e a elevação da capacidade inovadora e da competitividade do território.
Sonny Lo, analista que acompanha as questões de Hong Kong e Macau, refere que as Linhas de Ação Governativa (LAG) para 2026 não explicam como se projeta a “política populacional” com a importação de quadros qualificados.
“Por política populacional, refiro-me à projeção populacional nos próximos três a cinco anos e como a projeção populacional deve evoluir de acordo com a necessidade de importação de talentos da China continental”, comenta.
É necessário, além disso, “sintonizar projeção populacional, procura do mercado por talentos e importação de quadros qualificados da China continental”, defende Lo, salientando que “aqui parece haver uma lacuna que o Governo precisa de resolver”.
“As instituições de ensino superior, que formam muitos estudantes, precisam de estudar se os graduados das universidades e escolas secundárias estão a atender às exigências do mercado na sociedade de Macau”, reflete.
Nesse sentido, Sonny Lo lembra a conceção, pelas autoridades, do modelo ‘1+4’ como resposta à necessidade de diversificação económica, “focado em quatro áreas principais de desenvolvimento”: indústria de saúde e bem-estar, indústria de finanças modernas, indústria de tecnologia de ponta e, por fim, a indústria de convenções, exposições e comércio, cultura e desporto.
Outro desafio para 2026, indica o comentador político, passa por agilizar a integração do território na Zona de Cooperação Aprofundada Macau-Guandong, em Hengqin (ilha da Montanha), e atrair “investimentos concretos” para esta área económica especial, particularmente “a construção prevista dos polos universitários”.
Na apresentação das LAG, o Governo referiu que vai ser acelerada a construção da Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin.
Numa primeira fase, indicou o executivo, Universidade de Macau, Universidade Politécnica de Macau e Universidade de Turismo de Macau vão estabelecer-se no local, “prevendo-se que iniciem as atividades letivas a partir de setembro de 2026, com o número de estudantes fixado em 1.200, no primeiro ano, e com predominância ao nível de pós-graduação”.
Além deste mega-empreendimento, que tem como objetivo erguer um polo educativo de excelência, compete ao executivo “fazer com que mais pessoas se mudem” para esta zona, para aí estabelecerem negócios, e promover a captação de “investimento estrangeiro”, refere Sonny Lo.
No palco político, o comentador admite que o reforço da legislação da segurança nacional em 2026, anunciado pelas autoridades nas LAG, “não é surpreendente”.
Em “tempo oportuno”, anunciou o chefe do executivo, Sam Hou Fai, vai iniciar-se “a elaboração da lei sobre a Comissão de Defesa da Segurança do Estado” [CDSE] de Macau.
Trata-se do órgão que presta apoio ao Governo na tomada de decisão sobre assuntos relativos à defesa da segurança do Estado, cuja atividade é, até agora, enquadrada num regulamento administrativo e outros diplomas.
No caso das eleições para a Assembleia Legislativa (AL, parlamento local), por exemplo, a lei eleitoral estabelece que compete a esta comissão determinar “se os candidatos defendem a Lei Básica e são fiéis à Região Administrativa Especial de Macau [RAEM] da República Popular da China”.
Nas eleições para o parlamento, em setembro deste ano, a CDSE, cujo presidente é por inerência o chefe do executivo, excluiu os 12 candidatos de duas listas, considerando-os “não defensores da Lei Básica ou não fiéis à RAEM”.
Sobre o trabalho do parlamento em 2026, Sonny Lo indica que os deputados “têm de demonstrar o seu papel como patriotas construtivos”, no sentido de que “têm de propor sugestões concretas ao Governo para melhorar vários aspetos políticos, vários projetos de lei, várias legislações”, refere.

Share this content:

Publicar comentário