BPCE desiste da Generali, mas continua a querer ser gigante na Europa
Nicolas Namias quer que o BPCE se torne num grande banco europeu e que seja um novo player no financiamento da economia europeia. É nessa ambição que se insere a compra do Novobanco que deverá estar concluída no fim do primeiro trimestre de 2026 e era também nessa ambição que se inseria a união da Generali Investments Holding (GIH) com a Natixis Investment Managers.
Mas o BPCE e a Generali acabaram por recuar e acordaram conjuntamente encerrar as negociações relacionadas com a criação de uma joint-venture em gestão de ativos.
Cai assim por terra o projeto de criar uma nova entidade combinada de gestão de ativos, com o objetivo de se tornar a maior gestora de ativos da Europa por receitas, com 1,9 biliões de euros de ativos sob gestão, através de uma joint-venture 50/50. O Governo de Giorgia Meloni ter-se-à oposto ao avanço desta operação.
Um dos argumentos apresentados prende-se com o facto de a Generali ser a maior adquirente de dívida pública italiana e por isso esta fusão poderia colocar em causa a soberania da dívida pública.
No entanto o Grupo BPCE continua, de forma persistente, muito empenhado no seu plano de crescer na Europa. O Projeto Vision 2030 foi criado contemplando cinco grandes projetos, dos quais dois estão concluídos, dois estão em andamento de acordo como planeado e apenas um deles não segue em frente.
Um deles é o Novobanco. A aquisição anunciada em Junho deste ano foi assinada no fim de Outubro, quando a DGTF (Direção Geral do Tesouro) e o Fundo de Resolução assinaram os acordos de venda da participação conjunta de 25% do Novobanco aos franceses. Isto depois de o BPCE ter assinado no passado dia 1 de agosto o contrato de compra e venda de 75% do Novobanco à Lone Star. Entretanto a Comissão Europeia já aprovou, ao abrigo do Regulamento de Fusões da UE, a aquisição do controlo único do Novobanco pelo BPCE.
A operação, segundo fontes ligadas ao processo, está a decorrer como previsto, nos tempos planeados e de forma muito suave e com boa colaboração entre as equipas. O BPCE estima que a compra do Novobanco possa estar concluída até ao final do primeiro trimestre de 2026.
Mas o projeto do BPCE de se tornar num banco pan-europeu não se resume a estes “dois motores”.
Em fevereiro adquiriu a divisão de leasing de equipamentos da Société Générale na Alemanha. A BPCE Equipment Solutions tornou-se assim o principal player de leasing de equipamentos na Europa depois da aquisição da Société Générale Financial Leasing. Hoje gere um portefólio de financiamentos de 15 mil milhões de euros, é o principal fornecedor de financiamento por arrendamento de equipamentos industriais na Europa (excluindo do setor automóvel) e conta com 1.600 colaboradores.
Também no Projecto Vision está a Estreem, uma joint venture criada pelo Grupo BPCE e pelo BNP Paribas. Ambos os grupos bancários franceses detêm uma participação igual de 50%. A empresa foi lançada em fevereiro de 2025 com o objetivo de se tornar líder no processamento de pagamentos em França e um dos três maiores players na Europa. A operação foi anunciada em junho de 2024 e tem uma timeline até 2028.
A Estreem irá processar todos os pagamentos com cartão para a BNP Paribas e o Groupe BPCE na Europa, totalizando 17 mil milhões de euros de transações por ano, posicionando-se como líder francesa em processamento, com 30% do volume de pagamentos por cartão em França.
Há ainda o Projeto Orion, um investimento de mil milhões na criação de uma plataforma tecnológica única para os Banques Populaire e Caisses d’Espargne em França (anunciado em Fevereiro de 2025 e com timeline de 4 anos) que irá acelerar o investimento, otimizar o serviço oferecido a 35 milhões de clientes e melhorar o trabalho diário dos colaboradores do Grupo, apoiando assim o desenvolvimento do negócio de banca de retalho em França.
O BPCE é o segundo maior banco de França e surgiu em 2009, após a fusão do Banque Populaire com o Caisse d’Epargne. Cerca de 80% das suas receitas têm origem em França.
Numa entrevista no Verão ao Financial Times, Nicolas Namias defendeu que são precisos bancos que tenham dimensão para financiar aquelas que são as iniciativas sublinhadas pelos Relatórios de Mario Draghi e de Enrico Letta.
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