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Primeiros projetos de hidrogénio arrancam em Sines em 2026

Primeiros projetos de hidrogénio arrancam em Sines em 2026

Sines vai assistir em 2026 ao nascimento dos dois primeiros grandes projetos de hidrogénio verde em Portugal. Após muita polémica e dúvidas sobre esta aposta, estas duas unidades já fizeram o seu caminho e preparam-se para arrancar.
A Repsol e a Galp arrancam com a produção no próximo ano nas suas unidades industriais. A ideia é usar este hidrogénio feito à base de energia renovável para substituir parte do habitual hidrogénio cinzento, com base em combustíveis fósseis, usado para a produção de combustíveis e polímeros. Estes projetos são de produção e consumo local, diferentes dos projetos de exportação que estão atrasados, suspensos ou cancelados.
Os projetos contam, no entanto, com escalas diferentes. Enquanto a Galp está a investir 250 milhões de euros para ter uma unidade com capacidade de 100 MW de eletrólise para produzir até 15 mil toneladas de hidrogénio verde por ano, a Repsol prevê investir 15 milhões para ter 4 MW de eletrólise para produzir 600 toneladas por ano. O primeiro projeto visa a redução de emissões de gases com efeito de estufa em 110 mil toneladas por ano, com o segundo a evitar a emissão de seis mil toneladas de dióxido de carbono.
“Já consumimos hidrogénio e com a ampliação do complexo de Sines, o projeto Alba, vai haver uma necessidade incremental de hidrogénio”, disse ao JE o diretor da Repsol para o hidrogénio Tomas Malango. O projeto Alba visa o investimento de 660 milhões pela Repsol para a construção de duas novas fábricas no complexo de Sines para a produção de plásticos usados para diversos fins.
“Os setores industriais, e do transporte, precisam de moléculas renováveis para a sua transição. Mas também é a construção de uma nova indústria que vai ter hidrogénio como matéria-prima”, acrescentou.
“Portugal e Espanha têm uma boa oportunidade com a disponibilidade de energias renováveis, tanto solar como eólica. Temos que aproveitar e iniciar os primeiros projetos”, afirmou Tomas Malango, defendendo “ajustes regulatórios para reduzir os custos”. O responsável acrescenta que o hidrogénio “chegará também à indústria”, mas precisa de “reduzir os custos significativamente antes de passar à indústria como calor, para ser queimado”. Para já, “uma aplicação mais industrial no sentido de substituir o cinzento. Este deveria ser o caminho principal do hidrogénio e as oportunidades que surgirem no caminho serão bem vindas”.
Já a Galp tem alertado que o investimento em hidrogénio verde serve para descarbonizar uma indústria poluente, mas que os custos desta transição são elevados. “Continuamos a investir na descarbonização da refinaria via hidrogénio, mas os níveis de competitividade são completamente diferentes. O investimento em hidrogénio verde é muito mais custoso do que em hidrogénio azul”, disse em outubro o administrador da Galp Nuno Holbech Bastos.
O gestor defende que os projetos de descarbonização devem ter mais apoios públicos perante os custos elevados da transição. “Os níveis de apoio em Espanha a projetos de hidrogénio têm sido superiores”, destacou, apontando que a Galp teve direito a um apoio de nove milhões do PRR para um investimento total de 250 milhões. Em Espanha, investimentos idênticos tiveram apoios na ordem dos 150-165 milhões.
“Mostra bem a diferença. A produção da molécula de hidrogénio por gás natural é tr a 5 vezes mais barata. Não me chocam os número de Espanha. É preciso fomentar esta descarbonização. Quem vai suportar o diferencial de custos?”, destacou.
Para Tomas Malango da Repsol, ao longo da história, a “indústria muda-se para os lugares onde há matéria-prima ou onde a energia é mais barata. A Península Ibérica tem uma oportunidade de reindustrialização deveria aproveitar a disponibilidade destes recursos naturais, como o vento e o sol. Deveria aproveitar, se não, outros vão aproveitar”, conclui o gestor que deixa críticas à Comissão Europeia. “A regulação europeia é uma loucura hoje. Só atos delegados, regulação secundária, existem 500. É o caminho usado para limitar regulamentos que foram aprovados. E tem claramente preferências tecnológicas baseadas na ideologia”, disparou.

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