F1: Associação ZERO contra o apoio do governo no regresso da competição a Portugal
A associação ambientalista ZERO opõe-se ao regresso da Fórmula 1 a Portugal com apoio financeiro do Estado, considerando essa possibilidade incompatível com a atual crise climática e com os compromissos nacionais e europeus de descarbonização.
Segundo a ZERO, a Fórmula 1 promove um modelo de mobilidade assente na queima intensiva de combustíveis fósseis, transmitindo uma mensagem contrária à necessidade urgente de reduzir emissões e apostar em transportes sustentáveis. A organização critica ainda o impacto ambiental direto da prova e das deslocações internacionais associadas, bem como o simbolismo cultural de exaltação da velocidade e do consumo energético.
A associação considera inaceitável a utilização de fundos públicos para apoiar um evento que beneficia sobretudo interesses privados, defendendo que esses recursos deveriam ser aplicados na transição energética, na mobilidade elétrica, na eficiência dos transportes e no combate à pobreza energética. Os cerca de 50 milhões de euros referidos poderiam, segundo a ZERO, gerar benefícios económicos e ambientais mais duradouros se investidos numa mobilidade limpa e descarbonizada.
A ZERO admite apenas o apoio estatal a eventos de desporto automóvel que promovam inovação e sustentabilidade, como competições de veículos 100% elétricos alimentados por energias renováveis, alertando que abrir exceções para a Fórmula 1 fragiliza a credibilidade da política climática portuguesa.
O trabalho da F1 na redução do seu impacto ambiental
Apesar do forte impacto da F1 no ambiente, tem sido também dos desportos que mais tem trabalhado para reduzir a sua pegada de carbono. A Fórmula 1 definiu uma estratégia de sustentabilidade com o objetivo de atingir a neutralidade carbónica (“net zero carbon”) até 2030, abrangendo toda a sua atividade e não apenas os monolugares. Desde 2018, a categoria já reduziu a sua pegada de carbono em cerca de 13% até 2022 e em 26% até ao final de 2024, apesar do aumento do número de corridas no calendário.
O plano passa por uma redução absoluta de pelo menos 50% das emissões face a 2018, recorrendo apenas à compensação das emissões que não possam ser eliminadas. O foco principal está nas áreas com maior impacto ambiental, como logística, viagens e consumo de energia em circuitos e instalações.
Ao nível técnico, a Fórmula 1 já utiliza combustíveis E10 e prepara a introdução, em 2026, de combustíveis 100% sustentáveis, compatíveis com motores de estrada. As novas regras preveem ainda um maior peso da componente elétrica nos motores, aumentando a eficiência energética sem perda de desempenho. Paralelamente, têm sido adotadas medidas nos pneus, materiais e equipamentos para reduzir resíduos e emissões associadas à produção.
A logística é outro pilar central da estratégia, com maior recurso ao transporte marítimo e terrestre, utilização crescente de combustíveis de aviação sustentável e reorganização regional do calendário a partir de 2026, para reduzir deslocações intercontinentais. Nos circuitos, estão a ser substituídos geradores a diesel por soluções de baixa emissão, com projetos-piloto que já reduziram drasticamente as emissões locais.
A Fórmula 1 tem também apostado na gestão de resíduos, na redução de plásticos descartáveis, na promoção de transportes públicos para os adeptos e em programas de legado ambiental nas cidades anfitriãs. As equipas acompanham este esforço com iniciativas próprias, desde o uso de energias renováveis até à investigação em materiais e processos mais sustentáveis.
Por fim, a estratégia integra uma dimensão social, com programas ligados à diversidade, inclusão e impacto positivo nas comunidades, reforçando a ambição de tornar a Fórmula 1 um desporto mais sustentável, responsável e alinhado com os desafios climáticos globais.
Sim, a F1 é um desporto de elevado impacto ambiental, mas que toma medidas para reduzir de forma clara e vincada o seu impacto, mantendo-se como laboratório da indústria automóvel no que diz respeito aos combustíveis e aos motores de elevada eficiência.
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