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Maria Luís apela a que se aproveite o momento favorável à união dos mercados de capitais

Maria Luís apela a que se aproveite o momento favorável à união dos mercados de capitais

A responsável pelos serviços financeiros da UE, Maria Luís Albuquerque, apela aos legisladores para que aproveitem o que descreveu como um “momento de urgência” para finalizar as ferramentas necessárias para criar uma verdadeira união dos mercados de capitais europeus.
A Comissária afirma que a sua conclusão poderá desbloquear biliões e dinamizar a economia europeia. “A Europa pode competir à escala dos Estados Unidos, desde que integre ainda mais o seu mercado comum e conclua urgentemente a legislação pendente”, afirmou a Comissária Europeia para os Serviços Financeiros, Maria Luís Albuquerque, no programa de entrevistas de referência da Euronews, The Europe Conversation.
Maria Luís Albuquerque reconheceu que as jurisdições rivais, como os EUA, conseguiram atrair capital e financiamento europeus que, de outra forma, permaneceriam na UE se as regras fossem mais fáceis para as empresas e os investidores.
Ainda assim, insistiu que um novo esforço para simplificar a regulamentação e integrar o mercado único, desde as grandes instituições financeiras aos aforradores, pode inverter esta situação. Criar um mercado único que conecte todos os níveis do sistema financeiro  permitindo que o capital circule sem barreiras nacionais tem sido o projeto de Maria Luís Albuquerque.
“Há muito dinheiro no mundo à procura de um destino neste momento. Se nos empenharmos, podemos fazer da Europa o local ideal”, disse à Euronews. “Quer queira ser regional, nacional ou pan-europeu, pode encontrar aqui um lar.”
A Comissária argumentou que, a cada ano, o equivalente a 300 mil milhões de euros de capital europeu sai do continente em direção aos EUA, onde a regulamentação é percebida como mais fácil pelos investidores e o capital de risco para as empresas é mais acessível. “Parte desse capital, se houvesse boas oportunidades de investimento, permaneceria aqui”, disse ela.
O objetivo da UE, afirmou, é inverter esta tendência construindo a sua própria união de mercados de capitais. “Se ancorarmos as expectativas e começarmos a apresentar resultados, estou convencida de que mais capital considerará vir para a Europa”, disse reconhecendo que “precisamos de dinamismo de mercado”.
Segundo a Euronext, operadora de mercado pan-europeia, uma maior integração dos mercados de capitais poderá desbloquear todo o potencial dos 13 biliões de euros em poupanças privadas da União Europeia. Também impulsionaria o financiamento para as empresas, que muitas vezes deixam a Europa em busca de expansão em Wall Street, além de reduzir os custos regulamentares e de compliance.
“Somos todos Draghi” na Comissão Europeia
Mario Draghi, antigo presidente do Banco Central Europeu, é o autor de um influente relatório publicado no ano passado, no qual defende que as barreiras internas têm um impacto tão prejudicial para a UE como as externas.
Nesse relatório, o italiano lamentou o facto de os “mercados de capitais europeus se manterem fragmentados e os fluxos de poupança para estes mercados serem mais baixos” em comparação com os seus pares.
Maria Luís Albuquerque afirmou que a Comissão Europeia analisa o relatório com atenção e que as suas recomendações não passam despercebidas. “Somos todos Draghianos”, disse ela.
Obter o selo de aprovação de Draghi é importante, uma vez que a sua voz tem um grande peso na Europa. Os seus discursos são acompanhados de perto pelos chefes de Estado e amplamente lidos nos meios diplomáticos de Bruxelas, nas capitais e na Comissão Europeia.

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