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Portugal está muito exposto aos riscos de incêndio mas exposição direta da banca no crédito é limitada

Portugal está muito exposto aos riscos de incêndio mas exposição direta da banca no crédito é limitada

O Banco de Portugal publicou o Relatório Anual sobre a Exposição do Setor Bancário ao Risco Climático. A edição de 2025 deste relatório dá um foco especial à exposição ao risco de incêndio rural. Pois em Portugal, “os incêndios constituem um dos riscos climáticos físicos mais relevantes, com impactos significativos no ambiente, na economia e nas populações”.
Os riscos climáticos transmitem-se setor bancário, na medida em que possam comprometer a posição financeira das empresas e das famílias, afetando a sua capacidade de cumprir o serviço da dívida e/ou diminuindo o valor dos ativos dados em garantia (colaterais) nos empréstimos.
Este relatório dá um foco especial à avaliação da exposição do sistema bancário português a este risco climático físico, na perspetiva da estabilidade financeira.
“Além dos seus efeitos económicos e sociais, os incêndios destroem ecossistemas e biodiversidade e contribuem de forma expressiva para a emissão de gases com efeito de estufa, agravando ainda mais as alterações climáticas”, destaca o supervisor.
No entanto, e apesar de Portugal estar particularmente exposto aos riscos de incêndio, a exposição direta do setor bancário à perigosidade de incêndio rural é limitada no crédito a empresas e a particulares.
O Banco de Portugal revela ainda que os grandes incêndios de 2017 aumentaram o risco de crédito das empresas, mas não houve um aumento do incumprimento.
“A conjugação da perigosidade de incêndio rural com a classe de risco de crédito das empresas não revelou concentração de riscos”, sublinha o banco central.
A exposição do crédito hipotecário a particulares aos níveis mais elevados de perigosidade de incêndio rural é limitada pois esta componente representa, em dezembro 2024, 27% do total do ativo dos bancos.
Outra conclusão deste relatório é que “os bancos efetuaram progressos no tratamento dos riscos climáticos e ambientais, embora ainda insuficientes para assegurar uma gestão adequada destes riscos”.
O relatório revela também que a proporção de empréstimos concedidos a empresas de setores mais intensivos em carbono é superior ao peso destas empresas na atividade económica (conclusão semelhante para área do euro) e diz que “não se identifica concentração excessiva a setores de atividade mais intensivos em carbono na carteira de empréstimos a empresas”.
O Banco de Portugal é responsável pela supervisão direta dos bancos mais pequenos. Nesse contexto destaca que nos bancos menos significativos observam-se progressos generalizados no nível de conformidade, face a final de 2023. “No entanto, as medidas implementadas pelos bancos são ainda insuficientes para assegurar uma adequada identificação e gestão do risco climático e ambiental”, acrescenta.
O banco central diz que permanece a necessidade das instituições acelerarem os seus esforços de adaptação, para assegurar a conformidade com as orientações do supervisor de forma plena e tempestiva e a sua resiliência no decurso do processo de transição climática.
Clara Raposo, Vice-Governadora, na nota de abertura salienta que “no âmbito da missão de salvaguarda da estabilidade financeira, o Banco de Portugal monitoriza os impactos dos riscos climáticos no setor bancário através de três atividades principais: a análise dos riscos financeiros decorrentes das alterações climáticas, a avaliação da exposição e da resiliência do setor bancário português a estes riscos e a verificação da adequação dos instrumentos e das práticas de supervisão para, no âmbito da participação no Mecanismo Único de Supervisão (MUS), promover a resiliência do setor bancário ao longo do processo de transição climática e face à materialização dos riscos físicos”.
“O capítulo 1 do relatório apresenta dados recentes sobre a evolução das alterações climáticas a nível global e na União Europeia, bem como evidência sobre a incidência de incêndios a nível global, na União Europeia e em Portugal. No capítulo 2 analisamos a exposição do setor bancário português ao risco climático físico de incêndio e incluímos um estudo sobre o impacto dos grandes incêndios de 2017 na qualidade creditícia das empresas. Este capítulo avalia também a exposição do setor bancário aos riscos de transição climática com base na carteira de empréstimos bancários a empresas”, escreve Clara Raposo.
Já o capítulo 3 “apresenta a evolução das principais atividades de supervisão microprudencial do Mecanismo Único de Supervisão europeu e do Banco de Portugal que visam reforçar a resiliência das instituições supervisionadas no decurso do processo de transição climática” e o último capítulo “sintetiza as principais iniciativas de regulação e de supervisão em curso, refletindo a participação do Banco de Portugal em várias instâncias internacionais”.
Clara Raposo defende a “importância de uma ação coordenada a nível global para enfrentar as alterações climáticas — exemplo paradigmático de um bem público — e destaca o papel do sistema financeiro nas políticas de adaptação aos riscos climáticos”.
O relatório está enquadrado na taxonomia de avaliação de riscos climáticos considerada no quadro europeu.
As atuais prioridades de supervisão do Mecanismo Único de Supervisão incluem os riscos climáticos.
 

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