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BCE: Lagarde reconhece alterações na estrutura da economia europeia

BCE: Lagarde reconhece alterações na estrutura da economia europeia

A presidente do Banco Central Europeu (BCE) admite que há indícios de algumas alterações estruturais na economia europeia, nomeadamente no que diz respeito ao crescimento, e reconhece que um euro forte face ao dólar deve ajudar a inflação a cair. Quanto à política monetária, Lagarde continua a ver o banco “numa boa posição” e reforçou que não há um rumo já pré-determinado.
Na reunião desta quinta-feira, a última de 2025, o BCE optou por manter as taxas inalteradas pela quarta vez. O indicador de referência permanece assim em 2%, como era já largamente esperado pelo mercado. No que toca às projeções macro, o crescimento foi revisto em alta para este ano e o próximo, sendo expectável agora 1,4% em 2025 e 1,2% em 2026.
Na conferência de imprensa que se seguiu ao anúncio, Lagarde reconheceu que “algumas alterações estão a ocorrer na nossa economia” e que surpreenderam os técnicos do BCE pela positiva. A economia continua “resistente” e o “crescimento assente nos serviços deve continuar” nos próximos anos, combinado com uma procura interna e consumo fortes.
Por outro lado, os gastos públicos em defesa e infraestrutura “devem suportar o investimento”, que deverá crescer nos próximos anos, sobretudo fruto da pesquisa e investigação em inteligência artificial. E esta tendência é observável “em grandes empresas e PME”, denota Lagarde.
Em sentido inverso, o ambiente global e o comércio internacional devem ser um peso para o crescimento – e ainda mais considerando a escalada tarifária dos EUA.
“Uma coisa que não mudou, contudo, foi a incerteza – e até pode ter piorado”, prosseguiu a presidente do BCE. Como tal, “com este grau de incerteza, é-nos totalmente impossível avançar com qualquer forward guidance”, ou seja, um caminho pré-determinado para as taxas de juro daqui para a frente.
O mercado inclina-se cada vez mais para que a próxima mexida nos juros de referência possa ser uma subida, uma visão reforçada por comentários recentes na antecâmara da reunião desta quinta-feira por vários dos governadores mais hawkish do banco central, incluindo a vice-presidente, Isabel Schnabel. Ainda assim, Lagarde recusou fazer projeções.
“Reconfirmámos que estamos numa boa posição, mas isso não quer dizer que estejamos estáticos”, reforçou, falando numa “abordagem dependente dos dados”, expressões repetidas várias vezes nas conferências de imprensa da presidente do banco central este ano. Quanto à decisão de dezembro, Lagarde falou em “unanimidade”.

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