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Passivos contingentes em Portugal caem para metade do pico da pandemia

Passivos contingentes em Portugal caem para metade do pico da pandemia

Os passivos contingentes na economia nacional em 2024 chegaram a 6,7% do Produto Interno Bruto (PIB), um valor que corresponde a quase metade do pico registado na pandemia, de 12,6%, e que tem vindo a cair de forma sustentada desde então. Isto coloca o país no fundo da tabela europeia no que respeita a este indicador, embora no que toca às parcerias público-privadas (PPP) o cenário seja diametralmente oposto.
O relatório ‘Posição e evolução dos passivos contingentes das Administrações Públicas’ do Conselho de Finanças Públicas (CFP) e publicado esta quinta-feira fala numa “descida contínua” das responsabilidades contingentes em Portugal desde a pandemia, quando se registou um disparo até aos máximos históricos deste indicador.
Olhando só para as administrações públicas, o valor corresponde a 3,1% do PIB, também aqui verificando-se uma queda expressiva em relação aos 6,4% registados em 2020. A destacar, “mais de dois terços do total de garantias concedidas pelo Estado destinavam-se à Região Autónoma da Madeira e às empresas públicas de infraestruturas”, sendo que, no final do ano passado, o Fundo de Contragarantia Mútuo (FCGM) detinha uma carteira viva superior a 3,5 mil milhões de euros.
Deste montante, 1.887 milhões reportavam ainda a linhas relacionadas com a Covid-19.
Nesta análise, o CFP sublinha que “as garantias concedidas a outras entidades das administrações públicas não constituem risco acrescido, dado que a sua eventual materialização terá um efeito neutro, em termos consolidados, no saldo e/ou na dívida”.
Focando no caso das PPP, também se verifica uma tendência de redução, embora menos expressiva. De 1,4% do PIB em 2023, o indicador caiu para 1,2% em 2024, o que significa que Portugal regista o maior peso destas parcerias em função do PIB na UE. Para a União, a média é de apenas 0,2%.
“Na projeção mais recente do Ministério das Finanças, os encargos globais líquidos deverão aumentar temporariamente em 2026, prevendo-se que apenas no início da década de 50 se tornem positivos”, explica a análise, referindo-se à evolução das PPP. “A partir de 2053, prevê-se que os encargos líquidos se tornem positivos, refletindo sobretudo a receita líquida gerada pela concessão aeroportuária atribuída à ANA”.
Ainda assim, olhando para a totalidade das responsabilidades contingentes, a economia nacional surge como a quarta da UE onde estas têm um menor peso no PIB, refere o relatório, sendo a média europeia de 19,7%.
Subsistem, contudo, riscos. No caso das PPP, o CFP aponta para 1.754 milhões de euros “associados a litígios e pedidos de reposição do equilíbrio financeiro”, concentrados sobretudo no setor rodoviário. Junta-se a isto outros 99,5 milhões relacionados com a Região Autónoma dos Açores, com especial incidência no Grupo SATA, levando a instituição liderada por Nazaré da Costa Cabral a afirmar que, “apesar da heterogeneidade contratual, estes instrumentos representam riscos reais caso venham a ser acionados”.
“Adicionalmente, a recente revisão da Diretiva 2011/85/UE reforça a necessidade de escrutínio sobre riscos climáticos e catástrofes naturais”, lê-se no relatório.
Este foi o primeiro documento desta natureza e magnitude publicado pelo CFP, que expande assim outros estudos anteriores sobre o tema. O objetivo, explica, é “apresentar uma visão quantificada e abrangente das responsabilidades contingentes, com base na classificação e no reporte harmonizado definidos pelo Eurostat”.

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