A carregar agora

Schroders: Investidores colocam resiliência do portefólio como prioridade para 2026

Schroders: Investidores colocam resiliência do portefólio como prioridade para 2026

A resiliência do portefólio foi a prioridade mais importante apontada pelos investidores para o que resta de 2026 e também para 2026, tendo em conta o Global Investor Insights Survey da Schroders, indicou o diretor de investimentos da organização para os mercados privados (private equity na sigla inglesa), Nils Rode.
Para a Schroders a “aparente calma” que os mercados financeiros apresentam atualmente, que se traduz num “forte desempenho” do mercado acionista e nos “baixos rendimentos” das obrigações, está a “mascarar” um cenário “complexo”.
A empresa salienta que a inflação “continua elevada” a que se junta um aumento das pressões fiscais e pontos de tensão geopolítica que “continuam a testar” a estabilidade global.
“Até o entusiasmo em torno da inteligência artificial (IA), embora transformadora, corre o risco de alimentar novos desequilíbrios de avaliação”, considera o diretor de investimentos de mercados privados da Schroders.
Nils Rode considera que os mercados privados (private equity na tradução inglesa) podem ser vistos como uma área “fundamental” onde as forças cíclicas e estruturais “estão a alinhar-se” para criar oportunidades.
“Enquanto muitos mercados públicos estão precificados perto de máximos históricos, os mercados privados encontram-se numa fase diferente do ciclo. A captação de recursos, a atividade de fusões e aquisições (M&A na sigla inglesa) e as saídas de ativos diminuíram de forma generalizada nos últimos anos, o que impulsionou uma reavaliação em todas as classes de ativos e segmentos”, explica Nils Rode.
Para o diretor de investimentos de mercados privados da Schroders esta “dissociação” cíclica cria um ambiente “mais saudável” para novos investimentos, “sustentando preços de entrada atrativos e um potencial de rendimento melhorado”.
“Ao mesmo tempo, as tendências estruturais continuam a impulsionar a criação de valor. A transição energética global, a deslocalização das cadeias de abastecimento e a transformação digital em curso continuam a impulsionar o crescimento a longo prazo”, adianta Nils Rode.
Contudo Nils Rode considera que nem todas as estratégias de mercado privado “estão posicionadas” para responder igualmente a este ambiente. “As oportunidades de retorno resiliente prosperam onde existe uma combinação de ineficiência, disrupção, risco diferenciado e lastro em ativos tangíveis”, adianta o diretor de investimentos de mercados privados da Schroders.
“Considere pequenas aquisições ou investimentos de continuidade em private equity, financiamento especializado e dívida de ativos reais dentro do crédito privado, infraestruturas de transição energética ou imóveis operacionais selecionados”, aconselha Nils Rode.
Para Nils Rode os investidores mais bem-sucedidos serão aqueles capazes de “combinar aportes constantes com seletividade”. O diretor de investimentos da Schroders defende que os mercados privados, com o seu capital de longo prazo e envolvimento activo, “não são imunes” à incerteza mas estão “bem posicionados para contribuir com carteiras diversificadas e resilientes”.
Mercados privados estão em período de recalibração
Nils Rode sublinha que os mercados privados “continuam” num período de recalibração. “A captação de recursos e a atividade de fusões e aquisições permanecem abaixo dos níveis anteriores a 2022, enquanto as vias de saída se estreitaram e os períodos de investimento se alongaram”, explica o diretor de investimento de mercados privados da Schroders.
“Estas influências cíclicas, combinadas com um financiamento mais restrito e uma volatilidade macroeconómica persistente, estão a remodelar o panorama dos investimentos. No entanto, em vez de sinalizar fraqueza, esta fase está a restaurar o equilíbrio e a disciplina. Em síntese, menor concorrência, contributos mais seletivos e maior dispersão de preços estão a preparar o terreno para colheitas mais robustas no futuro”, diz Nils Rode.
Na visão de Nils Rode o mercado atual “favorece” estratégias capazes de aproveitar três fontes complementares de resiliência: líderes locais, crescimento transformador e inovação multipolar.
Nils Rode adianta também que as aquisições de pequenas e médias empresas (para nós, transações com valores de mercado inferiores a mil milhões de dólares) tornaram-se o “motor de resiliência” do capital privado. “Com a concentração de capital a aumentar a concorrência noutros setores, estes investimentos oferecem avaliações de entrada atrativas, que são em média 40 a 50% inferiores às das grandes aquisições e das pequenas empresas cotadas em bolsa comparáveis”, diz o diretor de investimentos de mercados privados da Schroders.
“As aquisições mais pequenas dependem também menos da alavancagem e mais da agilidade operacional e da criação de valor. A maioria delas também tem como alvo empresas orientadas para os serviços, com foco no mercado doméstico ou regional, limitando a exposição às oscilações do mercado de capitais global e proporcionando rotas de saída mais estáveis ​​através de vendas estratégicas e transações com patrocinadores”, acrescenta Nils Rode.
Nils Rode deixa ainda um alerta e aponta para outras oportunidades de investimento. “Para além da inteligência artificial, onde a crescente valorização justifica cautela em fases mais avançadas, os avanços na biotecnologia, tecnologia climática, fintech e deep tech oferecem diversos pontos de entrada com avaliações mais atrativas. O recente arrefecimento do mercado de capital de risco na biotecnologia, em particular, está a abrir oportunidades contrárias à tendência”, explica o diretor de investimentos de mercados privados da Schroders.
Nils Rode aborda também a realidade norte-americana. Para o diretor de investimentos da Schroders a recente legislação fiscal e orçamental eliminará gradualmente os créditos fiscais federais para as energias renováveis ​​num calendário “mais acelerado” algo que “provavelmente desencadeará” um aumento a curto prazo da atividade dos projetos, à medida que os promotores “procuram garantir incentivos” antes que expirem. “Posteriormente, esperamos uma moderação – mas não uma paragem – no desenvolvimento de novas centrais eólicas e solares”, considera Nils Rode.
“A competitividade de custos inerente às energias renováveis ​​​​e a procura contínua de nova capacidade de geração, refletindo a forte procura de áreas como os data centers (centros de dados), deverão continuar a sustentar o crescimento a longo prazo da infraestrutura de energias renováveis ​​​​nos Estados Unidos”, diz o diretor de investimentos de mercados privados da Schroders.
Mercado das energias renováveis tornou-se favorável a compradores
Nils Rode diz ainda que o mercado das energias renováveis “​​mudou decisivamente para um mercado favorável” aos compradores. “A recalibração das expectativas de retorno – impulsionada por taxas de juro mais elevadas e menor disponibilidade de capital – abriu um fosso entre a oferta e a procura de capital, criando pontos de entrada atrativos para os investidores de longo prazo”, salienta o diretor de investimentos de mercados privados da Schroders.
“Priorizamos estratégias focadas em ativos operacionais e em fase de construção de alta qualidade que ofereçam uma forte visibilidade do fluxo de caixa e potencial para retornos melhorados através de uma gestão ativa. Seletivamente, existem oportunidades de maior retorno em áreas emergentes e complementares, embora continuemos cautelosos em relação a empreendimentos em fase inicial. A discrepância de avaliação entre ativos cotados e não cotados também impulsionou uma onda de aquisições de empresas de capital fechado”, descreve Nils Rode.
Mercado imobiliário deve ter atingido ponto de inflexão
Nils Rode considera também que após um longo período de descoberta de preços e ajustes desiguais, “há cada vez mais evidências” de que o mercado imobiliário global “atingiu um ponto de inflexão, com uma recuperação em curso”.
O diretor de investimento de mercados privados da Schroders salienta que a estrutura de avaliação da organização indica uma “parcela crescente” de oportunidades com “preços atrativos” em diversos setores e regiões. “Assim, acreditamos que estamos a viver uma sequência promissora de oportunidades de investimento para aplicar nesta classe de ativos”, diz Nils Rode.
“Estamos particularmente interessados ​​em setores onde a melhoria operacional pode gerar alfa. Isto inclui a logística, os formatos residenciais e de armazenamento, e a hotelaria, que oferecem agora distorções de preços significativas em relação ao seu potencial de crescimento de rendimentos a longo prazo. Mais recentemente, o sentimento dos investidores foi impulsionado pela redução das tensões globais e por uma maior certeza em relação ao ambiente tarifário”, diz Nils Rode.
Nils Rode adianta também que embora as expectativas da Schroders de crescimento económico e de rendas “permaneçam modestas”, a escassez de oferta “continua a sustentar” o desempenho operacional.
“Os elevados custos de construção e a menor disponibilidade de crédito reduziram significativamente o número de novos projectos. Observamos evidências crescentes de um impacto dos “custos” nas rendas, com o aumento das despesas de construção a impulsionar os aumentos das rendas para manter a viabilidade dos empreendimentos”, explica Nils Rode.
“Caso as economias recuperem o ritmo, esta dinâmica poderá permitir que ativos bem posicionados gerem um crescimento real dos rendimentos. As condições de oferta restrita e os custos crescentes de construção, juntamente com as reavaliações, estão, portanto, a criar as bases para um melhor desempenho a longo prazo”, adianta o diretor de investimentos de mercados privados da Schroders.
Schroders recomenda postura neutra em todos os setores
Nils Rode refere que o posicionamento preferencial de portfólio, da Schroders, “mudou firmemente para uma postura mais neutra” em todos os setores.
“Isto deve-se à maior visibilidade dos “aluguer de piso” nos setores do retalho e dos escritórios, bem como aos elevados rendimentos disponíveis para ativos com potencial de valorização futura. De uma forma mais ampla, esperamos que as considerações sobre os activos e a microlocalização, por exemplo, os perfis de sustentabilidade dos edifícios, tenham uma maior influência no desempenho relativo no futuro, em comparação com os últimos anos, que registaram uma divergência recorde no retorno total a nível sectorial”, explica o diretor de investimentos de mercados privados da empresa.
“O setor do retalho, após anos de desempenho abaixo do esperado, surpreendeu pela positiva, impulsionado por modelos operacionais melhorados. Enquanto isso, os segmentos residenciais e operacionais – como a habitação para arrendamento, as residências de estudantes e a saúde – continuam a demonstrar fundamentos sólidos, oferecendo uma repercussão da inflação e uma menor sensibilidade à economia”, salienta Nils Rode.
Nils Rode diz ainda que o cenário atual “está a catalisar” oportunidades atrativas de recapitalização e operações secundárias em plataformas imobiliárias e outras entidades holding.
“Estas oportunidades envolvem o fornecimento de soluções de capital a equipas de gestão consolidadas que enfrentam restrições de tempo e/ou de capital para otimizar o valor dos seus ativos. As oportunidades são ainda mais impulsionadas por dinâmicas cíclicas e estruturais favoráveis ​​– particularmente a necessidade de lidar com a complexidade operacional e os requisitos de sustentabilidade – e pela desvalorização do capital, que exacerbou os desafios de financiamento”, refere o diretor de investimentos de mercados privados da Schroders.

Share this content:

Publicar comentário