Dona da British/Iberia quer ter a maioria da TAP
Está esclarecido o irritante da dona da British Airways/Iberia em relação ao processo de privatização da TAP. Quando apresentou a sua manifestação de interesse a 21 de novembro, a IAG declarou que era “necessário esclarecer vários temas antes de o IAG poder propor um investimento”. Na altura, a companhia aérea rejeitou fazer mais comentários.
Mas agora já há mais pistas em cima da mesa. A IAG disse hoje que prefere ter a maioria do capital da TAP para melhorar as margens de lucro da companhia aérea portuguesa.
“Para fazer isso, precisaríamos de um caminho muito claro para a propriedade da companhia, propriedade total ou maioritária, e neste momento isso não está em cima da mesa”, disse à “Bloomberg” Nicholas Cadbury, administrador financeiro da IAG.
A 21 de novembro, a frontalidade da IAG, deixou muitas dúvidas no setor da aviação em Portugal, especialmente numa altura tão precoce da privatização, e feito de forma tão pública.
Recorde-se que o Governo quer vender 49,9% da companhia aérea portuguesa, com 5% destinado aos trabalhadores.
A TAP detém margens de 8% atualmente, com a IAG a ter como meta para as suas empresas margens de 12%-15%.
A IAG – liderada pelo espanhol Luis Gallegos – está na corrida à privatização da TAP em conjunto com a Air France-KLM e a Lufthansa.
A dona da British Airways e da Iberia diz que precisa de trabalhar com o Governo português para perceber como pode transformar e a investir na TAP. “Se não conseguirmos fazer isso, vai ser muito difícil chegar a acordo”, acrescentou.
TAP. Governo espera propostas não-vinculativas até 2 de abril
As declarações da IAG tiveram lugar no mesmo dia em que o Governo anunciou que espera ter as propostas não-vinculativas para a TAP ainda no primeiro trimestre de 2026.
“No primeiro trimestre de 2026, teremos as propostas não vinculativas”, disse hoje o ministro das Infraestruturas Miguel Pinto Luz em conferência de imprensa no Entroncamento.
O ministro explicou que a segunda etapa arranca a 2 de janeiro com o envio dos convites aos três candidatos na corrida – Air France-KLM, Lufthansa e IAG. Nesta fase, “será disponibilizada informação sobre a TAP, para preparação das propostas não vinculativas”.
Depois, serão “celebrados acordos de confidencialidade com os proponentes”, com as propostas não-vinculativas a terem de ser entregues até ao dia 2 de abril, dia em que terminam os 90 dias após o arranque desta fase.
Na próxima fase, já é exigido mais dos candidatos: plano industrial, visão estratégica, plano para as rotas, “salvaguarda de ligações, riscos regulatórios, direitos e valorização dos trabalhadores, “manter a marca e sede em Portugal, sinergias, “respeito pela legislação” no direito da concorrência, condicionantes da operação, governo societário ou acordo parasocial, explicou o ministro.
Miguel Pinto Luz destacou que, apesar de o Governo ter decidido alienar uma participação minoritária (49,9%),”os três maiores grupos europeus vieram a jogo” o que demonstra a “saúde económico-financeira da companhia”.
O ministro explicou que as operações de handling e de catering ficam de fora da privatização e que serão vendidas à parte, com as receitas a reverter para os cofres públicos. Já o reduto da TAP no Humberto Delgado também fica de fora do processo de privatização, com a tutela na “fase final” da sua análise a este dossier.
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