A carregar agora

Aguardente CR&F celebra 130 anos com 365 garrafas a mil euros

Aguardente CR&F celebra 130 anos com 365 garrafas a mil euros

Proveniente de uma única barrica, com 51% de teor alcoólico e um custo de 1.070 euros. É caso para dizer que a aguardente XO Cask Strength, não é para o goto e bolso de qualquer um.
Limitada a 365 garrafas, esta aguardente celebra os 130 anos da CR&F, marca adquirida pelo grupo João Portugal Ramos (JPR) em 2016.
“Já estão a ser comercializadas e prestes a esgotar”, diz ao JE Filipa Portugal Ramos, diretora de marketing do JPR, que fechou 2025 com uma faturação de 30 milhões de euros, dos quais a CR&F, representa já 20%.
“Não me importo de aumentar essa percentagem, desde que os vinhos também cresçam. Desde que ficámos com a aguardente, há 10 anos, os números quase duplicaram”, refere, acrescentando que deste volume de faturação 65% diz respeito à exportação e os restantes 35% ao mercado nacional.
De resto, adianta que 1/3 da produção de CR&F é vendida no mercado internacional, com destaque para Estados Unidos, Angola e Macau. “Temos alguns países da Europa, pela proximidade – Suíça, Luxemburgo e França – e ainda o Canadá, que tem sido um mercado com bastante sucesso”, salienta a diretora de marketing,
Sobre o ano que agora termina, Filipa Portugal Ramos revela que os planos de exportação não corresponderam às expectativas, nomeadamente nos Estados Unidos, onde a empresa tinha uma ambição muito grande para este ano, mas que, devido à incerteza nas tarifas, no início de 2025, aqueles sofreram algum atraso. “Recuperámos bastante no final do ano, mas não chega para aquilo que é a nossa ambição”, enfatiza.
Ainda assim, destaca que os vinhos no mercado nacional também tiveram uma performance positiva.
“Tendo um negócio muito diversificado a nível de locais geográficos, acabam por umas regiões compensar as outras. As quedas nalguns mercados externos foram compensadas pelo crescimento noutros”, refere, alertando que dentro do mercado nacional “vemos um ligeiro abrandamento na área da restauração”.
Questionada sobre os mercados que mais sobressaíram a nível internacional, Filipa Portugal Ramos destaca o Norte da Europa, como uma geografia onde o grupo já está bastante consolidado, mas continua a crescer.
“O Canadá, também fruto da incerteza das tarifas nos Estados Unidos, abriu portas a diferentes geografias e Portugal surfou essa onda. Tivemos também números bastante positivos nesse mercado, bem como no Brasil, com o crescente investimento em marcas como o Marquês de Borba e o Pouca Roupa”, explica.
Para 2026, o plano passa por alargar a distribuição de novas marcas no território norte-americano. Na sua opinião, considera que tem de deixar de ser visto como um país e passar a ser visto como um conjunto de 50 países.
“Através de uma estratégia mais regional e adequada a cada geografia dentro dos Estados Unidos, achamos que vamos ter melhores resultados”, sublinha.
Outra das geografias onde o grupo João Portugal Ramos ambiciona crescer é o mercado asiático. Filipa Portugal Ramos assume vão dar “uma nova oportunidade” a esse mesmo mercado, uma vez que tem estado “adormecido”.
“Acho que havia muita expectativa, principalmente para o mercado chinês, mas os números falam por si, o consumo per capita continua bastante inferior”, afirma.
No entanto, a diretora de marketing defende que não se pode apontar o dedo apenas à pandemia.
“Claro que atrasou os planos de todas as empresas, mas o que é facto é que para uma economia que cresce como a chinesa, o consumo dos vinhos já podia ter acelerado bastante mais. Acho que é muito cultural”, sublinha. E acrescenta: “o Brasil também continua a estar no nosso foco”.
“Há uma agenda muito forte da OMS contra o álcool”
A diretora de marketing do grupo João Portugal Ramos não tem dúvidas de que o consumo de vinho e bebidas alcoólicas, em geral, está na ordem do dia, e que tem pela frente vários desafios.
“Há uma agenda muito forte da OMS contra o consumo de álcool. Parece que metem tudo no mesmo ‘bolo’. Bebidas espirituosas, cerveja, vinho, tudo é álcool”, afirma.
Face a isto, considera que os produtores do mundo inteiro deviam unir-se contra esta narrativa que, no seu entender, acaba por estar errada.
“Beber dois ou três copos de vodka não é o mesmo que beber um copo de vinho durante uma refeição”, realça.
Contudo, assume que os números e o consumo de vinho, mundialmente, vão sofrer nos próximos tempos com esta narrativa. A ambição, contudo, mantém-se: crescer.
“Estamos preparados para o fazer. Temos equipa, instalações e produção para esse efeito”, conclui.
Edição especial de natal do Jornal Económico de 19 de dezembro.

Share this content:

Publicar comentário