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Ataques israelitas fizeram pelo menos 405 mortos em Gaza desde o cessar-fogo

Ataques israelitas fizeram pelo menos 405 mortos em Gaza desde o cessar-fogo

Pelo menos 405 pessoas morreram devido a ataques israelitas na Faixa de Gaza, mesmo com o cessar-fogo acordado em 10 de outubro com o Hamas, segundo o ministério da Saúde, controlado pelo grupo palestiniano. No mesmo período, o número total de feridos chegou aos 1.115. Durante as últimas semanas, o exército de defesa de Israel (IFD) também tem multiplicado os ataques no Líbano. Esta segunda-feira, bombardeou um carro perto da cidade de Sidon, matando pelo menos três pessoas. No mesmo dia, em Jerusalém Oriental, as forças israelitas demoliram um prédio residencial, desalojando 13 famílias palestinianas – com as autoridades locais a afirmarem que Israel realizou 370 operações desse tipo em Jerusalém este ano.
No último relatório das autoridades palestinianas citado pela Lusa registou mais quatro mortes de cidadãos na sequência de desabamentos de prédios, elevando o número total de mortos para 15. Muitos desses prédios foram bombardeados durante a guerra e agora são afetados pelas tempestades de inverno. “Diversas vítimas permanecem sob os escombros e nas estradas, onde ambulâncias e equipas da Defesa Civil não conseguem chegar”, alertou o Ministério da Saúde palestiniano.
Entretanto, o Ministério da Saúde de Gaza alertou para que os hospitais no enclave palestiniano enfrentam uma escassez crítica, com os stocks de medicamentos reduzidos em 52% e os de material médico em 71%. O alerta foi feito após uma coletiva de imprensa realizada no Hospital al-Shifa, na zona oeste da Cidade de Gaza, para destacar as graves consequências da escassez de suprimentos farmacêuticos, médicos e laboratoriais.
O sistema de saúde enfrenta “um estado de exaustão sem precedentes e perigoso” após dois anos de guerra e um bloqueio rigoroso, que reduziram severamente a capacidade de fornecer serviços de diagnóstico e tratamento”, afirmou o Ministério, citado imprensa internacional. O relatório afirma que a escassez que afeta os serviços de emergência e de terapia intensiva chega a 38%, o que pode privar cerca de 200 mil pacientes de atendimento de emergência, 100 mil pacientes de serviços cirúrgicos e 700 pacientes de terapia intensiva.
O Ministério afirmou ainda que a crise está a ser agravada pelas contínuas restrições de Israel à entrega de ajuda médica, permitindo a entrada de menos de 30% das necessidades mensais de camiões médicos em Gaza. E acrescentou que os materiais médicos que chegam ao enclave muitas vezes não atendem às necessidades reais em termos de tipo e prioridade. Nesse contexto, aquela estrutura pediu aos órgãos internacionais competentes que tomem medidas urgentes para garantir a entrada regular de medicamentos e material médico e que pressionarem Israel para permitir o acesso humanitário sem restrições.
Apesar do cessar-fogo, Israel continua a violar a sua aplicação ao não permitir a entrada da quantidade acordada de camiões com ajuda médica, agravando o que o Ministério da Saúde descreveu como uma emergência sanitária crítica e contínua.
Entretanto, o governo israelita autorizou o estabelecimento de 19 novos colonatos judaicos na Cisjordânia, uma medida anunciada pelo ministro das Finanças que acelera ainda mais a expansão de Israel para territórios que não lhe são reconhecidos e ameaça a possibilidade de um Estado palestiniano algum dia vir a ser criado. A decisão eleva o número total de novos colonatos criados nos últimos anos para 69, um novo recorde, de acordo com o ministro das Finanças, Betzalel Smotrich – um dos extremistas de direita que faz parte do governo.
Entre os novos 19 colonatos constam dois que tinham sido evacuados durante um plano de irradicação dos colonatos de 2005. A aprovação aumenta o número de colonatos na Cisjordânia em quase 50% durante o mandato do atual governo. Em 2022, havia 141 em toda a Cisjordânia. Após a última aprovação, esse número sobe para 210.
A aprovação ocorre num momento em que os Estados Unidos pressionam Israel e o Hamas para avançarem com a segunda fase do cessar-fogo em Gaza. O plano mediado pelos EUA prevê um possível “caminho” para um Estado palestiniano, algo que os colonatos tratam de impedir.

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