A carregar agora

Procura global por frutas e vegetais secos biológicos acelera exportações

Procura global por frutas e vegetais secos biológicos acelera exportações

Há sabores que viajam mais longe do que imaginamos. O tomate seco e o caju biológico, por exemplo, estão a conquistar paladares em todo o mundo, enquanto abrem novas oportunidades para exportadores atentos às tendências do mercado alimentar global. Numa altura em que consumidores procuram alimentos mais saudáveis, sustentáveis e com maior durabilidade, estes produtos surgem como verdadeiros protagonistas de uma mudança de hábitos e de cadeias alimentares.
Um estudo da Malatya Apricot, intitulado “Global Export Opportunities Accelerate as Demand for Organic Dried Fruits and Vegetables, Dried Tomatoes, and Cashew Continues to Rise”, revela que a procura por frutas e vegetais secos biológicos tem vindo a crescer de forma consistente. A tendência não é apenas uma questão de moda: trata-se de uma transformação profunda na forma como produtores, distribuidores e consumidores pensam a alimentação. Segundo Ertugrul Evliyaoglu, responsável da Malatya Apricot, “o mercado global de frutas e vegetais secos biológicos está a crescer de forma consistente à medida que os compradores internacionais priorizam alimentos saudáveis, estáveis e de origem sustentável”.
O tomate seco, com a sua cor intensa e sabor concentrado, tem vindo a tornar-se um ingrediente indispensável nas cozinhas profissionais e caseiras. Basta um punhado de tomates secos para transformar um simples prato de massa, um risoto ou uma salada em algo memorável. Mais do que um condimento, é uma explosão de sabor que atravessa continentes, embalado em pequenos pedaços de sol e de paciência, seco lentamente para preservar cada nuance de aroma e textura. A versão biológica agrega ainda outro valor: a confiança de saber que se está a consumir um alimento livre de químicos, respeitando normas rigorosas de certificação europeia e norte-americana. Especificamente para tomates desidratados, a Verified Market Research indica que o segmento global tinha um valor de cerca de 1,38 bilhões de dólares (1,27 mil milhões de euros) em 2023 e deverá alcançar 1,84 bilhões de dólares (1,69 mil milhões de euros) até 2031, com um CAGR estimado em 4,1%.
O caju, por sua vez, mantém-se como um dos frutos de casca rija mais transacionados a nível global e acompanha a expansão das dietas de base vegetal. A sua utilização em bebidas alternativas, queijos veganos, cremes culinários e snacks proteicos tem reforçado a procura internacional, sobretudo nos segmentos ligados à alimentação saudável e à inovação alimentar. A certificação biológica torna-se cada vez mais determinante, permitindo o acesso a compradores que exigem conformidade com regulamentos da União Europeia e dos Estados Unidos, bem como critérios ambientais, sociais e de governação (ESG).
No caso das frutas secas orgânicas, segundo a Business Research Insights, o mercado global estava projetado em 1,82 bilhões de dólares (1,67 mil milhões de euros) em 2025 e deve atingir aproximadamente 3,82 bilhões de dólares (3,51 mil milhões de euros) até 2034, crescendo a uma taxa anual composta de cerca de 8,6%. Esse crescimento mais acelerado em comparação com frutas secas tradicionais reflete a crescente preferência dos consumidores por produtos naturais, saudáveis e orgânicos, além de um aumento da conscientização sobre sustentabilidade e rastreabilidade dos alimentos.
Uma das razões para este dinamismo reside nas vantagens logísticas dos produtos secos face aos frescos: maior vida útil, menor risco de desperdício e custos de transporte mais reduzidos. Estas características têm atraído importadores da União Europeia, América do Norte, Médio Oriente e região Ásia-Pacífico, que encontram nestes produtos uma solução eficiente para cadeias de abastecimento longas e exigentes. A sua utilização é hoje transversal a vários segmentos da indústria alimentar, desde alimentos embalados e prontos a consumir a produtos de saúde e bem-estar, passando pela panificação, cereais e snacks, restauração, hotelaria e marcas próprias do retalho.
O estudo sublinha ainda que a exportação de frutas e vegetais secos biológicos contribui para a redução do desperdício alimentar, diminui a dependência de cadeias de frio e valoriza as economias agrícolas regionais. Os avanços tecnológicos nos processos de secagem — que preservam o valor nutricional, a cor e o sabor — reforçam a competitividade destes produtos num mercado global onde a segurança alimentar e a rastreabilidade são cada vez mais escrutinadas.

Share this content:

Publicar comentário