Venezuela: Rebelo de Sousa em contacto permanente com o ministro da Defesa
Fonte de Belém citada pela agência Lusa referiu que o Presidente da República tem mantido “permanente contacto, desde a madrugada, com o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros” e adiantou que Marcelo Rebelo de Sousa “entretanto, falou também com o ministro da Defesa Nacional e o presidente do Governo Regional da Madeira”. A Venezuela tem uma relevante comunidade emigrante portuguesa, em grande parte oriunda da Madeira.
A Presidência da República divulgou uma nota a dar conta de que o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa “está a acompanhar a situação na Venezuela em articulação com o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros”, Paulo Rangel.
Antes, fonte do Governo PSD/CDS-PP disse que as autoridades portuguesas estão “a acompanhar a situação na Venezuela ao minuto”, em contacto com a embaixada em Caracas e com vários governos europeus. O Governo declarou como prioritária a segurança dos portugueses na Venezuela e apelou à redução das tensões e ao respeito pelo Direito Internacional, após ataques dos Estados Unidos e a captura do Presidente Nicolás Maduro. “A prioridade do Governo é, e continuará a ser, a segurança da comunidade portuguesa na Venezuela”, afirmou, em comunicado citado pela Lusa, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE). Portugal, acrescentou, “apela à redução das tensões, ao respeito pelo Direito Internacional e pela Carta das Nações Unidas, bem como à promoção da segurança e da tranquilidade públicas”.
Por seu turno, António Costa, presidente do Conselho Europeu, afirmou que o direito internacional deve ser preservado, pelo que não é aceitável que a intervenção dos Estados Unidos possa ser legitimada ou sequer aceitável. “Estou a acompanhar a situação na Venezuela com grande preocupação. A União Europeia apela à desescalada e a uma resolução em pleno respeito pelo Direito Internacional e pelos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas”, disse o ex-primeiro-ministro português nas redes sociais. A União Europeia “continuará a apoiar uma solução pacífica, democrática e inclusiva na Venezuela”. Costa disse ainda apoiar os esforços da chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, “em coordenação com os Estados-membros” da UE, “para garantir a segurança dos cidadãos europeus no país”.
Do lado da Rússia – que já antes tinha condenado o ataque dos Estados Unidos – chega agora a indicação de que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, exige dos Estados Unidos prova de vida de Nicolás Maduro e da sua mulher. De qualquer modo, vários analistas já referiram que a intervenção na Venezuela é, indiretamente, uma legitimação da intervenção da Rússia na Ucrânia – como será também de uma qualquer futura intervenção da China em Taiwan.
Vários comentadores – como por exemplo Augusto Santos Siva, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros em declarações à SIC Notícias – recordam também as desastrosas intervenções externas no Iraque, no Afeganistão e na Líbia, países onde a deposição de autocratas lançou aqueles países num caos prolongado e incerto.
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