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Venezuela: governo interino assegura que continuará o regime de Nicolás Maduro

Venezuela: governo interino assegura que continuará o regime de Nicolás Maduro

O governo interino da Venezuela, liderado pela até agora vice-presidente Delcy Rodríguez, já designada pelo Supremo Tribunal de Justiça do país, afirma-se alinhado e unido na prossecução das políticas do presidente Nicolás Maduro, preso este sábado e levado sob custódia para uma prisão nos Estados Unidos. A nova presidente – que os analistas identificam como uma das mais destacadas ‘chavistas’ do regime – exigiu a libertação imediata de Maduro e assegurou que não haverá qualquer alteração no rumo do país. A decisão, que não surpreendeu ninguém, coloca desde já a questão de se perceber se os Estados Unidos tratarão de empreender uma segunda vaga de ataque à Venezuela – que Trump disse em conferência de imprensa estar preparada – na tentativa de remover o regime do presidente detido. Ou se, alternativamente, a administração Trump tentará um diálogo com Delcy Rodríguez, que na mesma conferência de imprensa foi nomeada como possível substituta de Maduro.
O facto de Donald Trump ter sido claro e aparentemente definitivo quando disse que a líder da oposição a Maduro, María Corina Machado, não entrava nas ‘contas’ da Casa Branca – o que muito surpreendeu os analistas – e nem sequer ter mencionado Edmundo González, o ex-diplomata que supostamente ganhou as eleições presidenciais do verão de 2024 para a oposição, deixa fortes dúvidas sobre quais serão os próximos passos do presidente dos EUA. Para os mais cáusticos, a administração da Casa Branca não tem qualquer plano concreto para o ‘dia seguinte’ e vai ficar simplesmente à espera de ver no que dá a evolução política na Venezuela para depois tentar, por via de pressão política, ‘colonizar’ o setor petrolífero do país sul-americano.
Delcy Rodríguez, que é também ministra do Petróleo, é considerada há muito a integrante mais pragmática do círculo íntimo de Maduro, mas contradisse publicamente Trump sobre as suas afirmações de que estaria disposta a trabalhar com os Estados Unidos. O governo venezuelano afirma há meses que a campanha de pressão de Trump visava tomar posse dos vastos recursos naturais do país, especialmente o petróleo, e as autoridades têm dado grande destaque aos comentários de Trump sobre o assunto, quando disse que as principais empresas petrolíferas norte-americanas iriam instalar-se no país.
“Aqui, a unidade da força revolucionária está mais do que garantida, e só existe um presidente, cujo nome é Nicolás Maduro Moros. Que ninguém caia nas provocações do inimigo”, disse o ministro do Interior, Diosdado Cabello, numa mensagem divulgada pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV( este domingo). “Estamos indignados porque no final tudo foi revelado — foi revelado que eles só querem o nosso petróleo”, acrescentou Cabello, que tem laços estreitos com os militares. Sobre essa matéria, de facto, e depois da conferência de imprensa, ninguém mais tem quaisquer dúvidas.
A empresa estatal petrolífera venezuelana, a PDVSA, está, segundo a agência Reuters, a pedir a algumas de suas joint ventures que reduzam a produção de petróleo bruto, fechando campos petrolíferos ou grupos de poços, no quadro de uma paralisação das exportações. Esta paralisação de um país membro da OPEP, deu-se desde que os Estados Unidos anunciaram, no mês passado, um bloqueio aos navios-tanques venezuelanos.
Maduro está detido num centro de Nova Iorque, juntamente com a sua mulher, Cilia Flores, aguardando uma audiência judicial esta segunda-feira, onde enfrentará acusações de tráfico de droga.
Reunião da ONU
No mesmo dia, está prevista a realização de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para, a pedido da Venezuela, o tema da prisão de Maduro ser debatido. Mas, como é sabido, nada de importante dali sairá, apesar de a Rússia e a China, dois dos cinco membros permanentes, terem sido dos mais claros a condenar a ação militar decidida por Donald Trump. No final da reunião, o veto dos Estados Unidos funcionará no sentido de impedir qualquer condenação da ONU – apesar de António Guterres, o seu secretário-geral, ter dito que a prisão do presidente venezuelano “abre um precedente perigoso”.
Entretanto, os opositores de Maduro na Venezuela têm-se mostrado cautelosos em comemorar a sua prisão e extradição, apedar de a presença das forças de segurança nas ruas pareceu menor do que o habitual, segundo adianta a Reuters. Apesar do clima de tensão, algumas padarias e cafeterias estavam abertas, e corredores e ciclistas saíam às ruas como numa manhã normal de domingo.
Embora muitas nações ocidentais se oponham a Maduro, houve muitos apelos para que os Estados Unidos respeitassem o direito internacional e resolvessem a crise diplomaticamente. Também surgiram questões sobre a legalidade da prisão de um chefe de Estado estrangeiro. Genericamente, a esmagadora maioria dos comentários de chefes de Estado, de governo ou das chancelarias foi de condenação da ação determinada por Donald Trump. As exceções mais claras vieram de Israel, de Itália e do ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, que causou algum escândalo ao afirmar que a ação militar dos Estados Unidos não era legítima à luz do direito internacional, como também não era legítimo o regime de Nicolás Maduro.
Internamente, os democratas norte-americanos têm sido muito críticos da ação na Venezuela – e chamam a atenção para o facto de Donald Trump continuar a administrar o país tentando sempre esquivar-se aos ‘checks and balances’ do Congresso. E dizem mesmo, segundo a imprensa norte-americanas que acham terem sido induzidos em erro em recentes reuniões informativas no Congresso.
Preços do petróleo devem aumentar no curto prazo
Com a Venezuela a ser responsável por 1% da produção mundial de petróleo e com 17% das reservas de crude do mundo, segundo a Administração de Energia dos Estados Unidos, os analistas do ‘Finantial Times’ acreditam que o preço do petróleo deverá aumentar no curto prazo, impactado pelas ações do presidente Donald Trump.
“As pessoas vão partir do princípio que vão existir maiores quantidades de petróleo a médio-prazo”, diz ao FT, Amrita Sen, consultora e fundadora da Energy Aspects.

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