A paciente petrolífera americana que sempre viu oportunidades na Venezuela
Há uma paciente petrolífera americana que está na dianteira na Venezuela. A Chevron, segunda maior petrolífera dos EUA, tem se mantido no país apesar de as outras petrolíferas terem abandonado a Venezuela ao longo de décadas.
Hugo Chavez nacionalizou o setor quando chegou ao poder no virar do século e obrigou os investidores estrangeiros a aceitarem fatias mais pequenas nos projetos, sem os compensar.
A maior petrolífera americana, Exxon, e a ConocoPhillips saíram e têm lutado por indemnizações, mas sem sucesso na justiça internacional.
Onde outros viram perdas, a Chevron viu oportunidades. “Se tivéssemos saído de cada vez que estamos em desacordo com um governo, teríamos saído de todos os países, incluindo os EUA”, disse o presidente da companhia Mike Wirth recentemente.
Há apenas 10 meses, Donald Trump ameaçou bloquear as exportações da companhia da Venezuela para os EUA, mas agora a empresa é vista como estando na linha da frente para os investimentos pretendidos pela Casa Branca no país sul-americano.
O presidente da empresa tem feitos esforços ao longo do último ano para tentar convencer Donald Trump da importância de estar presente no mercado venezuelano, revela o “New York Times”.
A Venezuela conta com as maiores reservas mundiais de crude, mas produz apenas 1% do consumo global. Em 1997, era responsável pela produção de 5% do consumo mundial.
O responsável pela operação da Chevron em 2006, quando foi fechado um novo contrato no país, recorda que vendeu a ideia à administração da empresa como uma vantagem, pois iria passar a deter uma participação efetiva num projeto importante, em vez de receber um valor monetário.
Na sua perspetiva, a subida dos preços do petróleo iria compensar a Chevron. “A alternativa seria o que fez a Conoco: deixar o país e esperar para ser pago”, recordou Ali Moshiri recentemente.
A companhia tem optado por uma visão de longo prazo em vários países, além da Venezuela, como o Cazaquistão, onde aposta no petróleo, ou Israel, onde aposta no gás.
Por ser a única petrolífera ocidental com autorização do Governo dos EUA para exportar petróleo, a ideia é que, dadas as condições políticas certas, pode aumentar a produção mais rapidamente do que empresas que entrem agora no mercado.
Os investidores estão animados. As ações subiram mais de 5% em Wall Street na segunda-feira, apesar de estarem a cair hoje mais de 3%.
Mas a chegada de mais petróleo da Venezuela vai demorar alguns anos e vai precisar de muito dinheiro.
Os preços do petróleo não ajudam. Com o barril a rondar os 60 dólares, não é atrativo para as companhias irem a correr para a Venezuela, um país com um risco político elevado.
O investimento na Venezuela vai ter de ser feito com muitas garantias, e de longo prazo, que os contratos serão cumpridos, para não correrem o risco de novas nacionalizações.
Trump reúne com petrolíferas para discutir investimentos na Venezuela
O Governo norte-americano está a planear reunir-se com as maiores petrolíferas norte-americanas para discutir o investimento na Venezuela após a queda de Nicolas Maduro.
Os encontros deverão ter lugar na quinta-feira com o objetivo de reavivar o setor petrolífero venezuelano, escreve a “Reuters”.
A Casa Branca quer ver as petrolíferas a investir no país, duas décadas após a sua saída ordenada por Hugo Chavez, mas há muitos desafios: infraestrutura de produção envelhecido e os riscos políticos da transição de poder não ser favorável aos interesses dos EUA.
As três maiores petrolíferas dos EUA – Exxon Mobil, ConocoPhillips e Chevron – ainda não conversaram sobre este tema com o executivo após a saída de Maduro, segundo fontes citadas pela “Reuters”, contrariando as declarações de Trump em que afirmou que já se tinha reunido com “todas” as petrolíferas americanas antes e depois da queda de Maduro.
“Ninguém nestas três empresas teve conversações com a Casa Branca sobre operar na Venezuela”, segundo uma das fontes citadas pela agência noticiosa.
Mais. No setor há dúvidas que haja mais empresas a voar para a Venezuela, além da Chevron que já opera no país, aponta um executivo do setor à “Reuters”. A companhia exporta 150 mil barris diários de crude da Venezuela.
A Exxon e a ConocoPhillips estiveram na Venezuela, mas foram alvos das nacionalizações de Hugo Chavez. Ambas estão envolvidas em casos legais internacionais para tentar obter a devolução do seu investimento.
A Casa Branca quer aumentar a produção de petróleo, a refinação e as exportações. A Venezuela conta com as maiores reservas de petróleo do mundo.
Mas há preocupações regulatórias por parte das petrolíferas, pois discutir operações com a Casa Branca pode violar regras concorrenciais sobre concertação de investimentos.
Por outro lado, a estrutura de produção venezuelana está envelhecida e a produção afundou para um terço face há duas décadas.
Mas a petrolífera estatal venezuelana PDVSA já disse que a sua infraestrutura não é atualizada há 50 anos e que o custo para a atualizar seria de quase 60 mil milhões de dólares. A estimativa foi divulgada em 2021 pela “Reuters” com o investimento a ter capacidade para colocar a produção em 3,4 milhões de barris diários aos níveis registados em 1998 antes de Hugo Chávez chegar ao poder.
Para já, não se sabe qual vai ser a reação dos executivos ao repto lançado pelo presidente americano. Oficialmente, as petrolíferas não reagiram ainda.
Do outro lado, a Casa Branca acredita que há vontade do setor nacional investir na Venezuela. “Todas as nossas companhias estão preparadas para investir em grande na Venezuela para reconstruir a sua infraestrutura de petróleo que foi destruída pelo regime ilegítimo de Maduro”, segundo a porta-voz Taylor Rogers.
O presidente admitiu a possibilidade de o subsidiar com dinheiro público o investimento das companhias na Venezuela.
“As companhias estavam absolutamente conscientes de que estávamos a pensar em fazer algo, mas não lhes dissemos”, afirmou Trump à “NBC News”.
Os investidores estão optimistas, acreditando que há oportunidades de negócio no país. O índice de energia de Wall Street disparou para máximos desde março de 2025, com a Exxon Mobil a subir mais de 2% e a Chevron mais de 5%.
Mais de 300 mil milhões de barris jazem debaixo da Venezuela. É a maior reserva global provada do mundo e corresponde a um quinto das reservas globais.
A Arábia Saudita surge na segunda posição (267 mil milhões de barris), seguida do Irão (208 mil milhões), e do Canadá (163 mil milhões). Estes quatro países detêm mais de metade das reservas globais de petróleo.
Por dia, o país produz apenas um milhão de barris, menos de 1% da produção de crude a nível global, muito abaixo do seu potencial.
Desde que Nicolas Maduro assumiu o poder em 2013 que a produção caiu para metade. Desde o início do regime Chavez/Maduro em 1999 que a produção caiu para menos de um terço face aos 3,5 milhões de barris à época.
O crude venezuelano é diferente do saudita, por exemplo, sendo mais pesado, logo mais difícil de extrair. Mas é melhor para produzir certos produtos, como gasóleo, asfalto e outros combustíveis para a indústria, ao contrário do saudita que é melhor para produzir gasolina.
Share this content:



Publicar comentário