Várias estreias na ficção, nomes consagrados, política, IA e poesia
Mais do que apresentar as obras anunciadas cronologicamente, escolhemos destacar aquelas que são estreia absoluta. No sentido de serem a primeira obra das referidas autoras. Sim, mulheres. Escritoras. Uma coincidência, mas que não deixamos passar em branco.
Julia R. Kelly, com “A Oferenda do Pescador” (Porto Editora) mergulha nos dramas de uma comunidade costeira na Escócia. Florence Knapp e a sua estreia auspiciosa, segundo a crítica – “O melhor romance de estreia dos últimos anos”, sintetiza o Sunday Times – traz-nos a história de três nomes, três versões de uma vida e das infinitas possibilidades que uma decisão pode desencadear, em “Os Nomes” (Porto Editora). E Tara Manon, indiana de nascimento, que cresceu em Singapura e é hoje professora em Harvard, EUA, que, no seu romance de estreia, “Debaixo de Água” (Livros do Brasil), que retrata a amizade e a perda, o luto, tendo como pano de fundo a fúria da natureza – sem nunca esquecer o muito que esta lhe dá.
A chancela Ideias de Ler avançou com propostas algo arrojadas, das quais se destacam as áreas política e sociedade. Por um lado, a estreia de Miguel Herdade com “Gente como nós”, numa linguagem fluida e pop, que diagnostica problemas e oferece soluções. Acredita que o melhor caminho para combater os desafios da desigualdade, pobreza e imigração passa por misturar pessoas. Vive em Londres, observa Portugal atentamente e procura contribuir para um debate construtivo sobre a sociedade que queremos ser. Ainda na área política, Sanna Marin, primeira-ministra finlandesa de dezembro de 2019 e junho de 23, partilha o seu percurso e visão para um novo tipo de liderança, a nível local e global, em “Esperança em Ação: O futuro pertence-nos” (Ideias de Ler).
No campo dos clássicos, a Livros do Brasil traz novas edições de Thomas Mann. “A Montanha Mágica” regressa às livrarias em janeiro e, paralelamente, será publicada pela primeira vez de forma independente a novela “Desordem e Primeira Paixão”. Em março, Thomass Mann estará de volta com “Os Buddenbrook”.
Na poesia e na literatura de autor, a Assírio & Alvim reúne estreantes e nomes consagrados. Entre os destaques estão “Física Espiritual”, antologia de Rui Lage, “Poesia”, de José Alberto Oliveira, e novas publicações de Bernardo Maria Salgado e Ana Isabel Mouta, com “Alçapão” – livro que sucede ao surpreendente “Paiol” (2024, a sua estreia em poesia.
Destaque ainda para o mais famoso dos poetas do haiku, o japonês Matsuo Bashô, com a obra “Diários de Viagem”, que além de uma seleção de haibun (poemas em prosa), inclui ainda mapas das deambulações deste grande mestre. A tradução é de Jorge Sousa Braga.
De realçar também a missão que a Assírio & Alvim abraçou de publicar a obra de José Rodrigues Miguéis e que tem vindo a honrar. Desta feita, editando a sua primeira obra, “Páscoa Feliz”, há décadas ausente das livrarias, e que pretende ser a radiografia de uma época e de “duma fauna provinciana que em Lisboa desagua”.
A IA – Inteligência Artificial é outra ‘fauna’ que tem merecido diversas reflexões no âmbito da não-ficção. Mas, aqui, escolhemos duas obras que se enquadram na ficção. Não salvam o mundo, não apontam caminhos. Convidam o leitor a pensar, a ver mais nítido esse mundo das entrelinhas, da desinformação, do medo, da manipulação social.
Rui Zink regressa com “Olga, Salva o Mundo”, romance que cruza investigação policial, linchamentos públicos e desinformação, questionando a justiça popular num contexto dominado pela inteligência artificial. Segunda a editora, o autor não publicava um romance desde 2017, quando saiu “O Livro Sagrado da Factologia” na Teodolito.
A escritora espanhola Rosa Montero, escolheu os riscos da IA como cerne da sua mais recente obra, “Animais Difíceis”, que encerra a série protagonizada pela detetive Bruna Husky, e que traz à colação temas como identidade, finitude e inovação tecnológica. Chegam ambos às livrarias em fevereiro.
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