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Associação Mutualista substitui Pedro Leitão à frente do Banco Montepio pelo ex-CEO do EuroBic

Associação Mutualista substitui Pedro Leitão à frente do Banco Montepio pelo ex-CEO do EuroBic

A notícia foi avançada pelo jornal “Eco”, e o Jornal Económico acaba de confirmar que a lista de órgãos sociais que a Associação Mutualista Montepio Geral enviou para o regulador para análise no âmbito do “Fit & Proper”, é liderada por José Azevedo Pereira, ex-CEO do EuroBic, comprado pelo Abanca.
Assim, ao contrário do esperado pelo banco, Pedro Leitão não vai ser reconduzido no mandato de quatro anos, de 2026 a 2029.
Virgílio Lima disse ontem, à margem da tomada de posse, que “há um período que vai iniciar-se em breve, junto das próprias autoridades de regulação para este efeito e que é um período, numa fase inicial, sigiloso”, reconhecendo assim que tinha já enviado a lista para o Banco de Portugal.
“A expectativa é que a eleição [da administração do Banco Montepio] se possa verificar com a apresentação pública das contas do banco. Nessa Assembleia que será, previsivelmente, em abril, haverá, certamente, a eleição dos órgãos sociais, mas há um processo prévio junto do Banco de Portugal que tem que correr, entretanto”, acrescentou o Presidente da Associação Mutualista.
Sobre o balanço do mandato de Pedro Leitão que acabou no fim de 2025 o presidente da Mutualista disse que “houve um trabalho importante de evolução em diferentes domínios da atividade do banco que se reconhece e cumprimenta com muito apreço”, mas “há áreas onde se pode melhorar e desenvolver”.
Pedro Leitão é CEO do Banco Montepio desde 9 de janeiro de 2020, ainda durante a presidência de Tomás Correia à frente da Mutualista, e foi reconduzido a 25 de julho de 2022 para o triénio 2022-2025, já por Virgílio Lima. Antes de ser CEO do Banco Montepio foi Chief Digital Officer do Banco Atlântico Europa.
Depois de um caminho de prejuízos, o ainda CEO do Banco Montepio conseguiu que o banco voltasse a dar lucros e a distribuir dividendos. A 13 de dezembro, a agência de notação financeira Fitch Ratings subiu o rating dos depósitos (Long-Term Deposits) do Banco Montepio para o nível de investimento (investment grade) de BBB- e o da dívida sénior não garantida (senior preferred) para BB+, acompanhando desta forma as notações já atribuídas pela Moody’s e DBRS.
O banco mantém, no entanto, o desafio de continuar a melhorar a rentabilidade (ROE), que precisa de atingir os dois dígitos e reduzir o rácio de eficiência (custos/proveitos), que ainda se encontra na casa dos 50%.
Do lado positivo está o facto de o banco, sob a batuta de Pedro Leitão, ter conseguido limpar o balanço. O Banco Montepio reportou um rácio de NPL (malparado) de 2,6% comparando bem com os seus concorrentes.
Em entrevista ao Jornal Económico, Pedro Leitão chegou a dizer que “o mais desafiante foi o processo de reestruturação. Tivemos de tomar decisões difíceis, mas necessárias para garantir a sustentabilidade do banco. O mais recompensador é ver hoje o Banco Montepio forte, rentável e a dar um contributo positivo para a economia portuguesa”.
Na mesma entrevista o banqueiro revelava que “a relação com o nosso acionista de referência, a Associação Mutualista Montepio Geral, é boa e de total transparência e colaboração. Trabalhamos em conjunto para garantir o sucesso a longo prazo do Banco Montepio”. O que afinal parece não se confirmar.
Do lado negativo poderá apontar-se a venda do Banco Empresas Montepio que foi acordada com a fintech Rauva mas que até hoje não deu entrada no Banco de Portugal, sabe o Jornal Económico.
O Banco Montepio tem base mutualista, tem cerca de 230 balcões e emprega perto de três mil pessoas.

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