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Saldos: comprar em promoção sem cair na armadilha

Saldos: comprar em promoção sem cair na armadilha

A época dos saldos significa muitas vezes aproveitar oportunidades incríveis para adquirir determinado produto, mas com a crescente facilidade de comprar online, aumentam também os riscos associados à utilização dos nossos dados pessoais.
Em Portugal, as queixas relacionadas com compras online continuam elevadas e uma parte significativa delas envolve fraudes, burlas ou problemas com a proteção de informações pessoais dos consumidores.
Por isso, para garantir que aproveita da melhor forma possível a época dos saldos que por agora se inicia, é importante saber como proteger os seus dados pessoais, e, sobretudo, como comprar em segurança, reduzindo a probabilidade de perdas, roubos de identidade ou fraude.
Será o preço dos descontos demasiado elevado?
O Portal da Queixa, que regista reclamações espontâneas de consumidores portugueses, tem documentado milhares de queixas relacionadas com o comércio online todos os anos.
Entre janeiro e outubro de 2024, por exemplo, foram registadas mais de 22.000 reclamações relacionadas com compras online e 17% das quais associadas a burlas e fraudes digitais.
Estes números não parecem ser um caso isolado: outra análise indicou que entre janeiro e maio de 2025 foram identificadas quase quatro mil reclamações de burlas online, com destaque para o setor de “Compras, Moda e Joalharia”, onde quase 27 % das queixas ocorreu por fraude ou consumo inseguro.
Na verdade, não podemos dizer que estes dados surjam como uma grande surpresa. De facto, o número reflete um fenómeno conhecido: sempre que aumentam saldos e promoções, aumentam também as tentativas de aproximação fraudulenta aos dados pessoais dos compradores.
A fase em que nos encontramos agora é justamente uma das favoritas para os burlões que tentam a sorte por email, via phishing, ou ainda através de sites com aspeto legítimo, mas que são falsos.
E sim, até mesmo os consumidores mais ativos e com elevados níveis de literacia digital podem sucumbir a alguns esquemas mais elaborados, uma vez que terá sempre de fornecer alguns dados sensíveis e pessoais como o seu nome, a sua morada ou os elementos do seu cartão de crédito.
Por isso, quando se navega no mundo das ‘pechinchas’ online, é vital garantir a proteção dos seus dados pessoais e saber onde divulgar a sua informação de forma segura.
Em Portugal, os consumidores têm o direito de fazer reclamações relacionadas com a proteção de dados pessoais, não só junto de plataformas como o Portal da Queixa, mas também junto da Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD), a autoridade oficial que regula o tratamento e a proteção de dados pessoais no país.
Por exemplo, se um site de compras utilizou os seus dados de maneira indevida ou sem consentimento, pode apresentar uma queixa à CNPD de forma gratuita através do formulário disponível no portal governamental.
Aprender a limitar o que divulga, escolher plataformas seguras e saber onde reclamar quando algo corre mal é tanto uma questão de literacia digital quanto de direitos do consumidor. E pode fazer toda a diferença entre uma boa experiência de compra e um pesadelo de fraude.
Proteja os seus dados pessoais nas compras online – Limite os dados que fornece
Não dê informações além das que são estritamente necessárias para a compra, especialmente dados como o número de cartão de cidadão, a data de nascimento ou fotografias de documentos pessoais. Mesmo quando um site pede esses dados sob pretexto de “segurança”, na maioria dos casos isso não é exigido legalmente para uma simples compra online.
Use palavras-passe fortes e não as repita em vários sites
Utilizar palavras-passe seguras para cada site com uma combinação entre letras, números e símbolos e optar pela autenticação de dois fatores sempre que possível aumenta a sua segurança online. É ainda importante que não utilize a mesma senha em vários sites, por fim a evitar fugas de dados e controlar o acesso à informação.
Desconfie de emails e links inesperados
Uma das formas mais comuns de fraude online é o phishing: mensagens que parecem legítimas, mas que tentam enganar os utilizadores para que abram links maliciosos ou insiram dados pessoais. Para evitar cair neste tipo de armadilhas, opte por aceder diretamente ao website oficial da marca e verificar o seu perfil através desse acesso.
Leia a política de privacidade e segurança do site
Sabemos que ninguém tem tempo nem paciência para ler os “termos e condições” antes de, inevitavelmente, clicar em “aceitar”, mas perder alguns minutos pode protegê-lo no futuro. Opte por fazer compras em sites cuja política de privacidade seja clara sobre como usa e protege os seus dados e se usa HTTPS (cadeado na barra de endereço), que garante uma ligação encriptada.
Opte por métodos de pagamento seguros
Pagamentos com cartão de crédito, PayPal ou plataformas de pagamento reconhecidas tendem a oferecer proteção ao consumidor em caso de fraude, algo que métodos diretos como transferência bancária não proporcionam tão facilmente.
Pesquise a reputação do vendedor
Antes de comprar, procure avaliações reais e reclamações sobre o vendedor ou loja online. O Portal da Queixa tem secções específicas onde pode ver experiências de outros consumidores com determinada marca, identificar possíveis problemas e ainda comparar várias marcas do mesmo segmento.
Guarde todos os comprovativos como prova
Se, apesar de todas as precauções, os seus dados forem comprometidos ou houver uma burla, é importante que guarde todas as mensagens trocadas com a marca como prova (emails, faturas, capturas de ecrã, etc.).
Pode e deve também fazer uma uma reclamação no Portal da Queixa para partilhar a sua experiência e alertar outros consumidores para um potencial risco. Além disso, considere ainda apresentar uma queixa formal à CNPD se houver violação de dados pessoais.

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